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Empreendedor de tecnologia não pode “pensar pequeno”, dizem especialistas

Empresários brasileiros do setor de tecnologia tendem a se acomodar depois que seus projetos atingem os primeiros estágios de maturidade, num movimento que compromete o potencial de negócios futuro da companhia.

A constatação foi de especialistas que debateram o empreendedorismo e as lições do Vale do Silício durante a Campus Party, feira de tecnologia e entretenimento que acontece até domingo (23) em São Paulo.

Segundo os palestrantes –empresários de tecnologia e especialistas em empreendedorismo– quando a gestão se acomoda após um período de estabilização do modelo de negócios, a empresa corre o risco de ficar medíocre.

“Os empresários brasileiros precisam parar de pensar pequeno. Muitas vezes empresas atingem R$ 4 milhões em faturamento –o que já é orgulho para quem começou do zero– e se acomodam. Uma empresa desse porte não vai levar a nada”, diz Daniel Heise, presidente da Direct Talk, especializada em tecnologias para o atendimento ao consumidor.

Segundo Heise, é necessário que os empreendedores mapeiem o mercado, cogitem olhar para o concorrente e pensar em fusão, para criar a empresa líder de mercado naquele setor.

“É mais do que comum as pessoas pensarem em recomprar a participação do sócio assim que a empresa crescer. Mas para que? O Zuckerberg, do Facebook, está pensando em recomprar as ações que vendeu para a Microsoft? Claro que não”, afirma.

Para o empresário, o empreendedor das companhias iniciantes, as start-ups, deve enxergá-lo como aliado. “Ele pode até estar ganhando muito dinheiro, mas pode estar interessado em colocar mais recursos na companhia se o negócio der certo”, diz.

METAS

Ludmilla Figueiredo, coordenadora da área de cultura e empreendedora da Endeavor, alerta porém, para que os empreendedores tenham desde o início metas claras de para onde levar o negócio.

“O empresário tem que ter definições muito firmes sobre seus negócios e não aceitar negociações que possam lhe prejudicar. Existem muitos casos no Brasil em que empresários decidiram vender participação para fundos, a empresa cresceu e depois quiseram mudar as regras. Isso não funciona”, resumiu.

Já Marco Perlman, fundador da Digipix, empresa especializada em soluções inovadoras para utilização de imagens digitais, afirma que a busca pelo crescimento com o risco do fracasso não deve ser motivo de vergonha para nenhum empreendedor.

“Com o negócio dando certo, passamos a barreira da vergonha de um empreendimento não ir para frente. Mas infelizmente ainda há o medo do fracasso. O fato de existirem muitas empresas de sucesso em internet e tecnologia ainda não tirou a vergonha existente no mercado de que o projeto dê errado”, afirmou.

A Campus Party acontece até domingo (23) no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A organização espera atrair 6.800 pessoas.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo On-line de 19/01/2011

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