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BNDES e Finep têm R$ 3 bi para novos projetos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vão oferecer R$ 3 bilhões, nos próximos quatro anos, para apoiar o desenvolvimento de projetos do etanol de segunda geração e projetos que visem o desenvolvimento, a produção e a comercialização de novas tecnologias industriais destinadas ao processamento da biomassa proveniente da cana-de-açúcar.

A ação será implementada de forma conjunta através do Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS), que agrupa três linhas temáticas: bioetanol de segunda geração, novos produtos de cana-de-açúcar e gaseificação (tecnologias, equipamentos, processos e catalisadores).

“O objetivo é apoiar projetos que tenham como alvo, basicamente, o mercado brasileiro e sul-americano”, informa Laércio de Siqueira, analista de projetos na área de energia da Finep. Segundo eles, vários planos de negócios, inclusive de empresas multinacionais que adquiriram empresas brasileiras de açúcar e álcool, estão sendo examinados por BNDES e Finep para concessão do crédito subsidiado.

Pelo menos um projeto já foi aprovado – o da GraalBio, que deverá receber empréstimo de R$ 170 milhões para a primeira fase do projeto, que contempla a construção da primeira planta de etanol celulósico no Brasil.

A Raízen, outra grande empresa que atua no mercado de açúcar, etanol e bioenergia, já tem aprovado um projeto de menor dimensão junto à Finep, mas, segundo João Alberto Abreu, diretor de bioenergia, a companhia discute outras oportunidades na área de produção de biocombustíveis de segunda geração.

De acordo com os técnicos do governo, a preocupação é que o Brasil não se distancie de outros competidores na corrida tecnológica pelos biocombustíveis de segunda geração. A indústria brasileira é considerada muito competitiva, especialmente por causa de preços finais mais baixos permitidos pelo menor custo de produção, mas tem problemas de gestão empresarial no setor e corre risco de não manter a liderança no mercado futuro de biocombustíveis, em especial no setor do etanol celulósico, por falta de investimentos.

As áreas técnicas de BNDES e Finep têm se dedicado a analisar o posicionamento do Brasil no desenvolvimento das novas tecnologias de conversão de biomassa. Em função desse cenário e para atingir os objetivos propostos, o novo programa PAISS buscará apoiar empresas que invistam nas três linhas temáticas – o bioetanol de segunda geração; novos produtos de cana-de-açúcar, incluindo o desenvolvimento a partir da biomassa da cana por meio de processos biotecnológicos; e gaseificação, com ênfase em tecnologias, equipamentos, processos e catalisadores.

O acordo entre BNDES e Finep para a criação do PAISS também visa estimular a obtenção de produtos de maior valor agregado, que podem ser obtidos a partir da biomassa da cana, como, por exemplo, os combustíveis de maior conteúdo energético (diesel, gasolina, querosene de aviação) ou mesmo intermediários químicos com aplicações industriais diversas.

O Brasil tem vantagens competitivas em função da maior disponibilidade de biomassa a baixo custo. Tal fato, aliado a um apoio mais eficiente para o desenvolvimento das novas técnicas de conversão, poderá levar o país a ser o pioneiro na produção de etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados.

Finep e BNDES dispõem de linhas de financiamento atrativas, diz Siqueira. Poderão participar do PAISS empresas cujo objetivo social compreenda a realização de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação relacionadas às tecnologias incluídas no plano. As propostas devem estar vinculadas aos planos de negócios das empresas, prevendo a efetiva introdução das tecnologias e dos respectivos produtos no mercado. Os valores foram estipuladas em R$ 1,348 bilhão (Finep) e R$ 1,762 bilhão (BNDES).

Fonte: Valor Econômico

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