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Autor do Science Fraud diz que vai continuar denunciando; universidade critica

O autor do site Science Fraud (Fraude Científica, em inglês), Paul Brookes, preparou uma declaração por escrito ontem, na qual diz que vai continuar divulgando denúncias de fraudes científicas e que pretende criar uma fundação sem fins lucrativos para isso. Um processo que ele batizou de “revisão anônima por pares pós-publicação”.

O blog de Brookes virou notícia no Brasil recentemente, por conta da publicação de acusações de fraudes científicas supostamente praticadas pelo diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), Rui Curi, e/ou alguns de seus alunos. Todo o conteúdo do site foi tirado do ar no início deste mês; segundo Brookes, para evitar ser processado legalmente, depois que alguém descobriu sua identidade e espalhou seu contato para várias pessoas que estavam sendo denunciadas por ele no blog (que até então era anônimo). Para mais detalhes, vejam os posts anteriores sobre o assunto.

Rui Curi e seus alunos negam as acusações de fraude. O caso está sendo analisado pela USP e pelo CNPq.

Declaração de Paul S. Brookes, PhD, sobre um sistema de revisão anônima por pares pós-publicação:

Em julho de 2012 eu registrei o domínio www.sciencefraud.org e criei um site destinado a facilitar a denúncia anônima de questionamentos sobre dados em artigos científicos publicados, semelhante a outros sites criados recentemente (por exemplo, o blog alemão “abnormalscience” e o do blogueiro japonês Juichii Jigen). O objetivo era aumentar a confiança na literatura científica e, com o auxílio de assistentes anônimos que enviaram material e ajudaram a analisá-lo, foram documentadas mais de 500 peças questionáveis de dados em mais de 300 publicações. O site foi operado anonimamente sob o pseudônimo de “fraudador” e por meio do email  scifraudster at gmail.com.

Em 3 de janeiro de 2013 alguém descobriu minha identidade e a enviou para mais de 100 pessoas, incluindo vários cientistas cujo trabalho fora listado no site, incentivando ações legais (contra o site). Os emails também foram enviados para vários superiores da minha universidade, incorretamente referindo-se ao Science Fraud como um site de ódio e afirmando que nossas denúncias eram infundadas e motivadas por ciúmes e vingança pessoal.

Embora eu reconheça as limitações da abordagem adotada no site (e talvez até mesmo no nome do site), a base factual dos dados apresentados era indiscutível, e em muitos casos questionava trabalhos que acabaram sendo retratados ou corrigidos em função disso. Além disso, fica claro, com base nos comentários de milhares de leitores, comentaristas e denunciantes anônimos que um sistema de revisão anônima por pares pós-publicação é uma necessidade não atendida na ciência.

A este respeito, uma proposta está sendo redigida para estabelecer uma fundação sem fins lucrativos, a Associação de Revisão Anônima por Pares Pós-Publicação (AAPPR, em inglês). Sua estrutura está evoluindo, mas conceitos-chave incluem: (i) propriedade comum e de autoria de um grupo de cientistas reconhecidos, (ii) um conjunto de diretrizes e regulamentos para garantir a análise democrática dos trabalhos apresentados, e uma estrutura eleita de gestão, (iii) não atribuição de motivo ou culpa sobre a origem dos dados questionados, (iv) atenção para as questões de liberdade de expressão e comunicação segura entre os membros. Nesta fase inicial, temos mais de 30 cientistas interessados, e a entrada é bem-vinda de qualquer cientista interessado em assinar como membro ou com ideias para compartilhar ( psbrookes at aappr.org). Apesar deste revés recente, estou ansioso para seguir em frente com este próximo passo em PPR anônimo.

Paul Brookes

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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