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Banco Central cria laboratório para empresas de tecnologia

O Banco Central lançou nesta quarta-feira (9), em parceria com a Microsoft, IBM e Amazon Web Services, o Lift (Laboratório de Informações Financeiras e Tecnológicas), que funcionará como uma espécie de incubadora do estágio inicial de novos projetos de inovação na área.

A proposta do BC é criar um ambiente adequado para fomentar a expansão das chamadas fintechs, empresas de tecnologia voltadas ao desenvolvimento de novos produtos e serviços financeiros.

A expectativa é que jovens empresários e mesmo universitários sejam atraídos pela iniciativa.

Na apresentação da proposta, a diretora de administração do BC, Carolina Barros, afirmou que aos projetos selecionados vão contar com apoio tecnológico fornecido pelas empresas parceiras. Em seguida, o desenvolvimento dos protótipos será acompanhado por servidores do próprio BC, acrescentou ela.

O presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, que também participou da apresentação, afirmou que as fintechs moldarão cada vez mais o modo de concorrência no sistema financeiro nacional e global.

“Há um universo enorme a ser explorado, e as empresas financeiras apoiadas em soluções tecnológicas moldarão cada vez mais o modo de concorrência no sistema financeiro nacional e global”, afirmou ele.

Goldfajn também destacou que o BC acredita que o laboratório ajudará a aumentar a competição no mercado brasileiro. Nos últimos meses, a concentração bancária tem sido apontada como uma das razões para a morosidade na queda dos juros bancários, que não reagiram na mesma velocidade dos cortes feitos na taxa básica da economia, a Selic.

“Tenho certeza de que as inovações gestadas contribuirão para maior competição nesse mercado, com potencial para aumentar sua eficiência e gerar grande valor à sociedade brasileira, tanto aos clientes quanto para os provedores de produtos e serviços financeiros”, afirmou o presidente do BC.

Os projetos, acompanhados por um plano de negócios, deverão ser enviadas até o dia 24 de junho, e o resultado da seleção será informado em 16 de julho.

Há um pré-requisito: o projeto deve estar alinhado com um dos pilares definidos pelo BC dentro de sua agenda institucional. Na lista de temas eleitos como prioritários pela autoridade monetária estão mais cidadania financeira, crédito mais barato, sistema financeiro mais eficiente ou legislação mais moderna.

Os trabalhos serão desenvolvidos em conjunto com o laboratório por 90 dias. O andamento de todo o processo de seleção pode ser acompanhado pela internet.

Segundo o BC, há projetos semelhantes desenvolvidos por autoridades monetárias de outros países, como Inglaterra e Cingapura.

No Brasil, algumas instituições financeiras privadas, como o Bradesco e o Itaú Unibanco, também dão suporte a incubadoras para apoiar o desenvolvimento de fitechs.

Em abril, o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou resoluções que permitem que essas empresas de tecnologia do setor financeiro possam também conceder crédito sem a necessidade da intermediação de um banco tradicional.

Hoje, essas empresas atuam apenas como correspondentes na oferta de crédito.

Com as novas regras, elas poderão eliminar um intermediário da cadeia e, assim, reduzir custos. Com isso, a expectativa de empresas do setor e do Banco Central é que as fintechs possam aumentar a competição na oferta de crédito, o que abriria a possibilidade de redução das taxas de juros por meio da maior concorrência.

COPOM

Ilan não fez nenhuma menção à política monetária em seu discurso. Na véspera, o presidente do BC avaliou que a recente escalada do dólar frente ao real é normal em relação ao que vem ocorrendo no mundo e, quando questionado em entrevista à GloboNews se o cenário básico do Copom havia mudado para a semana que vem, respondeu que “o importante é saber o que se tem que olhar num regime de metas da inflação”.

Com isso, as taxas dos contratos futuros de juros mais curtos recuavam nesta quarta, com o mercado voltando a precificar chances mais altas de que a taxa básica de juros cairá para 6,25% na próxima reunião do Copom, na semana que vem.

Fonte: Folha de São Paulo com informações da Reuters

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