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Energia solar não é viável economicamente no Brasil, diz Ministério

O secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho, afirmou hoje que a energia solar ainda não é viável economicamente. Segundo ele, a resolução aprovada recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permite ao consumidor instalar painéis solares em sua residência e descontar a energia produzida por eles na sua conta de luz, não tem condições de estimular a indústria solar no Brasil, devido ao custo elevado dos equipamentos.

“O Brasil tem opções mais baratas do que a energia solar. [A resolução] não vai trazer indústrias e a tecnologia para cá. A viabilidade econômica não se justifica. Seremos meros importadores de painéis solares da China”, afirmou o secretário, durante o seminário “Setor Elétrico Brasileiro e Sustentabilidade”, evento paralelo da Rio+20, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, o consumidor que quiser instalar esse tipo de equipamento em sua casa terá um gasto entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no entanto, existem hoje regiões no país em que a energia solar já é economicamente viável. Neste mês, a estatal entregou ao ministério um estudo relacionado ao tema.

Belo Monte

O seminário reuniu dois importantes protagonistas relacionados à usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, no Pará: o próprio secretário do ministério, tradicional defensor do projeto, e Felício Pontes, procurador do Ministério Público Federal no Pará, crítico ferrenho do empreendimento.

Segundo Pontes, o governo deveria repensar o modelo de desenvolvimento energético baseado na hidroeletricidade. “Devemos repensar esse modelo […] de que 75% da energia produzida vem da água. E o governo quer aumentar para mais de 80%. Lembro que o apagão [em novembro de 2009] ocorreu porque toda a geração estava baseada na energia hídrica. […] Energia hidrelétrica é suja e cara”, afirmou.

O procurador disse que, apesar de o desmatamento direto provocado por Belo Monte ser de 500 km², o desmatamento indireto será de 5,3 mil km². “Esse dado é importantíssimo porque quebra o discurso do governo de que o desmatamento será pequeno […] Esse desmatamento indireto só será evitado se houver fiscalização ativa. Vamos ter isso?”

Segundo o secretário do MME, Belo Monte é uma usina “pequena” considerando todo o contexto brasileiro. “É uma usina a fio d’água [sem reservatório de acumulação], com um lago pequeno e longe da zona urbana”, disse.

Fonte: Valor Econômico

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