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As estratégias de inovação de três marroquinos

Quando deixei a lendária cidade de Casablanca, saí muito impressionado. Não tive tempo de passear, mas pude respirar o ar animador da vontade de inovar. Seguem três exemplos.

Adnane Charafedine, 34, sete anos atrás lançou a agência Extensys.ma. Pouco depois, se associou à agência de Web francesa Isobar.fr, uma parceria que inicialmente foi muito frutífera. Mas quando os executivos franceses, encantados com seu trabalho, pediram que desenvolvesse sites para uma marca holandesa de cerveja e uma companhia de lingerie, o muçulmano decidiu que havia chegado a hora de explorar outra fórmula.

Acaba de lançar o QuelleVoiture.ma (que carro), combinação de rede social e mercado virtual que coloca em contato compradores e vendedores de automóveis.

Adnane explica que “95% das pessoas que desejam inovar o fazem por conta de um ego superdimensionado. Querem inventar algo de inédito, e fracassam. Terminam desprezando o mercado, segundo eles incapaz de compreendê-los”. Contra essa atitude de soberba, o método de Adnane consiste em deixar o ego de lado e começar por identificar o melhor que se produza na França e nos países árabes, mais que na Coreia do Sul ou Suécia. Busca o que lhe é mais próximo, portanto. Para começar, copia deliberadamente, antes de introduzir as variações sugeridas pelo comportamento de seus usuários, e acredita que esse método permitirá inovar em nível nacional e até internacional.

Depois, me encontrei com Mohamed El Yacoubi, 21, fundador e presidente da Alamjadid.com, primeiro serviço de redes sociais árabes especializado no estabelecimento de novos relacionamentos (amizade ou mais), um nicho desprezado por concorrentes maiores. Ele criou seu site com apenas 19 anos, quando estudava na Warwick Business School, no Reino Unido.

Além da dimensão experimental, Adnane também apresenta uma clara vontade de busca, de investigação. Um de seus oito funcionários dedica o dia a navegar pela Web e descobrir o que está acontecendo nas redes sociais. “Partimos do que existe, adaptamos, e assim inovamos”.

“A plataforma publicitária que estamos criando se baseia na propriedade intelectual”, explica. “Estamos a ponto de propor uma nova forma de interação a marcas que sabem que o formato convencional dos anúncios online não basta”. Ele espera solicitar patente sobre o sistema em breve.

O médico Anas El Filali, 32, tem perfil diferente. Começou importando componentes para mobília, de Hong Kong, e agora é dono da CROMAR Maroc, uma florescente companhia farmacêutica. A liberdade que seu sucesso nos negócios lhe confere permitiu criar um dos lidos blogs do país, o bigbrother.ma.

Seu novo projeto, a International Network for Peace and Development, é uma empresa social que une companhias conscientes de suas responsabilidades sociais a organizações não governamentais que precisam de dinheiro.

Filali não tem objeções à cópia –“o que conta é a transferência de conhecimento”- mas estima que a tecnologia e a comunicação evoluem tão rápido que, quando alguém está pronto para inovar, os demais “já passaram para outra coisa”. “Para inovar, é preciso loucura”, diz. É uma bela fórmula, que raramente se converte em método, salvo para Shakespeare.

Adnane, Mohamed e Anas, três empreendedores que ajudam a definir melhor a questão da inovação. O contexto do tempo é sempre importante, como no caso de Steve Jobs, que criou o Mac a partir de protótipos do Centro de Pesquisa de Palo Alto, da Xerox, mas o espaço também importa -o país e a região em que um projeto surja, e as soluções que a eles ofereça. É evidente que os problemas se apresentam de modo diferente em San Francisco, Madri e Casablanca, para mencionar algumas cidades.

Fonte Folha de São Paulo

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