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Fontes de riqueza, país ganhará 49 Parques Tecnológicos nos próximos anos

País vai ganhar 49 novos parques tecnológicos nos próximos anos, ampliando a rede geradora de novas ideias de produtos e serviços. Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

 

O Brasil deve ganhar 49 novos parques tecnológicos nos próximos anos. Ligados às universidades, empresas e centros de pesquisa, os complexos funcionam como ambientes de inovação construídos para gerar novos produtos e serviços. Com 25 unidades em operação e mais de 40 milhões de m2 reservados para a implantação de novos projetos, o setor precisa encarar desafios como transformar em negócios os conhecimentos gerados na academia e atrair investimentos da iniciativa privada. Somente o governo federal deve investir este ano R$ 85 milhões na construção de centros de pesquisa em todo o país.

 

“Os 25 parques tecnológicos movimentam R$ 1,6 bilhão ao a n o”, afirma Jorge Luis Audy, diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), organização que representa as entidades gestoras de incubadoras de empresas, polos e parques tecnológicos. “No total, as unidades em operação já exportam R$ 116 milhões.” Espalhados por todas as regiões – o Sudeste concentra 47% do total, enquanto o Sul reúne 31% das unidades – os parques têm perfis variados. “Alguns são ligados às universidades, outros envolvem atores públicos e privados, e um terceiro grupo tem iniciativas fundamentalmente empresariais”, diz Audy.

 

Com inauguração prevista para 2012 em São Carlos (SP), o Parque Eco-Tecnológico Damha, ligado ao grupo Encalso & Damha, deve ocupar uma área de 1 milhão de m2. A etapa inicial do projeto, com investimentos de R$ 20 milhões, inclui dois condomínios de empresas, uma incubadora para 50 companhias e laboratórios. “Tam bém teremos um centro de inovação dedicado a pesquisas na área da saúde”, revela José Octavio Paschoal, presidente do Instituto Inova, que gerencia o complexo.

 

O parque de São Carlos deve receber principalmente pequenas e médias empresas dos setores de equipamentos médicos e odontológicos, além de fármacos nanoestruturados. Para ingressar no projeto, os empreendimentos precisam apresentar práticas sustentáveis de operação, como reúso de água e utilização de energias alternativas. Além desse, há unidades a caminho em São José do Rio Preto (SP), Manaus (AM), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).

 

Em Campina Grande (PB), o veterano Parque Tecnológico de Bodocongó (PaqTcPB) funciona desde o fim dos anos 1980 e suas empresas residentes já criaram soluções como um software para a análise do desempenho de nadadores e um tijolo ecológico que dispensa camadas de rejunte. Com uma área de oito hectares para a implantação de empreendimentos, tem no seu entorno duas universidades públicas e uma escola técnica de eletroeletrônica.

 

“Vamos ganhar um centro de inovação onde deverão instalar-se, até o fim de 2011, 50 novas empresas de TI e engenharia”, informa a diretora do parque, Francilene Garcia. Nos últimos quatro anos, o centro paraibano recebeu R$ 20 milhões em recursos dos governos federal, estadual e municipal, usados na expansão e fomento de empresas nascentes. “Es tamos nos preparando para receber investimentos privados.” Com duas incubadoras e 120 empresas, o complexo de Campina Grande deve “graduar ” até oito companhias em 2011. A graduação acontece quando a empresa incubada está completamente estruturada para enfrentar o mercado. No ano passado, o PaqTcPB se despediu de cinco organizações e hoje tem seis novos empreendimentos em processo de seleção. “Os parques devem ser atraentes para o capital privado e mais integrados a estratégias de desenvolvimento regional.” Para Afrânio Craveiro, diretor presidente do Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec), em Fortaleza (CE), o setor também precisa melhorar o diálogo entre companhias privadas e universidades.

 

“A academia acredita que o ambiente universitário não deve ser maculado com a imagem do lucro, enquanto o empresário olha a universidade como um local de pesquisadores que produzem trabalhos sem nenhum compromisso com a sociedade”, compara o gestor, que hospeda 70 organizações incubadas.

 

Por meio de suas empresas, o Padetec já lançou mais de 60 produtos desde 1991, como dietas hospitalares e polímeros naturais criados a partir de crustáceos. Este ano, deve incubar mais cinco empreendimentos, com tecnologias para a produção de alimentos funcionais, como um sorvete que promete emagrecer e microrganismos para a remediação de áreas impactadas pela exploração do petróleo. A instituição movimenta cerca de R$ 3,5 milhões ao ano para manter as atividades. As principais fontes de recursos são convênios com empresas, aluguel de espaço para as incubadas, royalties e prestação de serviços.

 

Fora das incubadoras, empresas recém-graduadas devem estar preparadas para superar obstáculos como a obtenção de mão de obra qualificada e de novos recursos para garantir o crescimento sustentado. Ter uma boa cartela de clientes também vai ajudar, segundo os empresários, nos primeiros meses longe dos parques.

 

Segundo dados da Anprotec, as companhias que já se tornaram independentes faturam R$ 4 bilhões por ano e empregam 35 mil pessoas – mais de 1,5 mil empresas foram graduadas em 400 incubadoras no Brasil.

 

Diplomada no final do ano passado, a Brasil Health Service (BHS), da área farmacêutica, ficou incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), da Universidade de São Paulo (USP), durante quatro anos. Com oito funcionários, conquistou clientes como Novartis e Pfizer. “Criamos um protetor para estetoscópio que auxilia no combate à infecção hospitalar”, explica José Francisco Roxo, presidente da BHS. Em parceria com o Cietec, a empresa também desenvolve um dispositivo portátil de aplicação de adrenalina, para uso emergencial em casos graves de alergia.

 

“Faturamos R$ 3,5 milhões em 2010 e a estimativa é crescer 30% em 2011.” No ano passado, lançou o Programa Descarte Consciente, em parceria com a rede Droga Raia e a indústria farmacêutica M e d l e y, para o controle do destino de medicamentos vencidos ou em desuso. “Com o nascimento dos meus filhos, vi a quantidade de remédios que sobravam no armário e pensei no que fazer com aquelas sobras.” A expectativa é que, até junho, o projeto siga para as cem maiores cidades brasileiras. Cinco meses após o início do programa, foram coletados 379 quilos de resíduos de medicamentos em 17 farmácias de São Paulo. “É importante que a recém-graduada tenha produtos inovadores lançados ou em fase final de projeto, com algum tipo de financiamento para os primeiros anos de vida.” No programa de descarte, a BHS investiu R$ 1 milhão – cerca de 20% do montante vieram do BNDES e o restante, de capital próprio.

 

No Rio de Janeiro, a Aquamet Meteorologia, com dez funcionários, prepara-se para a graduação.Residente na incubadora de empresas Coppe/UFRJ há três anos, é especializada em monitoramento ambiental, com foco em clientes do setor de energia, petróleo & gás, como Petrobras e Furnas. “Fazemos previsões para o planejamento de atividades e ações de mitigação de impactos no meio ambiente”, explica o diretor de operações Fábio Hochleitner.

 

Até 2012, o plano da empresa é consolidar contratos no setor portuário e ampliar a atuação na área de energia eólica. A expectativa é faturar R$ 1,5 milhão no primeiro ano fora da incubadora. “O grande teste é conseguir equilíbrio financeiro antes da graduação”, diz.

Fonte: Valor On Line