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Empreendedor vive bom momento para investir em inovação

Tirar ideias do papel e colocá-las em prática ainda são um desafio no Brasil, mas o cenário nunca foi tão promissor para as PME’s; distância entre academia e mercado, porém, ainda é um obstáculo

Formado em química, com mestrado e doutorado dedicados ao estudo dos polímeros –macromoléculas, muito comuns na indústria do plástico, formadas pela repetição de pequenas e simples unidades químicas –, o carioca Fabio Barcia, de 40 anos, passou boa parte da vida acadêmica fazendo experimentos. Durante esse período, nunca abandonou o sonho de um dia usar seu conhecimento a favor da indústria. Em suas pesquisas de modificação de resinas epóxi, Barcia conseguiu desenvolver um superadesivo capaz de suportar as altas temperaturas das caldeiras siderúrgicas e resistir às condições adversas do fundo do mar. “Tirar minha invenção do laboratório foi uma enorme conquista”, diz Barcia. Hoje, ele é dono da Polinova, empresa especializada em revestimentos e adesivos de alta tecnologia que atende clientes como Gerdau, Votorantim e Petrobras. O faturamento previsto para este ano é de 400 000 reais, mais que o dobro de 2011.

Em 2011, o total de recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento alcançou 1,2% do PIB, ou algo próximo a 48 bilhões de reais. A meta é que, em 2014, o montante chegue a 1,8% do PIB, segundo estimativa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). É um porcentual parecido com o de nações com alto grau de inovação. Só que, diferentemente do que acontece nesses países, a metade do dinheiro aqui vem do governo. “Ampliar a participação da iniciativa privada é de extrema importância para o avanço da inovação no país”, diz José Hernani Filho, sócio da Pieracciani, consultoria especializada no segmento. “Do contrário, os recursos ficam presos nas universidades, com menos chances de se transformar em negócios capazes de gerar riqueza.”

Gargalo

Atualmente, 70% dos pesquisadores do país estão na academia e apenas 30% na iniciativa privada, segundo o MCTI. Nos países desenvolvidos, a proporção é inversa. Apoiar pesquisas nas universidades, por si só, não é um problema. Mas um gargalo para a inovação pode surgir quando a distância entre academia e mercado torna-se muito grande – como acontece no Brasil. Para ter acesso a algumas linhas de fomento à pesquisa no país, o interessado precisa necessariamente ter vínculo com uma universidade. Além disso, dizem especialistas, muitos editais são desenhados de maneira a exigir do bolsista apenas produção acadêmica, como artigos científicos. “Em geral, as métricas estão erradas porque incentivam apenas a ciência pura e não a aplicada”, afirma Binder, da Abvcap.

O resultado disso pode ser percebido, entre outras coisas, no baixo número de patentes internacionais conquistadas por brasileiros. Um levantamento recente do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello, que atua na área de propriedade intelectual, mostrou que, segundo estatísticas da Organização Mundial de Propriedade Intelecutal (Ompi), o total de patentes depositadas no exterior por brasileiros representou apenas 0,3% do total em 2011. A participação da China, por exemplo, chega a 7%.

“O maior desafio tem sido aproximar universidade e iniciativa privada e nós sabemos disso”, diz Álvaro Prata, secretário nacional de inovação do MCTI. “Para transformar invenção em inovação, o papel da indústria é muito importante.”
Uma das ações para tentar superar esse gargalo tem sido fomentar o número de incubadoras e parques tecnólogicos ligados às universidades. Nesses locais, empreendedores têm acesso à infraestrutura e ao conhecimento gerados na academia, ao passo que os pesquisadores ganham orientações sobre realidade de mercado e como estruturar um negócio. É uma troca importante, mas ainda pequena diante dos desafios de colocar o país, definitivamente, no caminho da inovação.

Fonte: Veja

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