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Finep cria crédito permanente para grandes empresas

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vai criar um programa de crédito permanente para ajudar empresas a manter investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Segundo o presidente da agência, Glauco Arbix, a ideia é trocar a lógica de apoio isolado a projetos por uma espécie de crédito pré-aprovado para um suporte financeiro global à atividade de inovação.

Cada operação da conta Inova Brasil P&D poderá chegar a R$ 200 milhões. O programa, que deverá ser lançado nos próximos dias, foi apresentado ontem à diretoria da Finep. Identificada com o fomento de empresas de base tecnológica, a instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia quer alcançar mais companhias de grande porte com um instrumento concreto para convencê-las a manter e ampliar os aportes em inovação e competitividade, diretriz do Plano Brasil Maior, sobretudo em meio à crise internacional.

Figuram entre os tomadores recorrentes da Finep grandes empresas como Embraer, Vale, Fibria, IBM, Totvs, Petrobrás e Braskem, mas a agência tem de avaliar cada projeto. Segundo Arbix, o programa foi desenhado para as companhias que investem em P&D de forma sistemática. A empresa poderá obter uma linha de crédito de 3 a 5 anos. No primeiro, receberá o equivalente à média do que aplicou em P&D nos últimos dois anos. Se cumprir os projetos, terá 10% a mais no ano seguinte.

As interessadas poderão ainda aumentar em 5% o limite de crédito cada vez que cumprirem uma das exigências criadas pela Finep para incentivar indicadores como: aumento da média de escolaridade dos funcionários, internalização de processos de tecnologia e engenharia, contratação de mestres e doutores, inclusão de pequenas empresas de base tecnológica entre os fornecedores e parceria com instituições científicas.

“Se cumprir todos esses itens, a empresa poderá chegar a transformar 135% do seu investimento em inovação em crédito automático. Além de reduzir a burocracia da análise de cada projeto, esse programa dá impulso concreto à formação de um grupo de empresas que investem regularmente em P&D, que é a grande dificuldade do Brasil. O investimento em inovação ainda é muito intermitente”, afirmou Arbix, em entrevista ao Estado.

Reforço. Os recursos repassados pela Finep virão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), pelo qual o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece taxas de 4% ao ano com subsídio do Tesouro Nacional, como já tem sido feito pela instituição para aumentar os desembolsos desde o ano passado.

Em 2011, a Finep acumulou uma carteira de R$ 9 bilhões em diferentes fases de tramitação, da qual quase R$ 3 bilhões foram contratados. As liberações alcançaram R$ 1,87 bilhão, 56% acima do desembolso de 2010, com a redução de quase dois terços do tempo médio de análise dos projetos. No fim do ano, a Fazenda aprovou a liberação de novo repasse de R$ 2 bilhões do BNDES/PSI para a Finep, que espera receber mais R$ 3 bilhões este ano.

Arbix conduz o processo de transformação da Finep numa agência de fomento com status de instituição financeira e gestora de recursos em 5 anos, tentando prepará-la para a demanda das grandes empresas. A carteira atual de R$ 6 bilhões pode superar R$ 10 bilhões este ano.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

 

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