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Falta de mão de obra em TI pode gerar perdas de R$ 115 bi até 2012

A escassez de mão de obra no setor de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil pode fazer com que o país deixe de arrecadar R$ 115 bilhões em receitas até 2020. O dado foi divulgado no início de setembro, durante a abertura do evento Rio Info, por Virgínia Duarte, gerente do Observatório Softex.

Também a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) tem números preocupantes sobre a falta de profissionais no setor. Segundo a organização, em 2014, o Brasil vai precisar de 78 mil novos profissionais, mas apenas 33 mil terão formação na área.

Por si só, esses dados já deixam de cabelos em pé executivos responsáveis pela contratação e retenção de talentos em TI. A preocupação vai além, no entanto, quando se constata que o problema envolve mais do que uma deficiência quantitativa, mas também qualitativa. Segundo os especialistas, falta qualificação, especialização e fluência em um idioma estrangeiro.

No estado de São Paulo, o déficit de mão de obra em TI é um dos mais agravantes. Em 2010, a demanda paulista foi de 14 mil profissionais, mas as universidades formaram apenas 10 mil estudantes.

De fato, o problema é evidente em empresas como a Truetech, especializada na distribuição de conteúdo digital. Marcelo Spinassé, CEO e cofundador da Truetech, afirma que tem tido muita dificuldade de contratação. Ele afirma que, embora as universidades estejam formando menos profissionais do que o mercado demanda, a questão é mais séria. “Falta mesmo é profissional experiente. Desenvolvimento só se aprende na prática. É fazendo que se aprende a lidar com problemas”, assegura.

O executivo conta que é difícil até mesmo criar a oportunidade de fazer a entrevista. Segundo ele, apenas 20% dos currículos selecionados são convertidos em entrevistas com os candidatos. Isso porque a maioria dos profissionais já está trabalhando em algum projeto. “O pessoal de desenvolvimento tem uma espécie de código de ética que não lhes permite deixar um projeto antes de finalizá-lo”, revela o Spinassé. “Se ele sai no meio do projeto, o programador que assume tem que começar do zero”, explica.

Mas o problema maior vem depois: dos candidatos que aparecem para a entrevista, apenas 10% são de fato sêniores. “Eles se vendem como sendo profissionais muito mais experientes do que realmente são”, reclama o executivo da Truetech. Muitas vezes eles já fizeram algum curso em determinada linguagem, mas não têm nenhuma experiência prática com ela. “Uma tarefa que um sênior faz em quatro horas, o pleno faz em uma semana e o júnior leva um mês. Com nível de qualidade diferente na programação”, afirma Spinassé. Isso inviabiliza a contratação desse profissional para um projeto urgente ou com prazo reduzido, por exemplo.

A alternativa que a Truetech tem encontrado é contratar um profissional pleno e treiná-lo para se tornar um sênior. Em alguns casos, a empresa tem contratado especialista em uma linguagem mais ampla e treinando-o para trabalhar com linguagens específicas. “Mas isso só é possível quando se tem tempo”, destaca Spinassé.

O executivo lamenta que a empresa tenha recusado projetos recentemente por falta de profissionais. “Às vezes levamos meses para encontrar um profissional qualificado. E aí acabamos tendo de recusar novos contratos”, afirma. Ele acrescenta que se as universidades não fizerem algo para formar profissionais mais capacitados em questões práticas, o mercado terá um grande problema. Para os profissionais no mercado, Spinassé deixa o conselho: “é um erro achar que sabe tudo. Desenvolvimento é um aprendizado contínuo.”

A Truetech tem hoje vagas recorrentes para profissionais sêniores em .NET, tecnologias Microsoft, iOS e Android. “Ficamos quatro meses para encontrar alguém que dominasse .NET e até agora não encontramos profissionais para iOS e Android”, afirma.

Fonte: IT Careers – Convergência Digital

 

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