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Efeito inicial de inseticida enfraquece ‘Aedes’

Depois, no entanto, mosquito fica ainda mais resistente, afirma estudo de pesquisadores do Oswaldo Cruz

Se, por um lado, mosquitos da dengue que adquirem resistência a inseticidas são mais fortes que seus colegas, já que sobrevivem a altas doses do produto, por outro lado, eles têm suas funções fisiológicas prejudicadas. Demoram mais tempo para chegar à fase adulta, têm menor capacidade de acasalar, colocam menos ovos e ingerem menos sangue em uma picada.

A conclusão dos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que fizeram testes em mosquitos coletados em cinco cidades, é que os mosquitos Aedes aegypti pagam um preço alto pela resistência ao inseticida.

O que parece, a princípio, uma boa notícia, já que o fenômeno levaria ao fim do mosquito resistente, não anima os pesquisadores. Eles afirmam que essa seria apenas a primeira fase da resistência. Em um segundo momento, os mosquitos seriam também imunes a esses efeitos deletérios. Ou seja: o uso de inseticidas levaria ao desenvolvimento de um mosquito superforte.

Para se chegar a esse resultado, foram utilizadas duas abordagens. O primeiro grupo de mosquitos, coletados em Natal, recebeu doses de inseticida no laboratório, o que forçou um processo de resistência. Em seguida, suas funções foram avaliadas.

“O que a gente esperava era ter indivíduos cada vez mais resistentes. Mas observamos que a população ficava mais resistente, mas, ao mesmo tempo, muito fraca”, diz o pesquisador Ademir Martins, que desenvolveu o estudo com a estudante Camila Ribeiro e outros pesquisadores dos Laboratórios de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores e de Biologia Molecular de Insetos do IOC/Fiocruz.

No segundo grupo de mosquitos, coletados em Fortaleza, Maceió, Uberaba, Aparecida de Goiânia e Cuiabá, os insetos foram avaliados em seu ambiente natural. Martins relata que, apesar de não ser possível precisar qual é a parcela de insetos resistentes no meio ambiente, a maioria tem essa característica. “É raro encontrar população que não seja resistente.”

Nessa população também foram constatados maior nível de resistência e maior comprometimento fisiológico.

Excessos. De acordo com Martins, o estudo mostra a importância de não utilizar o inseticida como primeira forma de combate aos mosquitos. Ele faz um paralelo com a questão da resistência bacteriana provocada pelo uso de antibióticos. “Se alguém dá um espirro, não vai usar antibiótico. O mesmo cuidado deveria ter com o inseticida.”

Ele acrescenta que o uso doméstico de inseticidas tem contribuído para essa resistência. “Hoje tem um grande problema de condomínios que contratam o carro fumacê para passar todo dia. Existem evidências de que grande parte da resistência se dá pelo uso doméstico.”

Fonte: Estadão

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