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Excel mostra em tempo real resultados de projetos mão na massa

Ao longo da trajetória escolar, muitos são os livros que tratam da preservação do meio ambiente, das nascentes e dos cursos de rios, especialmente depois que grandes cidades brasileiras passaram a viver a ameaça de desabastecimento de água. Só que entre o que o livro diz e a possibilidade de mudar o comportamento dos alunos, sempre falta algo.

Na última Bett Educar, evento de educação que aconteceu no começo de maio, em São Paulo (SP), a Microsoft apresentou um novo projeto chamado Hacking STEM (“hackeando as ciências”, em tradução livre), que leva contexto às explicações teóricas das aulas de ciências e matemáticas. Isso acontece através do Excel, o programa muitas vezes visto como um patinho feio que até acerta contas e faz gráficos, mas demanda conhecimento avançado para lidar com planilhas.

No Hacking STEM, o computador rodando o editor de planilhas é conectado a uma plaquinha Arduino e o aluno, sempre com o apoio do professor, consegue montar projetos mão na massa, como o que estuda o impacto da ação humana na qualidade da água. Nesse experimento, primeiro é necessário um esforço para programar e calibrar os sensores ligados ao Arduino e ter resultados consistentes, característica de qualquer trabalho científico, segundo explica Todd Beard, professor de tecnologia por mais de oito anos em Flint (Michigan, EUA), que hoje viaja o mundo promovendo a iniciativa da Microsoft.

Na demonstração que o Porvir acompanhou, Beard usou amostras de água de torneiras e do bebedouro do São Paulo Expo, além de uma poça de água. Processo semelhante foi feito com seus próprios alunos na International Academy, escola onde lecionou. No caso de seus alunos, a conexão com o mundo real era clara. Afetada por problemas financeiros, a cidade deixou de usar o sistema de abastecimento de Detroit (a 90 km de distância) e passou a bombear água do rio Flint. A água acabou corroendo as velhas tubulações, que começaram a liberar chumbo e contaminar a fonte de abastecimento da população em uma crise que se mantém até hoje.

A água disponível na Bett Educar, felizmente, estava em nível “adequado” para o consumo, mas ainda assim, segundo as medições, registrava pureza inferior àquela encontrada perto de nascentes ou em montanhas, segundo classificação da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Será que isso já renderia uma grande discussão em sala de aula, ou não? “Estamos tentando fazer com que crianças aprendam a fazer previsões com base em dados. Ao olhar os resultados coletados, elas podem comparar suas próprias medições com planilhas reais de 2 mil pontos nos Estados Unidos (educadores brasileiros também podem obter dados junto a órgãos ambientais por conta própria)”, diz Beard.

Para o educador, tudo é parte de uma jornada de descobertas que usa o Excel como meio para transmissão de dados em tempo real e visualizações que permitem aos estudantes ter acesso a uma aprendizagem mão na massa. “Os alunos aprendem como funcionam as ferramentas e sensores, enquanto professores têm à disposição rubricas com os resultados esperados”, diz. “Não nos importa que professores desejem alterar esses projetos por conta própria. Estamos assumindo isso como um ponto de partida para que não precisem recriar a roda”.

As opções de projetos presentes na biblioteca do Hacking STEM incluem ainda uma atividade que aplica o famoso teorema de Pitágoras para estudar o relevo, outra que construção de uma mão robótica ou pista de carrinhos cheia de sensores para medir velocidade. O preço dos materiais básicos geralmente fica entre R$ 5 e R$ 15 por aluno.

Experiência nos EUA e no México

De acordo com a Microsoft, o Brasil é o terceiro país a receber o projeto Hacking STEM, depois dos EUA e do México. Mesmo em solo americano, pode se dizer que ainda está nos primeiros passos. “Temos dois ou três distritos escolares fazendo pilotos nos Estados Unidos e agora estamos tentando ganhar escala”, diz Ankur Anand, diretor responsável pelo programa.

No México, a empresa fez uma parceria com o Ministério da Educação e logo percebeu que precisaria rever os esforços para chamar a atenção da comunidade de educadores. “O governo queria sete estados no Hacking STEM e nos perguntamos como isso seria possível. Então formamos 120 professores de escolas públicas para atuarem como multiplicadores durante dois dias na Cidade do México e cada um deles agora pode capacitar outros 25. E esses cursos estão acontecendo agora”, descreve Anand.

“Aqui queremos repetir essa estratégia de parceria com o governo federal, estados e municípios para formar professores e dar força ao movimento”, disse o executivo da Microsoft. “Nosso objetivo é empoderar professores, mas encontramos desafios tanto do lado da demanda quanto da oferta. Quando professores estão bem formados, demandam mais. Por outro lado, e devemos atuar para que esses componentes cheguem até os professores e alunos. Acabamos de traduzir o site para o Português e em breve vamos ter links de varejistas locais (nos EUA, a planilha de itens direciona para a Amazon)”.

Entre as primeiras secretarias a adotar o Hacking STEM no Brasil está a de Brasília (DF), que assinou contrato durante a Bett Educar.

Veja abaixo vídeo com projeto Hacking STEM (clique na engrenagem para traduzir legendas para o português)

Fonte: Porvir.org

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