Notícias

Desistência nos cursos de ciência chega a 40% nos EUA

Preocupado com resultados de testes educacionais que mostraram jovens americanos atrás de estudantes de países como Eslovênia e Cingapura nas áreas de ciência e inovação, o presidente Barack Obama fez um apelo no ano passado para que as universidades formassem 10 mil engenheiros a mais por ano e 100 mil professores especializados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Mas, apesar de pesquisas mostrarem que mais calouros universitários pretendem se especializar em uma dessas áreas, cerca de 40 % deles desistem durante o curso.

 

O motivo é simples: são áreas difíceis, que exigem muito estudo. Enquanto alunos do ensino fundamental e médio se divertem com experimentos lúdicos, ao começar o ensino superior o calouro se depara com aulas teóricas de química e física e uma quantidade enorme de exercícios de cálculo para resolver. E o entusiasmo vai por água abaixo.

De acordo com um novo estudo realizado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), essa taxa de desistentes aumenta para 60% quando são incluídos estudantes que pretendem se formar em medicina. Esse índice de desistência é o dobro do observado em todas as outras especialidades juntas.

Exigência maior. Outra revelação da pesquisa, segundo um de seus autores, Mitchell Chang, professor de pedagogia da UCLA, é que a taxa de desistência é 13% maior nas mais prestigiadas e exigentes universidades do país, que selecionam alunos com melhor desempenho no ensino médio. “Normalmente pensamos que os alunos que entram nessas instituições têm as maiores chances de serem bem-sucedidos, mas não é o que acontece”, afirmou.

Entre os motivos apontados estão a complexidade cada vez maior desses campos, deficiências no ensino pregresso de matemática, o alto nível de abstração dos cursos nos dois primeiros anos de ensino superior e até mesmo a preguiça dos alunos.

Para David E. Goldberg, professor aposentado de engenharia da Universidade de Illinois e consultor, a chance de Obama conseguir seus 10 mil engenheiros por ano é “nula”.

Há dois meses, a Associação de Universidades Americanas, que representa 61 das maiores instituições do país, lançou um plano de cinco anos para encorajar professores dessas áreas a usar técnicas de ensino mais interativas. Mas especialistas são unânimes ao dizer que falta muito a ser feito.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Próximos Eventos