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Boa notícia para telecomunicações e tecnologia digital do Brasil

O Centro Técnico Científico da PUC-Rio inaugura o mais moderno equipamento de deposição de materiais semicondutores da América do Sul com a presença do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.

Um equipamento de ponta, que produzirá matérias-primas para a fabricação de artigos como DVDs, detectores e dispositivos eletrônicos e ópticos, acaba de ser inaugurado no Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A cerimônia, realizada ontem (22), contou com o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o vice-reitor para Assuntos Acadêmicos da universidade, José Ricardo Bergmann.

Trata-se do mais moderno equipamento de deposição de materiais semicondutores existente na América do Sul, de acordo com Patricia Lustoza, do Centro de Estudos em Telecomunicações (CETUC/PUC-Rio) e líder em pesquisa tecnológica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanodispositivos Semicondutores (Disse), que está à frente do projeto. O aparelho faz parte do Laboratório de Semicondutores da PUC-Rio (LabSem).

“O equipamento que tínhamos [adquirido em 1990] estava obsoleto; teve uma sobrevida de dez anos mais do que deveria. O novo é bem mais moderno e vai possibilitar que sejamos mais competitivos, fazendo frente aos desafios da pesquisa na área de semicondutores”, conta a pesquisadora ao Jornal da Ciência.

Patrícia sublinha que não existe aparelho similar no Brasil. “É algo de ponta mesmo. Temos aparelhos mais ‘caseiros’ [em outros institutos], mas são mais modestos, não tão modernos como esse. Ele permite, por exemplo, fazer avaliação ‘in situ’, ou seja, enquanto estamos produzindo o material, verificamos se a qualidade está conforme o que gostaríamos”, detalha.

Três milhões

Com sete metros de extensão, 2,5 metros de altura e um metro de profundidade, o aparelho foi importado da empresa alemã Aixtron, considerada a mais importante do mundo no ramo. Foram necessárias 12 caixas para transportá-lo, o que exigiu cerca de um ano para sua montagem e instalação. Durante o processo, a empresa fabricante veio ao Brasil em três ocasiões diferentes, auxiliando na montagem física, no ajuste do sistema e nos testes de qualidade do material semicondutor.

O equipamento custou aproximadamente R$ 3 milhões, com financiamento da Finep e do Disse, cujos recursos são provenientes da Faperj e do CNPq. “É um equipamento caro, de grande investimento, que veio por iniciativa do MCTI, por meio da criação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Foi dentro de um desses que a gente conseguiu os recursos para a compra e também a área para construir”, explica Patrícia.

Ela conta que há uma estimativa de aumentar em até vinte vezes a produção atual de materiais. “Cerca de quinze grupos são atendidos pelo equipamento hoje, mas esperamos aumentar e irrigar mais ainda a rede”, detalha. O LabSem alimenta, com essa matéria-prima, além da rede brasileira, também três grupos internacionais, além de fornecer material para órgãos governamentais, como, por exemplo, o Ministério da Defesa (Exército e Aeronáutica).

Inovação e tecnologia

Um dos objetivos do equipamento é alavancar as pesquisas na área em todo o País, incluindo empresas incubadas. UFAP, UFAM, UFRJ, UFMG, USP são algumas das universidades que já trabalham com a equipe da PUC-Rio. Adalberto Fazzio, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI (SETEC/MCTI), destaca a importância da iniciativa, já que a inovação está sendo feita em grande parte nas universidades, pois “pequenas e médias empresas nem sempre conseguem criar centros de pesquisa”.

Nelson Furtado, coordenador do Programa Rio Biodiesel, que esteve na inauguração representando a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, ressaltou a necessidade de “desatar o nó da tecnologia”. “Temos grandes avanços nas ciências básicas, com artigos publicados e projeção internacional, mas ainda temos falhas em tecnologia, sempre estamos atrás dos institutos internacionais”, considera.

Sergio Rezende, que lembrou o início de sua carreira como estudante de engenharia eletrônica na PUC (“esse curso só existia aqui e no ITA”), contou que costuma incentivar os jovens relatando as dificuldades que o País já passou para fazer ciência. “Num lugar onde não há tradição de ciência e tecnologia, é natural que a sociedade não valorize isso. Hoje, um dos grandes problemas do Brasil é a descontinuidade. Os novos dirigentes chegam e querem implementar seus projetos, sem aperfeiçoar os que já existem”, lamenta.

No entanto, Rezende acredita que o País está vivendo um bom momento científico na História. “Estou convencido de que o processo atual levará o País a outro tipo de desenvolvimento, em no máximo 30 anos”, opina.

Usos

Os materiais semicondutores são a matéria-prima para a produção de dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos, como lasers (para ler CDs e DVDs), LEDs e fotodetectores (como os de infravermelho, que servem para fazer instrumentos que detectam a presença de gás tóxico e câmeras de visão noturna).

O material semicondutor é feito a partir de substâncias que estão na forma gasosa. Dentro do equipamento, os gases reagem e depositam material sólido em cima de um substrato. Para que o resultado seja preciso e de elevado grau de pureza, o equipamento consegue controlar a deposição a cada camada atômica. Isso faz também com que o resultado tenha uma homogeneidade muito grande e se tenha um melhor aproveitamento.

Fonte: Clarissa Vasconcellos – Jornal da Ciência

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