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Dilma manda pagar bolsistas e Capes diz que falta estrutura

 A presidente Dilma Rousseff determinou que parcelas atrasadas das ajudas de custo para estudantes brasileiros bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras sejam pagas até a próxima semana.

O chefe da Capes, órgão do Ministério da Educação responsável pelos repasses, reclamou, por sua vez, da falta de estrutura para gerenciar os pagamentos no exterior.

Dilma, que tem o programa como uma de suas bandeiras, ficou contrariada com o atraso nos repasses a estudantes em intercâmbio na UEL (University of East London), no Reino Unido, revelado ontem pela Folha.

A reportagem mostrou que 35 bolsistas da UEL não recebem, desde setembro, uma ajuda de custo mensal de 400 libras para alimentação, transporte e material. A universidade britânica ofereceu empréstimos emergenciais de 500 libras (R$ 1.631).

Ontem, Jorge Guimarães, presidente da Capes, afirmou que o benefício só foi institucionalizado em dezembro. Um e-mail obtido pela Folha mostra, contudo, que os pagamentos foram prometidos em agosto.

A portaria de dezembro prevê inclusive pagamentos retroativos.

Guimarães queixou-se de que a estrutura da Capes para lidar com o pagamento dos bolsistas não acompanhou o aumento de demanda decorrente da criação do Ciência sem Fronteiras em 2011.

Ele apontou um crescimento de 4.000 para 12 mil bolsistas da Capes a partir da criação do programa, sem, no entanto, mudança no órgão.

“O mesmo pessoal, sem aumentar uma pessoa, sem aumentar um DAS [cargo comissionado], sem aumentar nada”, afirmou Guimarães.

Depois de ter sido cobrado pelos atrasos pelo ministro Aloizio Mercadante (Educação), que, por sua vez, foi cobrado por Dilma, Guimarães afirmou que foi um “descuido” o prazo de fevereiro para quitação das dívidas, apresentado em resposta oficial à Folha anteontem.

“Diante da pressão, estamos fazendo um mutirão para ver o que está faltando, qual é o bolsista que não está recebendo, se é o caso. Que é capaz de ter mais”, disse.

Guimarães informou que o governo está modernizando o repasse da bolsa com a entrega de um cartão do Banco do Brasil, para cada bolsista.

Mas se mostrou cético com o novo método, elogiado publicamente por Mercadante. “Eu ainda quero ver para crer se vai funcionar mesmo.”

CAPES EXIGE QUE ESTUDANTES ENVIEM CARTA

A Capes exigiu que as duas estudantes citadas em reportagem da Folha ontem enviem um e-mail para o governo brasileiro atestando que “não estão passando necessidade nenhuma”.

Relato nesse sentido foi feito, por telefone, pelo presidente do órgão, Jorge Guimarães, ao ministro Aloizio Mercadante (Educação), na presença da reportagem da Folha, na tarde de ontem.

“Foi perguntado enfaticamente: vocês querem voltar [ao Brasil]? Com muita calma, a Denise [Neddermeyer, diretora de relações internacionais da Capes] foi bem calma. E elas disseram que não querem voltar. Então, vocês vão mandar uma carta, um e-mail, dizendo que não querem voltar. E que não estão passando necessidade nenhuma”, disse Guimarães a Mercadante.

Ele ressaltou que não houve atraso da bolsa do Ciência sem Fronteiras, apesar de admitir atraso no pagamento da ajuda de custo.

Os estudantes em Londres recebiam 416 libras por mês e deveriam ter um adicional de 400 libras, repassado aos bolsistas que residem em cidades “caras”. A Folha mostrou que houve atraso dessa parcela.
“Acho que elas exageraram no direito a essa expectativa e até em gastos”, disse Guimarães no telefone.

Ele afirmou que “o mais grave” é que uma das estudantes citadas na reportagem é irmã de uma repórter da Folha [na verdade, de uma funcionária do Grupo Folha]. “Isso não é nem um pouquinho ético”, disse.

A cobrança de Dilma a Mercadante, e do ministro aos responsáveis pelo programa, decorre do fato de que o Ciência sem Fronteiras é a “menina dos olhos” da presidente, citado frequentemente como modelo de iniciativa federal.

Fonte: Folha de São Paulo

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