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Falta qualificação profissional pode afetar crescimento do setor de TI, diz dirigente

Nos próximos quatro anos, cerca de 100 mil novos postos de trabalho na área de tecnologia da informação devem ser abertos no Brasil, caso o ritmo de crescimento do setor se mantenha. Somente neste ano, a estimativa é que a área de TI registre expansão acima do Produto Interno Bruto (PIB), cuja projeção é de alta de 4% no ano. Essa evolução, porém, expõe uma fragilidade do país – sobram vagas, mas faltam trabalhadores qualificados para preenchê-las.

Para presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS), Luigi Nesse, que também preside o Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo (Seprosp), a entrada de novas empresas no mercado nacional estimula a demanda por profissionais qualificados, mas o país não consegue atender com eficiência, o que pode afetar o crescimento do setor. Ele alerta para o fato de que já começa a faltar mão de obra qualificada não apenas na área de TI, como também nas áreas de telemarketing e teleatendimento.

E esse déficit, segundo o presidente da CNS, poderá crescer ainda mais. Em razão disso, defende medidas de desoneração na folha de pagamento das empresas. “Há, sem dúvida, a necessidade de que o governo desonere o peso da mão de obra na folha de pagamento das empresas, o que poderá aumentar ainda mais a empregabilidade no setor. Nós já estamos trabalhando com o governo, que está empenhado neste sentido. Parece-me que nos próximos dias a presidenta Dilma (Rousseff) vai anunciar alguma coisa”, disse ele à Agência Brasil, ao comentar a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada na terça-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor de tecnologia da informação, ao lado de atividades de teleatendimento e telemarketing, estão inseridos na área de serviço da informação, que responde por 5% do faturamento nacional do setor de serviços. O estudo mais recente sobre essa área é de 2004, o qual aponta que ela emprega 1,4 milhão de pessoas, ou 3,8% da mão de obra do setor de serviços. Nesse esclarece, no entanto, que o último orçamento do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) para a qualificação profissional de todas as áreas econômicas – o que inclui serviços, indústria e agricultura – foi de R$ 220 mil, diante de um pedido inicial de R$ 1,2 bilhão. “É um valor muito baixo em relação aos outros investimentos”, afirma o dirigente setorial, ao antecipar que para o próximo ano orçamento necessário será de R$ 1,4 bilhão.

Nesse atribui à entrada de empresas no mercado de TI como a principal impulsionadora da busca por profissionais qualificados. Ele diz que algumas iniciativas do setor privado procuram preenchem as lacunas existentes, mas ainda são insuficientes para atender às necessidades desse mercado. O dirigente cita como exemplo um projeto piloto do Seprosp realizado no ano passado, no qual investiu R$ 500 mil para formação de mão de obra qualificada. “Mas é insuficiente para atender a demanda de 30 mil a 40 mil profissionais de TI no estado de São Paulo”, reconhece ele.

Fonte: TI Inside

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