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Conhecimentos em TI são essenciais para quem atua no setor financeiro

Os computadores transformaram quase todo mundo em “usuário”, principalmente os banqueiros e operadores. Eles precisam ter conhecimentos de informática, saber usar sistemas básicos e trabalhar bem mais próximos dos departamentos de tecnologia da informação (TI).

A tecnologia, na verdade, mudou a cara do setor bancário e dos negócios na Bolsa de Valores, dando origem às plataformas totalmente eletrônicas, aos sistemas de algoritmos automatizados e aos negócios em tempo real. Consequentemente, ela mudou a maneira como as instituições financeiras contratam e as habilidades que exigem.

“Antes, havia arrogância no mercado, uma atitude do tipo ‘eles e nós’”, explica Ed Ekins, diretor da divisão de tecnologia da Twenty Recruitment, que recruta profissionais para cargos no setor financeiro, incluindo especialistas em infraestrutura e desenvolvedores de programas. “Agora, os bancos e os fundos de hedge assimilam os dados e os inserem em um sistema eletrônico”. Segundo ele, são dependentes de bibliotecas quantitativas que trabalham para determinar os preços, gerenciar riscos e identificar oportunidades lucrativas. “Eles realmente não ligam para a tecnologia, mas é essencial que tenham as habilidades básicas.”

Na medida em que os negócios se tornam mais automatizados, mais rápidos e mais precisos, decisões precisam ser tomadas em frações de segundos. Ekins enfatiza que nenhum ser humano é rápido o suficiente para fazer isso. Charlie Luckhoo, diretor de TI da McGregor Boyall, especialista em recrutamento financeiro, cita o sistema de e-commerce do Barclays como um bom exemplo de um sistema chamado “low-touch”. “Ele é totalmente conduzido pela tecnologia e proporciona acesso direto ao mercado em uma escala ampla. Você pode negociar qualquer ativo sem nenhuma interferência humana.”

Há uma necessidade crescente de os especialistas trabalharem em projetos de grande porte, particularmente em resposta às novas regras de governança, compliance e risco. Com os bancos fazendo investimentos significativos nessas áreas e dando continuidade ao desenvolvimento de novos produtos para continuarem competitivos, uma estrutura de front, middle e back office foi criada.

O front office é sempre visto como mais “sexy”. “Ele é ágil e necessita de pessoas que possam atuar rápida e instintivamente sob pressão, e que tenham um conhecimento superior de negócios. O back office, por sua vez, requer mais atenção aos detalhes”, afirma Luckhoo. Simon Taylor, diretor do Venn Group, especializado em recolocação, explica que é mais fácil para aqueles que ocupam cargos de front office voltar para o back office em razão das habilidades que são requisitadas. Luckhoo, no entanto, diz que, para alguns cargos, é preciso desenvolver boas habilidades de comunicação.

A maior atenção em risco e compliance, desde a crise financeira, não vem criando um dilema sério na contratação. Embora existam muitos talentos disponíveis, criou-se um desafio: “Sempre há algo novo no mercado e nenhum trabalho é o mesmo”, afirma Taylor. “Cada produto lançado para tem um novo sistema e é preciso alguém que saiba trabalhar nele”. David Morgan, consultor sênior da McGregor Boyall, explica que sempre há demanda por pessoas para funções que antes não existiam.

Os consultores precisam trabalhar em conjunto com os bancos para descobrir quais as habilidades e conhecimentos que provavelmente serão exigidos. “Normalmente, um banco contrata alguém com um histórico, ou seja, que já tenha trabalhado para concorrentes. Mas, para as novas funções, precisamos interagir com nossos clientes para descobrir o que eles precisam”.

Os bancos tendem a preferir um staff permanente, mas a natureza do desenvolvimento de novos produtos e sistemas torna essa atuação mais baseada em projetos. A mudança das necessidades técnicas cria funções diferentes. Por exemplo, o Ion, um produto de negociação de bônus, e o Calypso, que proporciona negociações em tempo real, exigem diferentes tipos de conhecimento dos profissionais. “Os bancos estão sempre tentando acompanhar o ritmo. Há uma sensação de urgência”, diz Luckhoo.

Na opinião de Morgan, há uma demanda significativa por especialistas em todas as áreas como sistemas algorítmicos, compliance e risco. Enquanto os bancos tiverem prazos para cumprir, a demanda continuará aquecida. “Tudo depende do apetite pelo investimento em novos sistemas, ao mesmo tempo em que se mantém parte dos recursos em questões que envolvem regulamentação”, afirma Ekins. “Se pessoas realmente qualificadas e talentosas estiveram procurando oportunidades de trabalho, elas vão receber propostas. Nessa área, os melhores cargos ainda estão na área de algoritmos.”

Para Luckhoo sempre há um bom mercado para especialistas em tecnologia e, dessa maneira, novos produtos continuarão sendo lançados. “Certamente teremos uma forte demanda técnica no futuro para que todos os processos estejam dentro das regras do Acordo da Basileia III entre outros”, afirma.

Fonte: Valor Econômico

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