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EMC terá centro de pesquisa no Rio

O petróleo foi o gás que faltava para atrair ao Brasil, especialmente para o Rio, o polo de pesquisas na América Latina da EMC Corporation. A empresa pretende investir US$ 100 milhões, em cinco anos, para reforçar o segmento de pesquisa e desenvolvimento no país.Semana passada, a EMC disputou e ganhou uma das últimas três áreas disponíveis no Parque Tecnológico, do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já está com nove grandes multinacionais e mais de 20 pequenas empresas incubadas, a EMC será ali a única do setor de tecnologia da informação (TI).

A previsão da companhia é começar a operar o centro de pesquisas até o início de 2012. Já na próxima semana, o escritório da EMC no prédio RB1, no centro do Rio, vai se tornar uma espécie de “quartel general” da companhia para a seleção de 50 especialistas. Serão recrutados mestres e doutores.

Além dos Estados Unidos, a EMC tem centro de pesquisas na Índia, China, Rússia e Israel. Cada um tem um foco, como computação na nuvem, bases de dados, gestão de conteúdo e segurança, respectivamente. Na computação em nuvem, aplicativos de software rodam em equipamentos remotos via internet. O Brasil será o primeiro na América do Sul e o único voltado para a área de petróleo, diz o principal executivo da área de operações da companhia, Pat Gelsinger.

“Vamos descobrir novas maneiras de extrair o valor máximo dos dados gerados pela indústria de petróleo e gás”, afirma ele.

Outros setores de pesquisas também serão contemplados. O mundo da computação na nuvem entra como destaque, mas também serão desenvolvidas soluções para as áreas de saúde como processamento em radiologia, redes sociais, sistemas inteligentes e aplicações em energia elétrica.

Com faturamento de US$ 17 bilhões em 2010, a EMC nasceu em 1979, voltada para o armazenamento de grandes volumes de dados. Ao longo dos anos foi renovando a estratégia, comprando empresas com diferentes perfis – “cerca de 60”, diz Gelsinger. Hoje, um de seus focos é a chamada computação na nuvem e 60% do faturamento da companhia é com software e serviços.

Ontem, Gelsinger e outros executivos da EMC, após um café da manhã com o governador Sergio Cabral, sobrevoaram de helicóptero o Rio de Janeiro e a área do Parque Tecnológico. Gostaram do que viram: “Vai bastar abrir uma porta para a gente estar no Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras)”, diz, sorrindo, Brian Gallagher, presidente da divisão de armazenamento de dados para empresas da EMC. Ele será um dos gestores do centro e na sua agenda estão previstas muitas visitas à cidade.

A brasileira Patricia Florissi, vice-presidente para as Américas e radicada nos EUA, explica que o contrato prevê financiamento de pesquisas na UFRJ e também serão realizadas parcerias com o Instituto de Matemática Aplicada (INPA) e o próprio Cenpes.

Patricia lembra que a área geofísica exige alta capacidade de processamento. E as pesquisas serão voltadas, especialmente, para aquisição, análise, colaboração e visualização de dados sísmicos. O plano é formar, inicialmente, um centro de pesquisas aplicadas, laboratórios de soluções, além de local para estudos e tutoriais sobre tecnologia e TI.

O diretor-presidente da EMC no Brasil, Carlos Cunha, informa que a companhia, que atua no país desde 1997, começou muito focada em clientes no setor de telecomunicações, mas foi crescendo e hoje atende a área financeira, de petróleo (a Petrobras já é cliente) e o setor público.

Circula na empresa o significado do nome EMC, aliás EMC2. A letra “E” refere-se a Richard Egan, um dos fundadores que morreu em 2009. O “M” é o de Roger Marino, outro fundador que se aposentou em 1992 mas, multimilionário, ficou buscando e vendendo empresas emergentes. O “C” ninguém conta quem é. Mas teria sido uma pessoa que não acreditou no negócio e decidiu sair para abrir um restaurante na Califórnia. Já o número 2 é de dois “Cs”, o mantido em segredo e o C de Corporation.
Fonte: Valor Econômico

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