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Brasil torna-se mais relevante para a Intel

Quando começaram a trabalhar juntos em março do ano passado, os executivos Steve Long, responsável pelas operações da fabricante de chip Intel na América Latina, e Fernando Martins, diretor dos negócios no Brasil, tinham pela frente um desafio muito claro: colocar a região no radar da companhia.

Quase um ano e meio depois, a missão ainda não pode ser considerada totalmente concluída, mas a relevância já é bem maior do que era há dois anos. Prova disso é que amanhã a companhia fará em São Paulo, pela primeira vez, o Intel Developers Forum (IDF). Direcionado a seus parceiros, o evento funciona como uma vitrine das tecnologias e da visão de futuro da companhia e contava com duas edições, uma em San Francisco e outra em Pequim. A realização do evento no Brasil foi um pedido expresso do executivo-chefe da companhia, Paul Otellini.

A realização de um IDF pode ser comparada à de um grande show de música. A Intel tem uma equipe interna dedicada apenas à organização do evento e uma estrutura específica para isso. Ao todo, 180 profissionais da companhia desembarcaram no país, nos últimos dias, e trabalharam na montagem de mais de 30 toneladas de equipamentos. A expectativa é receber 2 mil pessoas.

Terceiro maior vendedor de computadores do mundo, com uma média de 15 milhões de unidades por ano, o país também tem-se tornado destino de investimentos de empresas especializadas em centros de dados. Essas estruturas demandam a instalação de centenas ou até milhares de servidores, computadores que são responsáveis pelo processamento de informações de empresas e indivíduos na internet.

Como todas essas máquinas precisam de chips para funcionar, é certo que o mercado estará, por um bom tempo, ávido pelos processadores fabricados pela Intel. De acordo com Long, até 2013 o objetivo da empresa é triplicar a receita obtida em 2010. Em entrevista ao Valor no começo de 2011, o executivo afirmou que a América Latina representava entre 6% e 7% do faturamento global de US$ 43,6 bilhões à época, tendo o Brasil como carro-chefe. “Temos uma estratégia consistente para os próximos cinco anos”, diz.

Segundo Martins, os planos para o Brasil estão baseados em três áreas: incentivo ao desenvolvimento de software, acelerar a adoção da banda larga e promover a inovação em termos de uso de tecnologia no país. O direcionamento está atrelado a uma nova postura adotada pela companhia. No lugar de focar simplesmente a venda de produtos, a ideia é dar apoio aos fabricantes locais para a criação de novas aplicações para as tecnologias desenvolvidas pela Intel.

Exemplo disso é o projeto “Posto do Futuro”, inaugurado em dezembro do ano passado em parceria com a Petrobras. Localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o posto usa tecnologias pouco comuns nesse tipo de estabelecimento em qualquer parte do mundo, como etiquetas inteligentes para a identificação dos veículos e sistemas de interatividade com os clientes que vão em busca de serviços.

O projeto recebeu um investimento de R$ 2,4 milhões e foi eleito dentro da Intel como uma de suas melhores iniciativas em 2011, atrás dos novos processadores Ivy Bridge e dos ultrabooks – os computadores finos e leves que são a grande aposta dos fabricantes no momento. Segundo Long, o “Posto do Futuro” já atraiu a atenção de empresas como a Shell, para estudar a aplicação de alguma das tecnologias aplicadas.

Segundo Martins, outra área na qual o Brasil tem sido pioneiro são os projetos educacionais. “Não se trata apenas de colocar o equipamento na sala de aula, mas de dar toda a estrutura, o treinamento para o professor, porque é ele quem vai demandar esse tipo de recurso”, afirma.

De acordo com o executivo, os esforços dos últimos 18 meses têm deixado as operações da Intel no Brasil e América Latina cada vez mais alinhadas com a estratégia global da Intel. Nos últimos anos, a fabricante vem tentando expandir sua atuação para além dos computadores. Os novos mercados incluem o desenvolvimento de software, a criação de chips que podem ser usados em computadores embarcados em veículos, eletrodomésticos, entre outros produtos. O objetivo é ganhar mercado em um mundo que pode ter 50 bilhões de dispositivos conectados até 2020, segundo estimativa da Ericsson.

A iniciativa mais recente da Intel foi o lançamento de processadores para telefones celulares. O primeiro modelo, batizado de Xolo, chegou às lojas da Índia no fim de abril. A chinesa Lenovo também colocou um aparelho à venda em seu país natal. Nos próximos meses, outros fabricantes farão novos anúncios. Em tom de mistério, Long deixa entender que a estreia de um telefone com chip Intel pode estar próxima no Brasil. “É uma oportunidade muito grande”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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