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ABES: É paulada para todo lado para TIC no Brasil

Os números de mercado de 2020, apesar do impacto da Covid-19 na economia, seriam para comemorar a resiliência das empresas de TI no Brasil, mas há um grande pé atrás com relação ao que está vindo pela frente.

O estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2021”, realizado pela ABES – Associação Brasileiras das Empresas de Software  com dados do IDC, mostra que a indústria de tecnologia no Brasil cresceu 22,9% e investiu cerca de R$ 200,3 bilhões (US$ 50,7 bilhões), se considerados os mercados de software, serviços, hardware e as exportações do segmento. O levantamento aponta que o Brasil conquistou posições no ranking mundial de TI, da 10ª posição em 2019 para 9ª em 2020, e manteve a liderança no mercado latino-americano, com 44% de participação.

A comemoração, com a resiliência das empresas de TI, é comedida. Até por conta das recentes ações governamentais que podem ter um impacto pesado nas empresas de software e serviços e em toda a indústria de TIC do Brasil. “Não podemos esquecer que 90% das empresas que fazem software no Brasil são pequenas e médias e elas sofrem muito com essas oscilações”, afirmou o presidente da ABES, Rodolfo Fücher.

O presidente do conselho da ABES, Jorge Sukarie, que apresentou os dados do estudo de mercado de 2020, não poupou: “É paulada para todo lado para TIC no Brasil”. Segundo ele, a desoneração da folha de pagamento – que termina em dezembro deste ano e tem a oposição do ministro da economia, Paulo Guedes- foi um estímulo à formalização de profissionais em TI. “O setor de TI só cresceu desde 2011. Eu não gosto da palavra desoneração porque parece que não pagamos impostos. Ao contrário. Nós pagamos sim, mas sobre o faturamento”, adicionou.

E há outros pontos na pauta governamental que preocupam e muito: a reforma tributária proposta que é considerada muito prejudicial para serviços e, agora, a mudança do Imposto de Renda, que atinge as pequenas e médias empresas. “TI tem uma penetração horizontal no país. Se aumentam os custos de TI, aumentam os custos da saúde, no varejo, na educação, em todos os segmentos produtivos”, advertiu. “Todas essas mudanças podem ser um tiro no pé e a produção de software migrar para outros países”, adicionou o presidente da ABES, Rodolfo Fücher.

O Brasil, hoje, produz, algo em torno de 20% de software local e compra 80% de software estrangeiro, de acordo com a pesquisa. Mas esse número não é avaliado como negativo. Para Jorge Sukarie, tirando países como Alemanha, com a SAP, e os Estados Unidos, com os seus grandes produtores de software como a Microsoft, a média internacional têm sido esse percentual de 20/80. “O Brasil precisa é estimular que software produzido atenda cada vez mais as nossas necessidades e tenham força para disputar o mercado globalizado”, diz.

O estudo da ABES mostra que o setor de tecnologia no Brasil investiu cerca de US$ 49,5 bilhões no mercado interno, sem considerar as exportações. Dentro desse montante, 53,7% (US$ 26,5 bilhões) foram utilizados em hardware; 26,3% (US$ 13 bilhões) em software; e 20% (US$ 10 bilhões) em serviços. O levantamento apontou ainda para 24.135 empresas dedicadas ao desenvolvimento e produção de software,  distribuição  e  prestação  de  serviços  no  mercado  nacional, sendo que 68,7% delas têm  como atividade principal o desenvolvimento e produção de software ou prestação de serviços.

Fonte: Convergência Digital em 05/08/2021

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