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Farmas terão R$ 5 bilhões do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) está reestruturando o Profarma, programa de apoio ao desenvolvimento do complexo industrial da saúde, e vai elevar a carteira para R$ 5 bilhões. Esses recursos estarão disponíveis a partir de julho deste ano até 2016 para financiar projetos de inovação e expansão das indústrias farmacêuticas instaladas no país. Nesse montante estão incluídos futuros negócios envolvendo o braço de participações do BNDES, o BNDESPar.

Criado em 2004, o Profarma já foi reestruturado duas vezes. Essa terceira fase do programa de financiamento terá um perfil voltado para projetos de inovação, com forte apoio do governo federal, que faz suas apostas no desenvolvimento de medicamentos complexos no país.

Valor apurou que há pelo menos três grandes projetos que vão se beneficiar dos recursos do banco, como as duas “superfarmacêuticas” nacionais que estão sendo criadas e que podem ter o BNDESPar como sócio. A multinacional suíça Novartis, que planeja erguer uma fábrica de vacina em Pernambuco, negocia financiamento do banco. O BNDES não comenta projetos que ainda não foram formalizados.

Anunciada em abril como o primeiro laboratório nacional que investirá na produção de medicamentos biológicos e biossimilares, a BioNovis, cujos acionistas são as farmacêuticas Aché, EMS, Hypermarcas e União Química, está em discussão de como será o modelo de financiamento da companhia. Os atuais acionistas fizeram aporte de R$ 200 milhões na BioNovis e devem investir até R$ 300 milhões para construir um laboratório e um centro de pesquisa e desenvolvimento, afirmou Odnir Finotti, presidente da companhia. A entrada do BNDES e como o banco participará desse projeto está em discussão.

Ainda em estágio menos avançado, o outro “superlaboratório”, cujos sócios são as nacionais Eurofarma, Cristália, Biolab e Libbs, também vai recorrer ao banco para colocar seu projeto em andamento (ver matéria abaixo).

 

A multinacional suíça Novartis deverá tirar do papel este ano o projeto de construção de sua fábrica de vacinas no país, em Pernambuco, orçado em US$ 500 milhões. As obras estão na fase de terraplenagem. A unidade deverá ser erguida a partir de setembro, afirmou uma fonte. O BNDES deverá financiar parte desse projeto, que prevê a produção de vacinas para meningite B. Nessa fábrica serão produzidas três proteínas recombinantes, que vão exportadas para a Europa.

A carteira do Profarma até o abril totalizava R$ 3,596 bilhões, dos quais R$ 2,097 bilhões já estavam comprometidos com financiamentos para o setor. Em 2011, pela primeira vez desde que o programa foi criado, os projetos de inovação ultrapassaram os de produção (estímulo de expansão de unidades, por exemplo). No ano passado, os desembolsos para inovação ficaram em 50% do total, enquanto os de produção ficaram em 39% (ver quadro acima).

Pedro Palmeira, chefe do departamento de produtos intermediários químicos e farmacêuticos do BNDES, acredita que os projetos de inovação tendem a despontar mais nos próximos anos. Segundo ele, as empresas nacionais estão começando a direcionar seus investimentos para biotecnologia. “No início do programa, as demandas eram mais voltadas para adequação das fábricas existentes, por exemplo.”

As multinacionais farmacêuticas também começaram a encaminhar projetos para serem financiados pelo BNDES, afirmou João Paulo Pieroni, gerente do departamento de produtos intermediários químicos e farmacêuticos do banco. Do total desembolsado pelo banco para o setor, apenas 15% dos recursos vão companhias estrangeiras.

Fonte: Valor Econômico

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