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Fintechs incubadas pelo BC já encontram negócios no sistema financeiro

Dez meses depois de lançado pelo Banco Central, o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas, ou Lift, apresentou 12 projetos transformados em protótipos. Com uso de inteligência artificial, aprendizado de máquina, blockchain e outras inovações, as fintechs incubadas pelo programa atendem correntistas e o próprio sistema financeiro – em demandas que já começam a virar contratos com bancos.

Para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, essas ferramentas digitais reduzem custos e ampliam o acesso ao mercado financeiro. “A tecnologia promove a inovação financeira. Para o sistema financeiro, esse movimento significa democratizar, digitalizar, desburocratizar e desmonetizar”, pontuou durante a abertura do ‘Lift Day’ nesta quarta, 27/3.

O Lift é um laboratório virtual que promove uma espécie de incubação online de projetos, com troca de ideias que vão aproximando as ideias de demandas reais e com suporte de grandes empresas de TI como Microsoft, IBM, AWS e Oracle. Em maio de 2018, quando foi lançado, recebeu 79 propostas. Houve uma seleção inicial de 18 delas, reduzidas para 12.

Entre elas há soluções como o Crédito Ideal, que usa um sistema de inteligência artificial para refinar informações sob medida para empréstimos. Ela pode funcionar tanto para garantir que tanto tomador como banco simulem operações e tenham mais informações sobre o negócio. “São dois elementos importantes, cidadão e banco, sendo que um não tem informação sobre o outro”, diz Joilson Giorno, um dos sócios da PhDRisk, que desenvolveu a ferramenta.

Ele revela que já tem acordos com o banco Bradesco, onde o sistema faz monitoramento de crédito de 200 mil pessoas, e com a Ailos, uma cooperativa de crédito de Santa Catarina. Na capital para o Lift Day, já apresentou o sistema para o Banco de Brasília e sonha com um acordo com o próprio Banco Central. “O BC possui informações, mas elas não estão automatizadas. Seria uma outra forma de usar o Crédito Ideal para reduzir a assimetria de informações e derrubar os juros”, completa Giorno.

Também no laboratório do BC, mas escorada em 15 anos de estrada, a Instant Solutions apresenta uma ferramenta que usa aprendizado de máquina para verificar a qualidade de atendimentos telefônico ao consumidor ou potenciais clientes. Trata-se de ouvir conversas gravadas de call centers e verificar se o atendimento é correto. A proposta é de que no lugar de escolhas aleatórias, a IA da Instant consegue indicar aquelas com maior probabilidade de problemas.

“Hoje, as áreas de compliance escolhem uma ou outra ligação em busca de termos que não podem ser utilizados, por exemplo. É de forma aleatória e nada garante que são aquelas que precisam ser ouvidas. Com aprendizado de máquina e um modelo matemático conseguimos verificar essa conformidade. E alertar para que a auditoria seja feita sobre as recomendadas”, explica o diretor e fundador da empresa, Paulo Mannheimer.

Também estão no programa Lift um sistema de georeferenciamento para crédito rural, pagamentos usando P2P, e várias ferramentas com diferentes usos da tecnologia blockchain para operações de crédito ou para a realização de transferências. O Banco Central já decidiu que terá uma nova edição do laboratório.

Fonte: Convergência Digital

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