Notícias

Fórum Mundial de Ciência no Brasil deve estimular novo modelo de desenvolvimento nacional

A realização do Fórum Mundial de Ciência no Brasil representa um marco na vida científica brasileira e deve estimular a transição do País para um novo modelo de desenvolvimento. Esse foi o tom do discurso de autoridades, pesquisadores e representantes de entidades científicas que participaram ontem (29) da abertura do primeiro dos sete encontros preparatórios para a sexta edição do Fórum Mundial de Ciência, que será realizado em novembro de 2013, no Rio de Janeiro. Essa é a primeira vez em que o evento bianual internacional, criado em 1999, é realizado em um país fora da Hungria.

O ministro o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, declarou que os esforços são para que a ciência brasileira seja protagonista do desenvolvimento sustentado do País e ganhe destaque no cenário internacional.

“O Brasil segue em direção à nova economia, cujos pré-requisitos são competitividade e sustentabilidade, o que só se alcança com o uso intensivo do conhecimento científico e tecnológico”, disse o ministro na tarde de ontem, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em São Paulo, onde o encontro acontece até amanhã (31) e tem como tema: “Ciência para o desenvolvimento global: da educação para a inovação construindo as bases para a cidadania e o desenvolvimento sustentável”.

O ministro dividiu a mesa-redonda, na abertura do evento, com a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, o presidente da Fapesp, Celso Lafer; com José Arana Varela, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da mesma instituição e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico também da Fapesp, representando o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). A Comissão Executiva Nacional do Fórum é formada por órgãos como MCTI, CNPq, Finep, CGEE, ABC e SBPC, dentre outros.

Segundo a presidente da SBPC, a proposta do Fórum é promover uma discussão da ciência nacional com o olhar para o mundo, com foco na “educação e ética na ciência”.

O diretor científico da Fapesp, Brito Cruz, por sua vez, considerou fundamental discutir a complexidade da ciência. “A ciência é uma coisa complexa porque tem muitas características, visões diferentes e contradições. É importante discutir isso de maneira atenta aqui”, disse, reconhecendo que o encontro não deve resolver os problemas, mas deve fazer entender como funciona a ciência no País.

Já o presidente da ABC acredita que a ciência brasileira, igualmente a da América Latina, deve ganhar visibilidade no cenário internacional diante da realização do Fórum Mundial no País. “Isso é muito significativo e indica que conquistamos legitimidade no mercado internacional”, declarou Palis.

Produção científica nacional

Mesmo que em ritmo modesto, o ministro destacou o potencial e o avanço da produção científica no Brasil nos últimos 20 anos, ao saltar de 0,63% para 2,69% no total mundial.

Com base em dados da consultoria Thomson/ISI, Raupp citou a existência de cerca de 235 mil pesquisadores brasileiros em atividade, responsáveis pela publicação de 32,1 mil artigos em periódicos internacionais em 2009 – o equivalente a 2,69% do total mundial. Enquanto em 1990 os artigos dos pesquisadores brasileiros publicados somavam 3,539 mil – ou 0,63% da produção mundial.

“Apesar de sua juventude e de percalços sofridos ao longo do processo de sua construção, o ponto fundamental é o de que o Brasil conta hoje com um amplo e dinâmico sistema de produção científica”, declarou Raupp, explicando que o universo científico brasileiro começou a existir de maneira organizada na década de 1930 com a criação da Universidade de São Paulo (USP).

Ciências agrárias

Dentre as atividades científicas mais dinâmicas no País, conforme os dados do ministro, o destaque são as ciências agrárias, cujos pesquisadores respondem por quase 10% (9,89%) da produção científica mundial nessa área.

“Por uma razão direta com essa elevada produção de novos conhecimentos científicos e tecnológicos a agricultura brasileira é uma das mais produtivas, modernas e sustentáveis do mundo, o que dá a ela condições de abastecer o mercado interno e também, ao exportar, de contribuir significativamente para o bom desempenho da balança comercial brasileira”, declarou.

A estimativa do ministro é de que o desempenho positivo das ciências agrárias seja estendido para outras áreas, como nanociência e nanotecnologia, energias renováveis e tecnologia da informação – também estratégicas para o desenvolvimento do País.

Setor privado

O diretor científico da Fapesp, Brito Cruz, concorda com o avanço da  área de ciência e tecnologia nacional. Conforme ele, uma das principais mudanças na ciência brasileira é o aumento do papel das empresas nas pesquisas. Por exemplo, em São Paulo, disse Brito Cruz, o setor privado responde por mais de 60% dos dispêndios nas pesquisas científicas. Em 2011, os investimentos em pesquisas no estado paulistano somaram R$ 21 bilhões, dos quais R$ 13 bilhões foram realizados pelas empresas.

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência

Próximos Eventos