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Companhias estudam melhor combinação tecnológica

O cobre tende a desaparecer dos novos projetos das operadoras, mas a substituição dos cabos que já estão instalados não será tão rápida, como alguns gostariam. Essa infraestrutura ainda deve sobreviver por décadas, estimam especialistas. Quanto mais crescer a transmissão de imagem, áudio e vídeo mais banda será necessária para fazer trafegar as informações, e o cobre pode não ser adequado. Cada operadora tem a opção de escolher uma ou mais tecnologias, de acordo com as opções que fez no passado, modelo regulatório, geografia da região onde atua, entre outras variáveis.

No Brasil, a Ericsson gerencia as redes da Telefônica, TIM, Embratel, parte da Net e Intelig. Isso inclui as operações de acesso, transmissão e comutação até o centro de operação da rede, conhecido pela sigla em inglês NOC. Para atender às particularidades de cada uma das operadoras, a empresa sueca usa cabos ópticos, de cobre, satélite e também tecnologia sem fio. “Não existe rede melhor ou pior, nem solução ótima para todos. Aqui se usam todas [as tecnologias]”, diz Gustavo Araújo, diretor de serviços gerenciados da Ericsson. “A não ser para TV de alta definição e altíssimas velocidades, não é preciso fibra. Se a demanda na região é por voz apenas, o cobre dá qualidade.” O executivo conta que trabalhou na Dinamarca e que o cobre continua forte naquele país, onde convive com a quarta geração de serviços móveis (4G).

Ainda assim, quando a demanda ou o poder aquisitivo da região admite, as operadoras aproximam a fibra da casa do cliente. Algumas levam a rede principal até os “armários” nas ruas [caixas em que as operadoras instalam sistemas] ou até o domicílio do usuário. Para a área empresarial, a estratégia é diferente, com quase todos os concorrentes oferecendo fibra de uma ponta à outra.

Embora também seja uma opção, o satélite não é viável economicamente, afirma Araújo, da Ericsson. Isso exigiria um satélite inteiro direcionado exclusivamente para uma casa. Por isso, a aplicação mais viável para esse meio é o broadcasting – a distribuição do mesmo conteúdo para todos os clientes. Mas, só os governos conseguem trafegar em altas velocidades sob essa tecnologia, porque o custo é proibitivo.

Outra opção que vem sendo investigada pelas operadoras para a última milha [o trecho que chega ao cliente] é a conexão sem fio. A empresa leva a fibra óptica até determinado ponto e depois completa com tecnologia sem fio o pedaço final, em vez de usar cobre ou coaxial. E há várias opções, como 3G, 4G, Wimax, Wi-Fi etc. Na opinião de Araújo, a tecnologia 4G traz enormes possibilidades para as empresas devido às altas velocidades que pode alcançar.

A Furukawa, fabricante de fibras ópticas, está investindo US$ 20 milhões para ampliar em 80% sua capacidade de produção, que vai passar de 1,5 milhão de quilômetro de fibra para 2,5 milhões. Paralelamente, a companhia adquiriu uma fábrica em Salto (SP), no ano passado, e direcionou totalmente ao mercado interno a produção da unidade de Curitiba. As exportações para o Cone Sul passaram a ser feitas da fábrica que a empresa tem na Argentina.

O mercado de cabos metálicos no Brasil ficou estável no ano passado, com leve tendência de queda. Entre 30% e 40% das vendas foram destinadas à manutenção de redes, e não a novos projetos, afirma Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa. Segundo ele, a substituição do cobre pela fibra óptica será generalizado em um horizonte de até cinco anos. A competição entre as teles, a demanda por internet móvel e o desenvolvimento das redes elétricas inteligentes (o chamado “smart grid”) vão contribuir para isso.

A demanda por fibra óptica no mercado brasileiro foi de 4,7 milhões de quilômetros no ano passado e a expectativa é de que o cenário se repita em 2012. “As operadoras vão manter o mesmo patamar de investimentos e estão com dificuldade de contratar mão de obra para instalar as redes”, diz Shaikhzadeh.

Fonte: Valor On Line

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