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Brasil ganha espaço nos planos da Eurocopter

O Brasil caminha para se tornar a quarta base global da maior fabricante de helicópteros do mundo, a Eurocopter, em pé de igualdade com outras unidades de negócios do grupo, na França, Alemanha e Espanha, segundo o presidente da companhia, controladora da Helibras, Lutz Bertling. “Em 2020 a empresa deverá ter capacidade para projetar, desenvolver e produzir seu primeiro helicóptero no Brasil, com o apoio de engenheiros europeus”, afirmou em entrevista exclusiva aoValor.

Com uma receita anual de € 170 milhões, a Helibras representa hoje 4% do faturamento total da Eurocopter. Mas de acordo como Bertling, esse número deverá crescer para algo em torno de 10% em 2017, com as entregas dos helicópteros EC725 Super Puma, que a companhia está fornecendo para as Forças ArmadasBrasileiras.

O contrato, avaliado em € 1,847 bilhão, envolve 50 aeronaves e cada Força receberá 16 helicópteros. Dois deles serão destinados à Presidência da República. O projeto prevê a produção gradual dos helicópteros no Brasil até atingirem um índice de 50% de conteúdo nacional, num prazo de seis anos.

“O número atual é de 43%, o maior já visto em programas de transferência de tecnologia na indústria aeronáutica. Essa porcentagem vai aumentar nos próximos anos, na medida em que formos oferecendo novas opções de sistemas de controle e painéis de instrumentos fabricados no Brasil”, comentou o executivo, que chega hoje ao Brasil, para participar da LAAD Defence & Security 2011, maior e mais importante evento do setor de defesa e segurança da América Latina.

Os três primeiros helicópteros foram entregues em dezembro e o próximo, previsto para 2012, será destinado à Força Aérea Brasileira (FAB). No mesmo ano, segundo Bertling, a Helibras receberá dois helicópteros que serão usados no desenvolvimento de sistemas de missões no Brasil. As obras da nova fábrica daHelibras em Itajubá (MG), de acordo com o executivo, serão concluídas em 2012. Até metade de 2013, a partir do 15º helicóptero, a Helibras terá adquirido a tecnologia de produção necessária para fazer toda a produção no país.

O presidente da Eurocopter disse que a seleção dos parceiros locais ainda não foi finalizado mas, além da Toyo Matic, Inbra Aerospace e Turbomeca, outros quatro contratos foram fechados no Brasil: Ate, para sistemas de missão dos helicópteros; Sagem/TM, para os sistemas de piloto automático; Aernnova, para sistemas de cauda; e a Rhode & Schwartz, para sistemas de comunicação via rádio.

Bertling anunciará hoje, durante a LAAD, no Rio de Janeiro, a assinatura de mais um contrato, com a Aeroeletrônica (AEL), de Porto Alegre, para o fornecimento dos cockpits de vidro. “Em breve estaremos fazendo o mesmo com a SDV, na parte de logística e com a Microturbo, para unidades de potência auxiliar.”

O executivo ressaltou que o processo de nacionalização dos helicópteros não se aplica apenas ao projeto do EC725. “A companhia está sendo integrada a outras unidades de negócios da Eurocopter pelo mundo e está adquirindo um novo status dentro do grupo.”

Pelo acordo assinado com o governo brasileiro, haverá transferência de tecnologia em diversas áreas, entre elas, a de materiais estruturais compostos e a integração dos sistemas de armamento dos helicópteros. “Técnicos e engenheiros brasileiros já estão na Eurocopter recebendo treinamento prático na produção do EC725.”

Algumas brasileiras poderão vir a fazer parte da cadeia global de fornecimento da Eurocopter e a Helibras vem tentando acelerar o crescimento dos cursos universitários e técnicos de aeronáutica e tecnologia aeroespacial no Brasil.

Para dar suporte aos investimentos de € 200 milhões na expansão da fábrica em Itajubá, a empresa está contratando. Atualmente, a unidade possui 500 funcionários, mas a expectativa, segundo Bertling, é que esse número chegue a 1.000 até o fim de 2012.

“Este aumento do número de funcionários é fundamental para o cumprimento de programas como a modernização dos modelos Pantera e Esquilo para o Exército e para o crescimento da oferta de serviços em todas as regiões do país.”

O objetivo da empresa, nos próximos anos, é aproveitar todas as oportunidades de negócios que o Brasil oferece, não apenas no setor militar, como também nas áreas de petróleo e gás e de segurança executiva e pública.

Fonte: Valor Econômico