Notícias

Cresce o número de jovens empreendedores no País

O universitário Murilo Wadt tinha 21 anos quando decidiu entrar para o mundo dos negócios, em 2010. Com Aline Nishiyamamoto e Danilo Almeida, na época com 20 e 22 anos, ele abriu uma empresa de desenvolvimento de softwares, em parceria com professores de universidades, a OrganizeCE. Em um ano, faturou R$ 63 mil e espera uma receita três vezes maior para o próximo semestre. Wadt e seus sócios fazem parte de um grupo que cresceu bastante na última década: o de jovens empreendedores.

 

Dos novos empreendimentos, 17,4% foram desenvolvidos por pessoas entre 18 e 24 anos. Em 2002, essa faixa etária respondia por apenas 10%, segundo levantamento feito no ano passado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Já entre os jovens de 25 a 34 anos, esse número saltou de 18,6% para 22,2%. O GEM mapeia o nível de empreendedorismo em 59 países a partir de pesquisas com empresas de até 42 meses de vida. No total, os jovens concentram 8,5 milhões de empresas.

“Do nosso jeito, temos potencial de fazer algo melhor do que se estivéssemos numa grande empresa”, diz Wadt. O pensamento é compartilhado por boa parte dos que nasceram após 1980, a chamada Geração Y. “Eles têm muitas dificuldades dentro da hierarquia de uma grande empresa e, por causa da baixa resistência a frustrações, montam algo próprio”, explica a presidente do Grupo Foco e especialista em Geração Y, Eline Kullock.

Essa não é a única explicação para o crescimento, claro. Um facilitador é a situação econômica favorável do País. Para André Martins, presidente do Grupo de Jovens Líderes Empresariais (JLide), hoje há mais renda, consumo e grande classe emergente, que colaboram para essa expansão. “No curto prazo, há ganho de inovação, com milhares de cabeças pensando em fazer algo diferente. Já no longo prazo, há uma geração de empregos fantástica.” O custo geralmente baixo também funciona como um incentivo. “Começamos com capital zero”, conta Wadt.

Boa parte desses empreendimentos é de startups, em geral ligadas às áreas de tecnologia e internet. É o caso de Gustavo Lemos, de 31 anos, e quatro amigos, de 23 a 33, que desenvolveram um rastreador para carrinhos de compras. O mecanismo identifica o percurso dos clientes, as mercadorias favoritas e o local de mais movimento. O projeto rendeu prêmio, o IBM SmartCamp, e eles acabam de fechar o primeiro contrato com uma rede de supermercados.

Mas uma boa ideia não basta. Segundo Yuri Gitahy, especialista em startups, os desafios são a falta de referências no mercado e de capital para tirar o projeto do papel. “O importante é entenderem que seu modelo de negócios precisa ter potencial de crescimento.” Venâncio Velloso, de 30 anos, há 3 fundou um site de compra de maquinário, o WebPesados, e enfrenta um momento incerto. “Não recuperamos o investimento, mas 2012 será o ano da virada.”

A situação poderia ser melhor se o Brasil oferecesse condições semelhantes às de outros países, diz o diretor do Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Sylvio Gomide. “O problema é a falta de competitividade. Os outros largaram muito na frente, com impostos menores, serviços melhores e crédito mais fácil.”

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Próximos Eventos