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EUA querem importar mais estudantes contra a crise

A educação é a mais nova arma do governo americano contra a crise. Com uma receita de US$ 21 bilhões gerada por estudantes estrangeiros no país no ano acadêmico de 2010-2011, os EUA já incluíram o setor entre seus dez principais “serviços de exportação”.

“Educação é um dos nossos produtos de exportação mais importantes. Temos um ambiente acadêmico de ponta, várias boas faculdades e universidades, e estamos muito satisfeitos em oferecer isso ao mundo”, disse à Folha o subsecretário de Comércio Francisco Sanchez, em São Paulo.

Escolhido pelo governo americano para promover nesta semana as universidades do país na Feira EducationUSA em três cidades brasileiras (Brasília, São Paulo e Rio), Sanchez destaca os impactos dos estudantes estrangeiros na economia americana.

“Cada estudante que vai estudar nos EUA gasta com a instituição, moradia, despesas pessoais. Então, no curto prazo, o impacto é o de deixar dinheiro no nosso país”, afirma. A longo prazo, o resultado, segundo ele, seria um fortalecimento das relações entre os dois países por meio dos estudantes.

Os brasileiros são vistos como um grande potencial a ser explorado. Hoje, pouco mais de 8.700 alunos do país estudam em universidades americanas –o que representa apenas 1,2% dos 723 mil estudantes estrangeiros nos EUA. Na frente do Brasil, estão países como o Nepal e o Vietnã.

Dos US$ 21 bilhões gastos por universitários estrangeiros no país, US$257 milhões vieram de estudantes brasileiros. Mas o governo americano acredita que a cifra pode aumentar.

“O Brasil tem crescido em importância econômica, geopolítica. É um mercado muito importante, e podemos conectá-lo a um importante setor [de educação]”, avalia Sanchez.

Os EUA calculam que 63,4% dos alunos estrangeiros têm seus estudos bancados por eles mesmos ou pela família. Considerando o aumento do poder de compra dos brasileiros, os jovens daqui se tornam ainda mais atraentes.

Segundo um estudo divulgado em julho pela consultoria Bain & Company, um terço das faculdades e universidades americanas enfrentam “problemas financeiros reais”, resultado de um maior endividamento e menos receita –já que, com a crise, as famílias americanas têm encontrado mais dificuldade para mandar seus filhos para a faculdade.

Até a conceituada Harvard divulgou, em seu último balanço, um deficit de US$ 130 milhões no ano fiscal 2010-2011.

BARREIRAS

Uma das apostas para acelerar o envio de brasileiros aos EUA seria o Ciência sem Fronteiras. No entanto, além de o programa –principal bandeira da presidente Dilma Rousseff durante sua viagem a Washington, em abril– caminhar a passos lentos, os estudantes brasileiros têm esbarrado em um obstáculo: o domínio da língua do país de destino.

“Nosso problema não é a falta de vaga, mas de proficiência da língua, porque as próprias universidades não aceitam o aluno com um nível de proficiência menor”, observa o diretor de cooperação institucional do CNPq, Manoel Barral.

Para tentar driblar isso, o governo conseguiu acordar com algumas universidades o envio de futuros alunos para um intensivo do idioma dois meses antes do início do curso.

Até julho, foram implementadas 5.978 bolsas, cerca de 6% das 101 mil bolsas que o governo pretende aplicar em quatro anos. Segundo o CNPq, se forem contadas as “concedidas”, que estão em fase de implementação, o número sobe para 15.796 até agosto.

Das já implementadas, 1.919 foram para cursos em 303 instituições americanas.

Fonte: Folha de São Paulo

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