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Competitividade exige uso pleno do conhecimento, diz ministro

“Elevar a produtividade e investir em inovação são as únicas maneiras de caminharmos para uma economia mais dinâmica”. Foi com esta frase que o presidente da FINEP, Glauco Arbix, abriu o Seminário “Inovação e Desenvolvimento Econômico”, produzido pelo jornal Valor Econômico. O evento teve patrocínio da FINEP e reuniu o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, empresários, acadêmicos e representantes de governo e entidades ligadas à indústria.  Veja aqui entrevista com Arbix e Raupp. Também participaram da abertura Alexandre Caldini, CEO do Valor Econômico, e João Grandino Rodas, reitor da USP.

Ao todo, três painéis se dedicaram a responder a algumas perguntas que, hoje, dominam o setor produtivo: “como superar a dependência tecnológica brasileira?” “Por que as empresas que inovam crescem mais?” “Como desenvolver o país por meio da inovação?”.

Glauco disse que enxerga três promissores cenários para o Brasil trilhar nos próximos anos: “podemos ser celeiro de alimentos, potência energética e player global ambiental”. De acordo com Marco Antonio Raupp, a incorporação do nome “inovação” ao antigo MCT (hoje MCTI), denota que as políticas públicas da área não são mais setoriais. “Vivemos a fase de ações transversais de C,T&I, afinal, tecnologia e inovação estão presentes em inúmeras áreas do conhecimento”.

O ministro destacou ainda que antigamente a industrialização do país tinha por base o modelo de substituição de importações. Agora, segundo ele, o cenário é outro. “Vivemos uma fase de mercado global, exigência de competitividade e compromisso com a sustentabilidade”, finalizou.

Participante do primeiro painel – “Como superar a dependência tecnológica?”, o diretor Superintendente da Unidade WEG Motores, Siegfried Kreutzfeld, afirmou que ainda é difícil fixar um doutor com currículo apenas acadêmico dentro da empresa. “É uma cultura que, na WEG, ainda estamos tentando quebrar. Se equacionado este problema, que me parece geral, podemos avançar na superação do cenário de dependência”, contou. A solução da WEG foi criar internamente um ambiente para cientistas.

Presente em diversos países do mundo – como China, Estados Unidos, e Argentina -, a empresa acredita que o investimento constante em P&D  por parte das companhias seja o caminho concreto para o salto produtivo de que o país necessita. “Hoje, 75% de nossa receita vêm de produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos. É um dado muito importante, e que mostra não estarmos estacionados”, frisou Kreutzfeld, que destacou ainda a importância das pesquisas feitas no Brasil: “a política chinesa de proteção de patentes, por exemplo, não é segura e dados sigilosos podem ser perdidos. Complicado fazermos P&D por lá”. Já Guilherme Lima, Diretor de RI da Whirlpool Latin America, destacou que o setor privado deve utilizar os instrumentos públicos disponíveis.

“O aumento dos recursos reembolsáveis da FINEP, capitaneado pelo professor Glauco Arbix, constitui importante incremento para a indústria”, afirmou. Para Lima, apesar de a Whirlpool apresentar atuação destacada no setor de patentes, é necessário que se olhe a aquisição e adaptação ética de inovações já concebidas como parte integrante do processo de crescimento de todas as companhias. “Inovar de forma incremental também é inovar”, frisou.

Mediador dessa primeira mesa, Mario Salerno, coordenador do Observatório de Inovação da USP, disse que é preciso pensar a inovação do ponto de vista de “redes de atuação”. Para ele, a FINEP pode e deve estar no centro desse processo, mediando a relação dentre os diferentes setores da indústria. “Não adiantam ações isoladas. São necessárias associações de empresas, incubadoras, agentes da inovação. A competição tem de se dar entre redes”, contou. Salerno ressaltou a importância de que o recursos para a inovação não sejam descontinuados: “a atual tendência, de crescimento de recursos, é fundamental”.

Empresas que inovam crescem mais

Na segunda mesa do dia, que envolveu o diretor de inovação da FINEP, João de Negri, o diretor da FIESP, José Ricardo Roriz Coelho, o vice-presidente executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer, Mauro Kern, e Antonio Carlos Teixeira Alves, CEO da Brasilata, os palestrantes falaram sobre o seguinte tema: “Por que as empresas que inovam crescem mais?”

De Negri afirmou que a pergunta já trazia implícita a resposta. “Para crescer, tem de inovar, não há outro caminho”. De acordo com ele, o ganho de produtividade está diretamente ligado à diversificação das empresas e seletividade das ações de investimento. E salientou: “a sustentabilidade da distribuição de renda depende muito do ganho de produtividade”.

O executivo destacou o esforço da atual administração da FINEP que, em parceria com outras instituições e no seio de uma ação integrada de governo, ampliou o volume de recursos destinado à inovação de empresas, notadamente na área de crédito: “o empresário tem que saber que pode contar com a Agência Brasileira da Inovação”.

Para ele, uma parte relevante dos investimentos na economia nos próximos anos será realizada, por exemplo, pela empresas vinculadas  à cadeia produtiva do petróleo. De um total de 1714 empresas do núcleo da indústria brasileira, pelo menos 750 desenvolvem atividades de P&D, das quais 500 estão integradas ao sistema MCTI (FINEP e CNPQ), recebendo apoio direto dos programas governamentais de financiamento à inovação. “Os resultados mostram que as firmas brasileiras que investiram em conhecimento e em inovação cresceram 21% a mais do que aquelas que não investiram, afirmou.

José Ricardo Roriz Coelho apresentou dados do IPEA de 2011 que mostram que os líderes tecnológicos (3,5% da indústria) respondem por 43,3% do faturamento no país e por 49,2% do Valor de Transferência industrial. “Eis a força de quem inova”, mas ressaltou que ainda há muitos caminhos para serem percorridos: “o Brasil ainda é um ator reconhecido em poucas fronteiras tecnológicas, como o setor de alimentos”, disse.

Mauro Kern, complementando a discussão já levantada na primeira mesa, frisou a importância das redes de colaboração. “Temos que pensar em competição entre redes, não entre empresas, e também em governança aprimorada e modelos colaborativos aliados a diferentes realidades”.

CEO da Brasilata, Antonio Carlos Teixeira Álvares afirmou que a inovação radical (fronteira tecnológica) e a inovação incremental não competem. “Pelo contrário, elas se complementam”, disse. Com um Prêmio FINEP de Inovação no currículo, a Brasilata desenvolve o chamado “Intra-empreendedorismo”, ou seja, todos os funcionários são comprometidos com o desenvolvimento inovador. O resultado é a liderança no setor de fabricação de latas metálicas.

Aproximação entre universidade e empresa

Na terceira mesa – “Como desenvolver o país por meio da Inovação?” – Laercio Cosentino, presidente da Totvs, respondeu à pergunta-tema sem rodeios: “A verdade é que não tem como desenvolver o país sem inovação”. Para o executivo, educação e infraestrutura precisam ser projetos do país, não de governos. E afirmou: “somos uma empresa de donos sem fronteiras, baseada em pessoas que provocam a inovação”. O resultado tem dado certo: hoje, a Totvs já é a maior empresas de software da América Latina e a sexta do mundo.

Tanto o presidente da Suzano, Antonio Maciel Neto, quanto Mark Lyra, diretor presidente da Cosan Biomassa, também destacaram a importância da ampliação dos recursos públicos para inovação e a possibilidade de crescimento do país. “Nosso potencial de fornecimento de energia renovável, por exemplo, é enorme. Podemos falar que temos capacidade de produção equivalente a 250 milhões barris de petróleo”, disse Lyra.

A mesa ainda teve Luiz Serafim, Gerente de Marketing Corporativo de Linha Aberta da 3M, que afirmou que o Brasil já sabe inovar. “Precisamos apenas criar a cultura da inovação, aplicando a criatividade de forma prática, traduzindo a invenção em desenvolvimento produtivo”, disse. A  3M, exemplo, de organização inovadora, começou fabricando lixas em 1910 e hoje tem mais de 46 plataformas tecnológicas, de componentes de energia a produtos baseados em nanotecnologia. Lança mais de 43 mil patentes ao ano e estimula que 40% das vendas em 2015 virão de novos produtos.

O encerramento contou com a presença de Glauco Arbix, de Carlos Calmanovici, presidente da ANPEI, Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI, e Mauro Borges, presidente da ABDI. Para Lucchesi, “é necessário aproximar o que é visto nas grades curriculares da escola de engenharia com o que acontece no chão de fábrica das empresas. Ter maior capacidade e impermeabilidade entre um universo e outro”.

Calmanovici acrescentou que “as empresas brasileiras são inovadoras e serão ainda mais. Mas todas competem em um cenário internacional extremamente desafiador. Mesmo atuando no Brasil, a gente sofre a concorrência de produtos internacionais. Como o mundo vai crescer menos nos próximos anos uma boa gestão será fundamental para vencer a concorrência.

Para Mauro Borges, “já avançamos muito no período recente, em matéria de inovação, com mudanças legais e regulatórias da maior importância, aliadas a esforços de financiamento e fortalecimento dos mecanismos de estímulo”. O executivo sinalizou ainda a importância de se empreender novos esforços para viabilizar maior aproximação entre empresas, universidades e institutos de pesquisa, potencializando resultados. “Agências como a FINEP podem fazer esta interface”, finalizou.

 Fonte: FINEP

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