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Embrapii aumenta investimentos em inovação neste ano

O volume de recursos investidos em projetos de inovação em parceria com a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) cresceu 128,5% neste ano, (considerando os contratos fechados até o final de novembro de 2017 e os 12 meses de 2016).

A instituição, que oferece recursos a fundo perdido, participou de projetos com valor total de R$ 320 milhões neste ano (cerca de R$ 106 milhões de seu próprio caixa). Em 2016, o valor total dos projetos somou R$ 142 milhões.

Neste ano, foram apoiados 207 novos projetos, contra 89 ao longo do ano passado.

O movimento é contrário ao verificado em outras importantes fontes de financiamento voltadas para o fomento da inovação. No BNDES, por exemplo, houve queda de 32% nos financiamentos para esse fim entre janeiro e outubro deste ano, foram desembolsados R$ 1,7 bilhões.

O banco atribui a queda a uma redução de 25% na demanda e destaca o lançamento de alternativas para investir R$ 80 milhões em start-ups anunciadas neste ano.

No modelo de apoio à inovação adotado pela Embrapii, as empresas que possuem um projeto avaliado como inovador devem se associar a um entre 42 centros de pesquisa e desenvolvimento que foram credenciados pela organização.

Esses centros avaliam os projetos, analisando questões como viabilidade técnica e interesse do mercado.

Caso aprovados, os gastos para seu desenvolvimento são divididos em três partes.

A empresa fica responsável por um terço dos investimentos, a Embrapiide por terço, e o centro de pesquisa do restante (incluindo gastos com mão de obra e equipamentos).

Jorge Guimarães, presidente da Embrapii, afirma que, durante a crise, companhias estão vendo no modelo de parceria proposto pela organização uma forma viável de investir em inovação.

Segundo ele, o apoio com recursos financeiros e pessoal permite diminuir os altos riscos de insucesso no desenvolvimento de técnicas, produtos e serviços.

Os recursos da Embrapii são oriundos do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ministério da Educação.

FÔLEGO

Maristone Junior, presidente da start-up Salvus, que desenvolve sistemas de internet das coisas para equipamentos médicos, fechou contrato para investimentos de R$ 500 mil com apoio da Embrapii no meio deste ano.

Segundo ele, a parceria garantiu a sobrevivência e o avanço do projeto.

O projeto, aprimoramento de sistema para medir a quantidade de oxigênio presente em equipamentos medicinais que envia informações para companhias de cuidados médicos em domicílio, será desenvolvido no Cesar, centro de pesquisa de Recife.

Além dos recursos vindos da Embrapii, a empresa também conseguiu subsídio de 70% do Sebrae para a parte do desenvolvimento que deveria arcar.

Segundo Junior, o processo para análise do projeto e liberação dos recursos e início dos trabalhos levou cerca de quatro meses, o que ele considera rápido.

“Quando você busca um investidor e as coisas se concretizam de forma positiva, sem ser uma grande perda de tempo e energia, você leva de seis meses a um ano.”

DIVISÃO DE RISCOS

A Nexar (antiga Votorantim Metais) possui 10 projetos com a Embrapii, entre eles iniciativas envolvendo substituição de combustíveis fósseis por renováveis e para utilização de resíduos da mineração.

Rodrigo Gomes, gerente de inovação da empresa, explica que a companhia busca a parceria com a instituição para ter acesso a pesquisadores especializados nos centros de desenvolvimento parceiros.

A empresa prioriza as iniciativas de inovação que considera mais transformadoras para inserir nesse tipo de parceria. Com isso, busca minimizar os riscos de insucesso desses projetos que, em geral, são maiores.

DEMANDA MENOR

O BNDES atribui a diminuição dos financiamentos à inovação a queda da demanda por eles provocada pela recessão econômica, que comprometeu a geração de receita e obrigou as empresas a cortar custos.

Por outro lado, o percentual dos desembolsos para inovação frente ao total feito pelo banco seguiu em patamar estável durante a crise, de cerca de 4%, o que Julio Ramundo, superintendente da área de indústrias de base do banco, diz ser visto como positivo.

Ramondo afirma que, como alternativa, o banco desenvolve modelos de apoio ao desenvolvimento de negócios inovadores que envolvem maior tomada de risco.

Entre eles, o banco anunciou em novembro a criação de um fundo para investir em start-ups em parceria com investidores-anjo e outro com a Finep, para apoiar empresas que estão dentro de incubadoras. Em cada iniciativa, o BNDEs comprometerá R$ 40 milhões.

O BNDES também realiza estudo, junto a consultoria Roland Berger, para encontrar caminhos que permitam ampliar a fatia dos gastos com inovação no orçamento do banco, diz.

Fonte: Folha de São Paulo

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