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A arte de fazer fortuna com a partilha de royalties

Há cientistas que se dedicam a pesquisas que podem render um prêmio Nobel. E há aqueles que desenvolvem inovações capazes de gerar milhões de dólares em royalties.

Não existe uma fórmula garantida para se chegar ao Nobel, mas a companhia israelense Yissum desenvolveu um modelo de negócios capaz de gerar milhões com patentes da Universidade Hebraica, de Israel.

Por ano, produtos fabricados no mundo com base em patentes negociadas pela Yissum movimentam US$ 2 bilhões, disse Renee Ben-Israel, vice-presidente de propriedade intelectual da companhia. “Uma das melhores coisas que a universidade fez foi deixar a tarefa de julgar que projetos podem se tornar negócios rentáveis para profissionais da área. Nem todo Nobel vai ficar milionário”, afirmou a executiva.

Em 48 anos de existência, a Yissum foi responsável pelo depósito de 7.736 patentes, 2.212 invenções, 566 licenças de uso e 74 empresas abertas. Em 2011, registrou 150 invenções, 154 pedidos de patentes e 54 patentes outorgadas por órgãos internacionais de propriedade intelectual. Atualmente, possui 400 projetos em desenvolvimento, sendo 13% deles na área de tecnologia da informação.

A Universidade Hebraica foi a primeira a criar uma empresa, administrada por profissionais de mercado, para se encarregar da área de transferência de tecnologia, na década de 60. Nos Estados Unidos, esse modelo começou a ser adotado apenas na década de 80 e, no Brasil, só começou a ganhar força em 2004, com a publicação da Lei de Inovação.

Pelo modelo estabelecido na Universidade Hebraica, todas as patentes e invenções são negociadas pela Yissum. O autor da patente recebe 40% do valor gerado com royalties, 30% ficam com a universidade, 20% é reinvestido nos laboratórios de pesquisa e 10% são usados na administração da Yissum. No Brasil, em média, um terço da receita de royalties fica com o pesquisador e o restante é dividido entre a universidade e a empresa. “No mundo, mais da metade das patentes são depositadas em conjunto com empresas. Dificilmente um pesquisador deposita uma patente sozinho”, afirmou Renee.

No caso de projetos muito complexos, como medicamentos, os pesquisadores têm a opção de fundar uma companhia, que recebe o apoio da Yissum até que o negócio seja vendido a grandes grupos. A empresa administra também um fundo com recursos para investir US$ 1 milhão por ano em projetos na área de tecnologias renováveis.

Atualmente, a Yissum avalia lançar um fundo voltado à área agrícola. A ideia é selecionar cinco projetos por ano, com investimentos que variam de US$ 100 mil a US$ 200 mil. A companhia tem se reunido com investidores para captar recursos necessários à criação do fundo.

Em 2011, a Yissum encerrou o ano com uma receita de US$ 60 milhões. Entre as patentes mais rentáveis está a do ‘tartrato de rivastigmina’, uma substância para o tratamento dos sintomas do mal de Alzheimer licenciado para a Novartis com o nome Exelon. Os royalties com a substância totalizaram US$ 1 bilhão. Outra patente rentável é a da doxorubicina, medicamento para tratamento de câncer licenciado para a Schering-Plough e a Johnson&Johnson (com a marca Doxil) e que gerou US$ 500 milhões em royalties em 2011.

O lançamento comercial de outros produtos compensará a queda na receita com royalties a partir deste ano, quando a patente do Exelon expira, disse Renee. A expectativa recai sobre algumas inovações em fase de desenvolvimento. Uma delas é uma membrana sintética desenvolvida por pesquisadores da Universidade Hebraica. Feita de copolímero de metacrilato de amônio tipo A e um polímero plástico biodegradável, a membrana adere a células-tronco que se formam nas regiões de fratura e ajuda na regeneração de ossos quebrados.

Para desenvolver o produto, foi fundada a empresa Regene Cure. As patentes foram registradas em coparticipação com a Yissum. O produto já foi aprovado para uso veterinário. A companhia espera a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, para a realização de testes em seres humanos em 2013.

Fonte: Valor Econômico

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