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Conteúdo de MBAs precisa estar mais alinhado ao mercado

O momento para a educação executiva é de crise. Enquanto os profissionais e as empresas discutem o quanto as escolas de negócios realmente atendem às suas necessidades, reitores e professores estudam que caminhos tomar para estarem alinhados com o mercado. Para John Delaney, reitor da Katz Graduate School of Business, da Universidade de Pittsburgh, existem saídas para evitar que os MBAs sejam vistos apenas como ‘commodity’.

De acordo com ele, investir em tecnologia, por exemplo, é essencial. Em um fórum realizado recentemente em São Paulo que reuniu estudantes da Katz de três continentes, um dos ‘testes’ foi a distribuição de materiais eletrônicos de estudo. “Essa forma de acesso ao conteúdo nos conecta mais com os alunos”, afirma. Com tanta informação circulando, a dificuldade tem sido definir quais enfoques dar sobre essa gama de dados, além de manter a concentração das turmas. “A quantidade de interrupções que os estudantes sofrem com telefonemas, mensagens de texto, e-mails e notícias é espantosa.”

Outro ponto crítico, segundo Delaney, é o desenvolvimento de habilidades comportamentais como negociação, comunicação e capacidade de tomar decisões. “O dilema é descobrir se são os MBAs que estão em crise ou alguns aspectos da educação executiva é que precisam de mais atenção”, afirma. Para ele, a responsabilidade é das próprias instituições, que superestimaram seus candidatos. “Elas partem do princípio de que os estudantes chegam com todas essas habilidades já desenvolvidas. É claro que eles são talentosos, mas precisamos ajustar isso neles”. Delaney conta que um dos exercícios comuns nos MBAs é o uso de ferramentas analíticas como pano de fundo para a tomada de decisões. “Com o excesso de informação, precisamos estimular a transformação de parâmetros estatísticos em atitudes”, afirma.

Uma das medidas tomadas por Pittsburgh, que começou a ser aplicada há três anos nos cursos de graduação e está servindo de modelo para Katz, foi a criação de um programa internacional de estágio. Com bolsa de estudos, os alunos passam o verão americano trabalhando em empresas parceiras da escola – a iniciativa inclui o Brasil, onde Pittsburgh tem acordos com a Dow Chemical, o grupo Ultra e a Abbott Laboratories. Somente este ano, serão 50 ‘expatriados’. “A intenção é atrair mais gente para fazer esse estágio aqui”, diz.

A Universidade de Pittsburgh foi uma das primeiras escolas internacionais a lançar um programa de educação executiva no país, onde está há 13 anos. Hoje, o Brasil é um dos mercados onde a instituição tem o MBA Global Executivo, simultaneamente ministrado em Praga, na República Tcheca, e na sede americana, em Pittsburgh.

Desde então, a universidade tem acompanhado a mudança do mercado e dos talentos locais. “Os brasileiros podem competir com profissionais de alto nível dos Estados Unidos e da Europa”, diz. Ainda assim, Delaney acredita que a educação executiva tem um longo caminho a trilhar. A razão disso é que o mercado brasileiro, em sua opinião, possui muitas posições no setor de commodities e na indústria, considerados empregos de transição para uma economia desenvolvida. “O próximo passo é evoluir para uma economia do conhecimento. Para isso, é preciso investir em educação.”

Fonte: Valor Econômico

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