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César Ades, principal etólogo brasileiro, morre aos 69 anos

O pesquisador César Ades, precursor dos estudos de comportamento animal no Brasil, morreu nesta quarta, 14, aos 69 anos. O professor do Instituto de Psicologia da USP havia sido atropelado na avenida Paulista quinta-feira passada, 8, e estava internado desde então no Hospital das Clínicas.

Pesquisador atuava na área da etologia, a ciência que estuda o comportamento animal - Heitor Hui/AE
Heitor Hui/AE
Pesquisador atuava na área da etologia, a ciência que estuda o comportamento animal

De acordo com amigos da USP, Ades estava caminhando nos arredores da sua casa quando aconteceu o acidente, na esquina com a rua Peixoto Gomide. Estava sem documentos e somente foi localizado pela família no domingo. Chegou a passar por várias cirurgias, mas não resistiu aos traumatismos.

O velório está sendo realizado até as 13h30, na Biblioteca do Instituto de Psicologia da USP, Av. Prof. Mello Moraes, 1.721, Cidade Universitária, São Paulo. O enterro será às 15h, no Cemitério Israelita do Embu, Estrada Keiichi Matsumoto, 21, Embu das Artes, SP, tel. (11) 4781-5488.

Nascido no Cairo (Egito), em 18 de janeiro de 1943, Ades veio para o Brasil aos 15 anos. Formou-se em psicologia em 1965 no Instituto de Psicologia da USP, onde se tornaria professor titular do Departamento de Psicologia Experimental em 1994.

Suas principais linhas de pesquisa estavam relacionadas com etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, tendo formado toda uma geração de pesquisadores que trabalham com esses assuntos hoje no País. Investigou animais tão diferente quanto aranhas, macacos e cachorros, quebrando paradigmas sobre as capacidades desses bichos.

Mostrou que as aranhas têm memória e são capazes de aprender. Junto com o então aluno Francisco Dyonísio Cardoso Mendes, observou a vocalização dos muriquis (ou mono-carvoeiros) – o maior primata das Américas -, concluindo que eles têm uma espécie de vocabulário com pelo menos 38 chamados diferentes. E entre cães vira-latas, observou que eles são capazes de aprender a “falar” o que querem, por meio de um painel com símbolos arbitrários.

Ades era editor da Revista de Etologia, membro do conselho editorial das revistas Behavior and Philosophy e Acta Ethologica e integrava o Conselho Internacional de Etólogos, a Sociedade Internacional de Psicologia Comparada e a Sociedade Brasileira de Etologia, da qual foi fundador e vice-diretor de 2008 a 2010.

Foi diretor do Instituto de Psicologia da USP de 2000 a 2004 e vice-diretor de 1998 a 2000. Em 2004 ingressou no Conselho Deliberativo do Instituto de Estudos Avançados. No final de 2007, foi nomeado pela então reitora Suely Vilela diretor do IEA para mandato de fevereiro de 2008 a janeiro de 2012. Também participou do Conselho Deliberativo do Hospital Universitário da USP e do Conselho Curador da Fuvest.

Fonte: O Estado de São Paulo

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