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Debate com Ministro da Ciência e Tecnologia esquenta Fórum

A discussão sobre o tamanho do Estado esquentou ontem o segundo dia do 23ª Fórum Nacional, no Rio de Janeiro. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, deu uma estocada em Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Mercadante disse que o governo tucano fez privatizações em setores de mineração, siderurgia, financeiro e de telecomunicações. “Sobrou o Palácio do Planalto, a Petrobrás e o BNDES de empresas importantes”, disse Mercadante, acrescentando que o papel dos bancos públicos na crise global foi fundamental para a rápida recuperação do Brasil.

 

Anteriormente, referindo-se a Arminio, o ministro havia dito não achar “que a saída seja insistir na tese de um Estado mínimo”. Arminio, porém, reagiu imediatamente, perguntando “quem defendeu isso”. Depois do debate, o ex-presidente do BC, hoje à frente da Gávea Investimentos, reforçou que não havia defendido – nem nunca defendeu – o Estado mínimo.

Na verdade, em sua apresentação, Arminio havia dito que o Estado brasileiro investe pouco, apesar do tamanho. “Observamos que, apesar de sermos um País que optou por ter um governo com um Estado bastante grande, temos um Estado que investe muito pouco.” Os investimentos públicos, ele observou, não passam de 2% do PIB.

Para Fraga, a grande decepção recente da economia brasileira é o fato de a taxa de investimentos permanecer muito baixa, tendo ficado em 18,4% do PIB em 2010. “É insuficiente para crescer 5% a 6% (ao ano), e talvez seja insuficiente até para crescer 4%.”

Nesse mesmo painel, Mercadante discorreu sobre avanços recentes do Brasil em termos de tecnologia e inovação, como o número de mestres e doutores, que saiu de 5 mil em 1987 para 50 mil atualmente, e o fato de o País já ser o 13.º do mundo em produção científica, tendo crescido nos últimos anos cinco vezes mais que a média internacional.

Mas o ministro reconheceu que “há um grave déficit de engenheiros”. Ele citou a meta para os próximos quatro anos de ofertar 75 mil bolsas de estudos no exterior, priorizando Engenharia e Ciências Exatas. Mercadante defendeu também que o Brasil imponha, como a China, contrapartidas para investimentos diretos estrangeiros no País, como transferência de tecnologia e contratação de determinado número de mestre e doutores.

O ministro defendeu ainda a transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) num “banco público da inovação”, e na criação de uma “Embrapa da indústria”, voltada à inovação.

Fonte: O Estado de São Paulo