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Estudante é acusado de baixar mais de 5 mi de artigos acadêmicos

Um aluno da universidade de Harvard, que estava estudando ética, foi acusado de invadir a rede de computadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e roubar quase 5 milhões de artigos acadêmicos.

Aaron Swartz, 24, foi acusado de roubar documentos do Jstor, um serviço popular de pesquisa que oferece cópias digitalizadas de mais de mil jornais acadêmicos e documentos, alguns datados do século 17.

Em uma acusação divulgada na última terça-feira (19), os promotores dizem que Swartz roubou 4,8 milhões de artigos de setembro de 2010 a janeiro, depois de invadir um computador que estava no campus do instituto. Swartz baixou tantos documentos durante um dia no mês de outubro que um dos servidores do Jstor não aguentou a carga, diz a acusação.

Os promotores dizem que Swartz pretendia distribuir os artigos em sites de compartilhamento de arquivos.

O estudante se entregou à polícia na terça-feira (19) e se declarou inocente às acusações como fraude, fraude relacionada a computadores e obtenção ilegal de informações de um computador protegido. Ele foi solto com o pagamento de uma fiança de US$ 100 mil e encara até 35 anos de prisão, se julgado como culpado.

“Roubar é roubar, seja com um computador, seja com um pé-de-cabra”, disse o promotor norte-americano Carmen Ortiz. “É igualmente nocivo à vitima, não importa se você vende o que você roubou ou compartilha com outras pessoas.”

Uma ligação ao advogado de Swartz não foi retornada imediatamente. Ele deve comparecer à Justiça novamente no dia 9 de setembro.

Um representante do Jstor disse na terça-feira (19) que Swartz concordou em devolver todos os artigos, para que a empresa possa garantir que eles não sejam distribuídos.

“Nós não somos donos desse conteúdo. Nós somos responsáveis pela administração deles e trabalhamos duro para descobrir o que estava acontecendo. Trabalhamos duro para conseguir esses dados de volta.”, disse a representante da empresa, Heidi McGregor.

Swartz é um ativista on-line que fundou o site Demand Progress, que afirma que “trabalha para ter mudanças progressivas nas políticas.”

O site descreve Swartz como o “autor de um grande número de artigos sobre uma variedade de tópicos, especialmente corrupção em grandes instituições, incluindo organizações sem fins lucrativos, a mídia, políticos e a opinião pública”.

O diretor executivo do site, David Segal, disse que as acusações contra Swartz não fazem sentido. “É como colocar alguém na prisão por supostamente checar muitos livros de uma biblioteca”, disse.

Um representante da universidade de Harvard disse que o acusado foi colocado em uma licença de dez meses depois que a entidade descobriu a investigação.

Swartz tinha acesso legítimo ao Jstor por meio de seus estudos em Harvard, mas a companhia tem restrições para uso que previnem um número tão grande de downloads.

A organização sem fins lucrativos Jstor, fundada em 1995, permite que bibliotecas economizem espaço, tempo e trabalho ao armazenar digitalmente séculos de publicações acadêmicas. Sua assinatura anual pode custar a uma grande universidade algo como US$ 50 mil.

De acordo com a acusação, Swartz conectou um laptop ao sistema do MIT em novembro de 2010 e se registrou sob um nome fictício. Então, ele usou um software para “baixar rapidamente um grande volume de artigos do Jstor”.

Nos meses seguintes, o MIT e a Jstor tentaram bloquar os recorrentes downloads, chegando a negar acesso ao Jstor a todos os usuários do MIT. Mas Swartz supostamente desviou das barreiras impostas.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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