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Educação será prioridade para o BIOTA-FAPESP em 2013

Ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes do ensino médio e fundamental, é uma das prioridades do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) em sua segunda década de existência.

As ações que serão colocadas em prática a partir de 2013 para alcançar essa meta foram anunciadas em um encontro que reuniu os integrantes do programa realizado no dia 28 de novembro na sede da FAPESP.

Entre as iniciativas destaca-se um ciclo de conferências gratuitas voltadas a professores e estudantes do ensino médio que será realizado ao longo de todo o ano com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência.

“Desde que foi renovado o apoio da FAPESP ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico”, afirmou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do BIOTA.

A programação prevê nove conferências que, além de apresentar conceitos e valores relativos à área de biodiversidade, abordarão de forma aprofundada cada um dos biomas brasileiros.

“Vamos apresentar o estado da arte sobre biodiversidade em linguagem acessível a um público heterogêneo”, disse Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara e membro da coordenação do programa.

As palestras serão gravadas e o conteúdo ficará disponível no portal do BIOTA e no portal da FAPESP, assim como outros textos e recursos didáticos que possam ser usados em aulas, pesquisas e trabalhos de grupo.

Ainda com o intuito de transferir conhecimento a um público cada vez mais amplo, Joly contou que a coordenação do programa planeja organizar exposições e ampliar a participação em redes sociais como Twitter e Facebook.

“Acreditamos que podemos contribuir para criar uma nova mentalidade sobre a importância da ciência para os jovens. Como cientistas, temos também a missão de motivar crianças e adolescentes a ver o conhecimento científico não como uma obrigação curricular, mas como instrumento fascinante de descoberta do mundo em que vivem”, disse Bolzani.

Chamada de propostas

Também foi apresentada durante o encontro – pela professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Martha Marandino e por Érica Speglich, professora substituta da Unesp Rio Claro e integrante do Curso de Ensino de Ciências da Rede de Formação Docente da USP – uma proposta de edital para a chamada de pesquisas sobre educação e biodiversidade que deverá ser anunciada no início de 2013.

O objetivo é estimular o desenvolvimento de projetos em educação e comunicação que dialoguem com a base de dados do BIOTA.

Outras duas chamadas de propostas devem ser anunciadas no próximo ano, segundo informou Joly. Uma delas será em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e deve trabalhar com cenários de conservação da biodiversidade em áreas prioritárias para as próximas décadas.

“Foi uma demanda da secretaria para planejar o desenvolvimento do Estado considerando os impactos da expansão das cidades, da rede de infraestruturas – especialmente estradas, dutos e linhas de transmissão – e do agrobusiness sobre áreas consideradas prioritárias para conservação”, contou Joly.

A outra chamada ocorrerá em parceria com um projeto financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) para restaurar a biodiversidade e os estoques de carbono na Bacia do Rio Paraíba do Sul.

“Idealmente, gostaríamos de reconectar a Serra do Mar com a Serra da Mantiqueira, restabelecendo importantes corredores biológicos. Isto será feito de forma a também aumentar a estabilidade de encostas, reduzindo o risco de deslizamentos, proteger nascentes e cursos d’ água, aumentado a disponibilidade e melhorando a qualidade dos recursos hídricos, que são a fonte de abastecimento não só das cidades do Vale do Paraíba como também do Rio de Janeiro”, afirmou Joly.

Para o coordenador, projetos voltados à restauração de áreas tão amplas como a Bacia do Rio Paraíba do Sul podem ser um “laboratório fantástico” para os pesquisadores do BIOTA.

“Já sabemos bastante sobre restauração da vegetação nativa, mas muito pouco sobre reintrodução de fauna. É preciso avançar também no estudo da valoração de serviços ecossistêmicos, até para embasar políticas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Portanto, há um amplo conjunto de questões de pesquisa associadas a esse projeto do GEF”, avaliou.

Em sua apresentação, Joly mostrou o formato do novo portal do BIOTA, que deverá ser lançado ainda em dezembro.

“O portal é importante porque o programa tem uma comunidade de pesquisadores muito grande. Já tivemos 125 auxílios à pesquisa concluídos e 81 estão em andamento. Há 117 bolsas vigentes e mais de 800 concluídas”, disse.

Além de integrar pesquisadores e projetos, acrescentou Joly, o novo portal também tem a proposta de se tornar uma fonte de informação segura e acessível sobre biodiversidade para toda a sociedade.

Em relação à revista BIOTA Neotrópica, a meta é aumentar o fator de impacto – atualmente de 0,53 – ampliando a participação de pesquisadores do exterior na comissão editorial, e aumentando o número de citações dos trabalhos publicados.

“A tendência é o aumento no número de citações após a indexação na base do ISI [Thomson Reuters Web of Knowledge], que ocorreu este ano. Isso será fantástico em termos de visibilidade, mas vai ficar mais difícil publicar números especiais”, disse Joly.

João Meidanis, professor da Unicamp e diretor da Scylla Informática, apresentou as novas ferramentas do Sistema de Informações do Programa Biota-FAPESP (SinBiota2.0), que ganhou interface mais moderna, um mapa interativo de todo o globo e novos recursos para facilitar a inclusão de dados pelos pesquisadores.

Na abertura do encontro, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirmou que o BIOTA é um dos programas mais bem-sucedidos da Fundação não apenas em produzir pesquisa de alta qualidade como também em fazer com que seus resultados tenham impacto na sociedade.

“Quando a ciência é bem feita, nunca acaba. Sempre surgem novas possibilidades e problemas a serem resolvidos. Após os primeiros dez anos, o BIOTA encontrou novos interesses e ganhou vitalidade”, avaliou.

Fonte: Fapesp

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