Notícias

É preciso elevar gasto com inovação, diz ministro da Ciência e Tecnologia

Para acelerar a taxa de inovação e ampliar a competitividade da indústria, o Brasil precisa atrair projetos que garantam como contrapartida investimentos em pesquisa e desenvolvimento. “Não dá para ceder incentivo fiscal sem esse retorno. Temos condições de exigir mais de quem quer investir no país”, declarou Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, durante a cerimônia de abertura da 11ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que termina amanhã em Fortaleza.
A estratégia é fundamental para que o Brasil avance na produção de valor agregado, deixando de ser uma economia com forte base nas commodities. Entre os exemplos, Mercadante avalia a cadeia produtiva do petróleo e chama a exploração em águas profundas de “nosso sputnik”, em alusão à declaração que presidente americano Barack Obama fez sobre a importância do programa espacial para a economia dos Estados Unidos.
No Brasil, o desafio está em criar uma cadeia produtiva capaz de atender às demandas tecnológicas do pré-sal. Quanto maior o índice de nacionalização, maiores serão os impactos da exploração em toda a economia, criando empregos e gerando riquezas para o país.
A decisão, segundo ele, é se agiremos como a Venezuela, que não deve deixar uma boa herança para o futuro, ou a Noruega, cuja estratégia para a exploração de petróleo e gás garantiu desenvolvimento econômico e social. “É a nossa poupança para o futuro”.
O ministro comentou ainda suas preocupações em relação à proposta para a divisão dos royalties do pré-sal. Com o projeto que está em avaliação, o fundo setorial, que garante os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, perderá em torno de R$ 12 bilhões até 2020, nas contas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O cálculo tem base no potencial das reservas.
De acordo com Mercadante, o Brasil já possui 20 bilhões de barris certificados, com potencial de ultrapassar os 40 bilhões. A um preço médio de US$ 120 o barril, o total da produção alcançará o patamar de US$ 5 trilhões. “Parte dos lucros tem de ser investida em educação, ciência, tecnologia e inovação. Não temos o direito de repetir o erro de muitas nações petrolíferas”, diz.
No encontro, organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o ministro conclamou os empresários a ampliar os aportes em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil investe cerca de 1,19% do PIB em atividades para criação de novos produtos e mais da metade desse orçamento vem do poder público. No Japão, o total alcança 3,44% do PIB, a maior parte com dinheiro da iniciativa privada. O mesmo se repete nos Estados Unidos e na Europa. “A meta é criar uma cultura empresarial inovadora, para que o salto tecnológico aconteça”, afirma.
Para os representantes das empresas, o governo também precisa apostar mais, dividindo os riscos e criando instrumentos mais eficientes para financiar as atividades de pesquisa e desenvolvimento. “A política econômica tem de ser direcionada para a inovação. É preciso ousadia para avançar”, afirma Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Anpei.
Para Calmanovici, nos encontramos diante de um cenário perigoso: muito à frente de países pouco desenvolvidos na questão da inovação, mas nos descolando de forma perigosa dos outros emergentes, como China e Índia. “Para sermos eficientes, temos de pensar em projetos que envolvam as cadeias produtivas, distribuindo a inovação e gerando conhecimento em todo o país.”
Mesmo com um sofisticado sistema para fomento à inovação, o país ainda não consegue trazer competitividade para as cadeias produtivas. “Não dá para inovar sozinho. Mesmo que uma grande empresa aposte muito em pesquisa e desenvolvimento, vai esbarrar na falta de capacitação da cadeia produtiva”, avalia Calmanovici.
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) possui mais de 60 instrumentos de fomento à inovação, que se transformaram em verdadeiro labirinto burocrático para obtenção de crédito. Para dar mais agilidade ao sistema, o ministério quer transformar a Finep em uma espécie de banco. “A Finep será o grande agente da inovação no Brasil, com linhas diversas e que incluem até capital semente”, conta Mercadante, afirmando que nos últimos três meses a entidade desembolsou R$ 1,4 bilhão para o financiamento de projetos.
Fonte: Valor Econômico