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Como adolescentes criam negócios de sucesso na Nova Zelândia

Criar um mínimo produto viável; fazer uma pesquisa de mercado; elaborar uma proposta de marketing; tentar realizar vendas e coletar feedbacks; apresentar sua ideia a possíveis investidores; e realizar um balanço de todo o esforço no final do ano.

Se você possui um negócio no Brasil, provavelmente aprendeu essa rotina sozinho, na tentativa e no erro. Do outro lado do mundo, porém, o empreendedorismo faz parte das salas de aula desde cedo, assim como o ensino de habilidades necessárias para se virar no novo mundo do trabalho.

Na Nova Zelândia, a maior iniciativa nesse sentido é o YES (The Lion Foundation Young Enterprise Scheme). Uma em cada quatro escolas do país adotam o programa, voltado principalmente para alunos dos três últimos anos da educação secundária neozelandesa.

O objetivo é que as startups escolares sigam o exemplo de empreendimentos locais como Rocket Lab e Xero, que concorrem hoje com empreendedores como Elon Musk e organizações como bancos e escritórios de contabilidade.

As instituições poderão ver seus estudantes criando negócios revolucionários ou transformando empresas de dentro para fora, como funcionários experientes em empreendedorismo. “Os negócios são a melhor maneira de mudar o mundo, na minha opinião. E ninguém melhor do que os jovens para entender de quais transformações o planeta precisa”, afirma Colin Kennedy, diretor do YES.

O caminho do empreendedorismo (e das habilidades do futuro)

De fevereiro a dezembro de um ano letivo, alunos de 15 a 17 anos de idade passam por desafios como se dividir em equipes, definir cargos, pensar em ideias de negócio, verificar a demanda de mercado, elaborar uma estratégia de marketing, tentar vender o produto e apresentar a ideia para seleções regionais e nacionais.

Os professores das escolas neozelandesas dividem espaço com tutores do YES, que oferecem aulas focadas na reunião dos grupos e na solução de dúvidas específicas. O programa também faz a ponte com empresas e especialistas para workshops, mentorias e parcerias empresariais.

Os alunos possuem isenção de impostos e ganham licenças de softwares financeiros, mas devem abrir uma conta bancária e precisam fazer uma declaração de ganhos da sua empresa ao final do programa. Essa é uma boa maneira de aprender a cuidar financeiramente de seus empreendimentos no futuro, afirma Kennedy.

Com a contribuição simbólica de 35 dólares neozelandeses (cerca de 87 reais), os alunos aprendem com quem entende do assunto e possui conexões com o mercado, enquanto as escolas poupam recursos de ensino.

Os indicados nacionais podem ganhar 25 mil dólares neozelandeses em prêmios (62 mil reais) e cada membro da equipe vencedora ganha uma bolsa de estudos de 5 mil dólares neozelandeses (12,4 mil reais) na Massey University, em Wellington.

Algumas escolas fomentam prêmios regionais, para dar mais incentivo aos seus alunos, enquanto organizações como o Ministério de Negócios, Inovação e Empregabilidade e empresas como a petroleira BP também dão premiações específicas.

Equipe da startup OLelei, vencedora do Young Enterprise Scheme 2017 Equipe da startup OLelei, vencedora do Young Enterprise Scheme 2017

Equipe da startup OLelei, vencedora do Young Enterprise Scheme 2017 (Young Enterprise Scheme/Divulgação)

Em 2017, mais de 3.500 estudantes em 21 regiões neozelandesas passaram um ano criando 830 companhias e competindo pela melhor ideia de negócio.

Após o programa, cerca de 70% dos alunos afirmaram que estavam mais interessados em abrir um negócio no futuro, mas também foram citados benefícios gerais, como o desenvolvimento de habilidades como comunicação, liderança, solução de problemas e trabalho em equipe. O YES afirma desenvolver os estudantes não apenas para se tornarem grandes donos de negócios, mas também para conquistar habilidades essenciais do século 21.

Kennedy desenha uma pirâmide dos alunos do YES: na base estão os interessados em empreendedorismo, que ganham microcertificações na área ao participar do programa, enquanto o topo é ocupado pelos “disruptores”, que podem ser encaminhados a programas mais avançados, como Venture Up (Creative HQ) e Velocity (Universidade de Auckland).

“Nós sabemos que não existirão muitos disruptores. Por isso, nosso grande objetivo é puxar toda a pirâmide para um nível acima, ajudando os estudantes em qualquer estágio de empreendedorismo em que estejam.”

O YES tem como principal patrocinador o Lion Foundation, fundo de caridade que já investiu 850 milhões de dólares neozelandeses ao longo de 30 anos de história (2 bilhões de reais). Cerca de 40% do financiamento da iniciativa vem do governo, enquanto os 60% restantes vêm de doações de entidades como o Lion e empresas como o banco HSBC.

O Young Enterprise Scheme existe há 37 anos e possui programas para alunos ainda mais jovens, ainda que o The Lion Foundation YES seja o que tenha maior adesão.

Seus 70 mil alunos associados podem ter participado de programas como o Junior Enterprise Challenge, em que crianças a partir de 9 anos de idade criam e vendem produtos, e o Start-Up, programa de nove semanas em que estudantes a partir de 13 anos de idade aprendem a administrar um negócio.

Vale lembrar que os estudantes são protegidos de problemas como assédio e roubos de ideias por meio do Vulnerable Children Act, legislação para proteção dos jovens na Nova Zelândia.

Fonte: Exame

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