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BNDES avalia renovação do Prosoft

A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) examina neste mês a renovação do programa BNDES Prosoft, financiador de projetos de empresas de software e de serviços de tecnologia da informação, cuja vigência vai até o fim de julho.

Segundo apurou o Valor, a área técnica do banco deve recomendar a renovação com condições semelhantes às atuais, que permitem financiamento de operações diretas a partir de R$ 1 milhão; e crédito de até R$ 10 milhões sem necessidade de garantias reais. A expectativa de mudança recai no acréscimo de quatro anos na vigência da linha, segundo fontes que acompanham o processo. O prazo de extensão está em estudo, bem como a possibilidade de mudança no orçamento do programa, atualmente em R$ 5 bilhões.

Procurado pelo Valor para comentar os ajustes na linha, o BNDES informou apenas a composição da carteira do Prosoft. Até junho, foram 354 projetos contratados e aprovados, que somam em torno de R$ 3,6 bilhões. Do total, R$ 2,9 bilhões são do Prosoft Empresa, para planos de negócios de empresas de TI; R$ 103 milhões para o Prosoft Comercialização, voltado à aquisição de softwares e serviços desenvolvidos no Brasil; e R$ 590 milhões contratados no Prosoft Exportação, para o desenvolvimento de software e serviços para exportação.

A possibilidade de renovação do Prosoft sem alterações não entusiasma o setor de tecnologia. Uma consulta feita pela Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) com 40 empresas sobre o Prosoft mostrou que o principal alvo de reclamações é a demora na liberação da linha – em média de sete meses. Carlos Alberto Leitão, gerente de inovação e financiamento da Softex, afirmou que esse prazo não é razoável para empresas de TI que, para acompanhar a evolução do setor, precisam realizar projetos em menos tempo que outros setores.

Na prática, a longa espera para a liberação do crédito desestimula empresas de menor porte a buscar esse tipo de financiamento, ressaltou Leitão. “A linha Prosoft serve para empresas com certa maturidade, que podem esperar pelo recursos, e não para companhias recém-criadas, com recursos mais limitados”, disse Leitão. Ele disse que, em volume, esse ainda é um dos principais canais de financiamento do setor.

A rapidez no desenvolvimento de projetos e produtos decorre do desenvolvimento do setor, que passou por grandes transformações nos últimos anos, salientou o gerente. Mas a velocidade na concessão de financiamentos, por meio do Prosoft, não acompanhou o ritmo mais ágil das empresas de software e de tecnologia, disse o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Rio (Assespro-RJ), Ilan Goldman. “Acho que o Prosoft foi um avanço. Mas as condições mudam, a situação atual muda. Outras tecnologias, outras situações, exigem outras condições”, afirmou.

Para o presidente da Delphos Serviços Técnicos, Eduardo Menezes, o Prosoft é “uma porta de entrada maravilhosa” para injetar recursos no setor. Mas as condições atuais do programa, sobretudo em relação ao prazo de aprovação do crédito, foram concebidas dentro de um contexto que não existe mais. “Sete meses é uma eternidade em tecnologia. Temos empresas no setor que não sobrevivem esse tempo”, afirmou. Ele defendeu uma redução desse prazo, para três a quatro meses, e teto maior para empréstimos sem garantias, entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

As condições praticamente não negociáveis dos contratos também foram ressaltadas. A empresa de soluções em tecnologia Powerlogic enfrentou duas vezes a tramitação exigida pelo Prosoft. A primeira vez em 2003, quando obteve R$ 1,2 milhão; a segunda em 2010, quando recebeu R$ 2,4 milhões, informou o diretor da empresa, Jésus Geraldo Alves de Moura. Atualmente, a companhia está em negociação com o banco para a liberação de R$ 700 mil restantes do empréstimo mais recente.

“Acho que os contratos poderiam ter aditivos, com condições ajustadas de acordo com mudanças no cenário internacional e na economia brasileira” disse Moura. Atualmente, as exigências dos contratos não mudam, independentemente de possíveis cenários de turbulência que possam surgir, a exemplo de crises globais.

Fonte: Valor

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