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Entrevista com Zeferino Perin, presidente da Fundação Araucária (PR)

Presidente da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná há sete meses, Zeferino Perin é filósofo, com doutorado em Desenvolvimento Econômico e Social pela Universidade de Sorbonne, Paris. É professor adjunto e coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Paraná, e consultor na área de Desenvolvimento Regional e Gestão Universitária junto aos Ministérios da Integração Nacional (MI) e da Educação (MEC). É também consultor em organizações governamentais dos três Estados do Sul, universidades públicas e comunitárias e organizações sociais. Vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Fundação tem, entre outros objetivos, amparar a formação de recursos humanos do Estado do Paraná. Na entrevista a seguir, o presidente destaca as linhas de atuação da instituição que comemora dez anos de atuação.

Na década de 80 surgiram as primeiras iniciativas, na Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação, em relação às políticas de apoio à Ciência e Tecnologia no Paraná. Como isso aconteceu?

É preciso registrar inicialmente a criação de estruturas institucionais para a geração de Ciência e Tecnologia: UFPR (Universidade Estadual do Paraná), Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) e o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná). A partir da década de 70, contamos também com o sistema estadual de Ensino Superior, com a criação das primeiras universidades: UEM, UEL e UEPG. Na década de 80, há o esforço para o que chamamos de verticalização do Ensino Superior nas universidades estaduais com a implantação dos cursos de mestrado e doutorado possibilitando, o desenvolvimento da pesquisa e em decorrência, da ciência e da tecnologia e inovação, somando-se ao esforço já mais antigo da UFPR. Outras instituições de ensino privadas, especialmente a PUC (Pontifícia Universidade Católica-PR), merecem o destaque nesta área. Nessa década é que o Paraná começa desenvolver concretamente políticas de fomento, ainda que de forma modesta mediante a criação de um programa específico para esta finalidade vinculado à Secretaria de Planejamento.

Houve algum outro momento decisivo?

Sim. No contexto das lutas pela democratização do país a elaboração e promulgação da Constituição Federal e da Constituição Estadual. Posteriormente a Legislação complementar, a organização do sistema de C&T a ela vinculada, a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. A Constituição Federal destinou um capítulo específico sobre C&T, facultando aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica. A constituição do Estado do Paraná prosseguiu nesta direção incluindo em seu texto o artigo 205 segundo o qual, 2% da receita líquida do Estado devem ser aplicados em Ciência e Tecnologia. Com base neste dispositivo constitucional foi criado o Fundo Paraná com a finalidade de gerir esses 2%. A legislação complementar estabeleceu os parâmetros para a gestão desses recursos. Uma das instituições criada para gerir uma parcela do Fundo é a Fundação Araucária. Assim, a fundação surge para ser a gestora desses 30% de 1% das receitas tributárias do Estado visando ao fomento da ciência e tecnologia e inovação. Ao longo dos dez anos houve o alinhamento estratégico da entidade definindo as linhas de atuação e os programas da instituição.

A Fundação Araucária atua como instrumento de governança no sistema da ciência, tecnologia e inovação do Estado. De que forma isso acontece?

Na linha da governança ela é uma instituição que se dedica ao fomento da Ciência e Tecnologia no Estado do Paraná. Em função do fomento desenvolveu e desenvolve, cada vez mais, parcerias com órgãos federais: Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entre outros. Essas parcerias fazem a diferença. Amplia o volume de recursos e aprimora a tecnologia de gestão em ciência e tecnologia que esses parceiros já têm. Na perspectiva da governança é também relevante o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), que a Fundação Araucária integra. O Confap articula as negociações com a área federal. Na ponta da execução dos programas estão as instituições executoras dos projetos.

Nesses dez anos de trabalho da Fundação é possível falar em evolução? Em quais aspectos?

Essas parcerias refletem a evolução pela qual a Fundação Araucária passou.Ninguém faz uma parceria efetiva com uma instituição que não tenha certa estrutura, objetivos claros e credibilidade . A Fundação Araucária com esse universo de parcerias é vista de outra forma. Outro aspecto é a forma adotada para a aprovação dos projetos, o critério do mérito. Assim, a comunidade científica tem certeza de que, quem é contemplado teve mérito para tanto. A transparência contriubui para o controle social e a credibilidade institucional. Todos os programas da Fundação, todos os recursos estão publicados na internet na página da Fundação Araucária.

No evento de comemoração, no dia 19 de novembro, será lançado um Selo Comemorativo. O que mais a programação terá?

Durante o evento, além do selo comemorativo, um conjunto de palestras está programado. O 4º Encontro de Ciência e Tecnologia do Paraná também foi incorporado à programação, incluindo a entrega do 24º Prêmio de Ciência e Tecnologia. Além disso, uma sessão solene de comemoração está prevista com destaque para uma palestra magna proferida por Luiz Antonio Elias, secretário Executivo do Ministério. Teremos também o lançamento de um livro que apresenta referenciais históricos, um balanço dos resultados e a visão estratégica da comunidade científica paranaense sobre os rumos da Ciência ,Tecnologia e Inovação no Paraná. Para finalizar, homenagens serão prestadas a agentes que se destacaram na formulação de políticas, na gestão institucional e na investigação científica. Além de uma apresentação de música erudita.

Como pode ser definida a experiência de estar à frente da Fundação? É possível tirar algumas lições disso?

Procuramos qualificar a “expertise” da Fundação Araucária na governança da Ciência, Tecnolgia e Inovação no Estado do Paraná, tanto nos aspectos estratégicos quanto nos operacionais. Desenvolvemos iniciativas que apoiem a atuação na ponta do conhecimento e a internacionalização de programas institucionais da comunidade acadêmica. Atuamos com a mesma ênfase em programas destinados a reduzir as assimetrias e desigualdades existentes no sistema de ensino superior, buscando alavancar as instituições emergentes. Nesse sentido, apoiamos fortemente a qualificação de docentes em programas de doutorado. Ampliamos o universo de parcerias com Ministérios. Neste ano exploramos muito as oportunidades criadas pelo debate nacional em Ciência, Tecnologia e Inovação para reforçar a visão estratégica, delineando com mais clareza os rumos para o desenvolvimento científico e tecnológico no Paraná. Procuramos também dar mais visibilidade a atuação da Fundação Araucária como estratégia de consolidação institucional e consequentemente de sua linha de ação e programas. Ampliamos a atuação na linha da disseminação científica e tecnológica atendendo a um número maior de parceiros. Para tanto, foi importante a competência dos diretores e funcionários e o bom convívio entre todos. Penso que avançamos muito, pois, ouço, com muita frequência, pessoas que nos procuram para apresentar seus projetos, manifestar sentimentos como esse: “Eu tenho orgulho da Fundação Araucária”. Aonde vou, aonde falo, sinto que as pessoas têm um grande respeito por tudo que a Fundação Araucária representa. O período em que exercemos as responsabilidades inerentes à presidência da Fundação significou uma intensificação do trabalho de semeadura dos campos da ciência paranaense, por isso, cabe-me acrescentar algumas palavras de agradecimento. Contei com o privilégio de servir ao Paraná durante o governo de Orlando Pessuti, um período de renovação administrativa do Estado em que a continuidade das boas obras somou-se a um novo elã, um entusiasmo pela causa republicana que contagiou a todos, também no âmbito das tarefas diárias da Fundação. Com o secretário Nildo Lübke, da Ciência e Tecnologia, mantivemos o entendimento de amigos de longa data,
rejuvenescidos pela fascinante possibilidade de atuar conjuntamente em favor das universidades, dos institutos de pesquisa, de seus pesquisadores, professores e estudantes e, em última instância, da boa gente do Paraná, a quem esperamos se enderecem os eventuais frutos de nosso trabalho. Por este privilégio, sou muito grato.

Em termos de futuro, o que o senhor pode dizer sobre os rumos da C&T para os próximos anos no Paraná?

A última avaliação da Capes revelou que os programas de Pós-graduação no Paraná, de maneira geral, melhoram muito. Entretanto, ainda é necessário um esforço maior para que o Estado se posicione na vanguarda do conhecimento relativamente estados com a mesma expressão do Paraná. O empenho em reduzir assimetrias, no âmbito do sistema de ensino superior e das regiões também é fundamental. O importante é que há clareza em relação aos rumos. Penso que aumenta a consciência sobre o papel que a ciência exerce no desenvolvimento econômico, social e sustentável e, em consequência, cresce também compromisso com a sociedade do conhecimento.

Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná

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