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Biocombustíveis sustentáveis para a aviação: Fapesp, Embraer, Boeing e Embrapa discutem o futuro do tema no Brasil

O debate sobre a viabilidade técnica e financeira do desenvolvimento de biocombustíveis em substituição ao querosene de aviação convencional e o atual estágio das pesquisas são alguns dos temas debatidos na Conferência sobre Biocombustíveis para Aviação no Brasil. Realizada em Brasília até sexta-feira (14), a Conferência, conta com a presença de dirigentes de órgãos do governo e instituições privadas nacionais e internacionais, assim como pesquisadores.

Em sua participação na abertura da conferência, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp avaliou que o País tem muito a contribuir na “longa jornada” de substituição do combustível convencional por soluções sustentáveis. Para o titular do MCTI, um volume significativo de iniciativas pode surgir a partir do evento. “Temos aqui três comunidades: a da pesquisa agropecuária, a da indústria aeronáutica e a de ciência e tecnologia”, disse Raupp. “Temos grandes expectativas com relação ao que vocês podem contribuir, ao sugerir políticas para o governo federal. Uma vez que surjam as ideias, as propostas, tenham certeza de que o MCTI estará aqui ao lado de vocês.”

O ministro mencionou o envolvimento da pasta com o setor, por meio de linhas de crédito e subvenção econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Desde 2006, a agência apoiou quatro iniciativas que ligam biocombustível à aviação, como motores flex e querosene a partir de biomassa.

Além disso, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social supervisionada pelo MCTI, lançou em 2010 o documento Biocombustíveis Aeronáuticos – Progressos e Desafios. Segundo o presidente do centro, Mariano Laplane, a análise explorou alternativas ao uso de combustíveis fósseis no setor aeronáutico, com a abordagem das condições técnicas para a substituição do querosene por energias renováveis.

Ações de impacto

Laplane disse esperar que as articulações da conferência ajudem a colocar em prática ações de grande impacto econômico e ambiental: “É um passo muito significativo adiante, porque passa da identificação de uma oportunidade para a sua materialização por meio da associação da capacidade de pesquisa que a Embrapa tem com os conhecimentos de grandes fabricantes de aviões”.

Na avaliação do presidente da estatal agropecuária, Pedro Arraes, o evento pode ajudar a desenhar um arranjo de pesquisa para suprir a demanda crescente do setor. “Queremos juntar as competências, estejam elas nas universidades ou dentro da própria Embrapa, e começar a montar projetos em rede que possam efetivamente alavancar os conhecimentos nesta área”, afirmou.

Conferência

Após o painel de abertura, a Conferência segue com dois eventos distintos: o 5º Workshop do Projeto Biocombustíveis Sustentáveis para a Aviação no Brasil; e o Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação.

O workshop é a quinta das sete reuniões previstas pelo acordo entre a Boeing, Embraer e Fapesp, anunciado em outubro de 2011, para análise da viabilidade do estabelecimento no Brasil de um centro de pesquisas focado no desenvolvimento de biocombustível sustentável para aviação. O Simpósio é organizado pela Embrapa.

Segundo Donna Hrinak, presidente da Boeing no Brasil, “o desafio é conciliar os interesses da agricultura, dos pesquisadores acadêmicos, dos especialistas ambientais, refinarias e empresas aeroespaciais de todo o mundo e, assim, estabelecer a infraestrutura local necessária para o desenvolvimento de uma indústria de biocombustíveis sustentável e economicamente viável”.

“Esta indústria que agora surge representa uma oportunidade para o Brasil, pois parte da redução de emissões pretendida pode ser conseguida com o desenvolvimento de aviões e turbinas mais eficientes. O grande potencial de redução, entretanto, está no combustível utilizado”, diz Luiz Augusto Barbosa Cortez, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp e coordenador adjunto de Programas Especiais da Fapesp. Cortez coordena os estudos que deverão tornar viável o centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação comercial, com participação das três instituições, com base no modelo do Programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), da Fapesp.

“O bioquerosene é uma fonte sustentável de energia para o setor de aviação”, afirmou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Júnior. “Nós, da Embrapa, estamos nos integrando a outros centros de pesquisa nacionais e internacionais para o desenvolvimento de tecnologias de produção, além de definição e desenvolvimento de padrões de qualidade para biocombustíveis de aviação”.

Existem grandes desafios para as pesquisas dos biocombustíveis da aviação, dentre os quais a necessidade de um combustível com padrão mundial independente da matéria-prima ou rota tecnológica adotada, compatível com os motores já existentes e que possa abastecer os aviões em qualquer lugar do mundo.

A Embraer, Boeing e outras grandes empresas do setor estão comprometidas com o desenvolvimento de soluções que agreguem valor à cadeia e garantam a sustentabilidade da industria de aviação.  “Por meio de nossa participação neste projeto, a Embraer confirma o papel que sempre teve no crescimento da base de conhecimento tecnológico do Brasil e na transformação do país em uma plataforma de inovação cada vez mais competitiva”, diz Mauro Kern, vice-presidente Executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer.

Fonte: Ascom da Embrapa e do MCTI

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