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A alma do robô

Uma vez que o robô é solto na arena, ele não pode mais ser guiado, controlado ou instruído. Está por si e deve, sozinho, compreender e transpor obstáculos.

Foi em desafios como esse que Renato Ferreira Pinto Júnior, de apenas 16 anos e que há seis participa de competições, ganhou três prêmios internacionais nos últimos três anos: todos na RoboCup, competição internacional de robótica.

O último troféu veio no final do julho, quando o robô criado por Renato, em parceria com Wallace Souza Silva, 18, venceu a etapa de equipe individual da categoria resgate da RoboCup, realizada em Istambul, na Turquia.

O desafio consistia em criar um robô autônomo que conseguisse atravessar um circuito de dois andares ligados por uma rampa, desviar de objetos, identificar a vítima (uma latinha, no caso), erguê-la, achar um local seguro e colocar cuidadosamente a vítima nesse ponto. Não há controle remotos – os criadores devem confiar nos sensores e no código de programação previamente construído.

Na dupla, Renato era primordialmente responsável exatamente pelo desenvolvimento do programa que capta as informações vindas dos sensores e as transforma em ordens para que o robô se movimente.

Seu interesse em programação começou aos 11 anos, quando decidiu se matricular em um curso extra curricular de informática oferecido por seu colégio, coordenado pelo professor de física Luís Rogério da Silva.

Desde então, cumpre um ciclo intenso de competições. Começou na Olimpíada Nacional de Informática, que envolve desafios de lógica e programação. Dois anos depois, por sugestão do professor Luís, migrou para o time de robótica. “Aprendi mecânica, física, eletrônica e até gestão de projetos, conhecimentos necessários que, junto da informática, permitem que a gente pense e construa um robô”.


Wallace, o professor Luís Rogério e Renato após vencerem a RoboCup, na Turquia

Começaram, então, as disputas nas olimpíadas de robótica: etapa paulista, etapa nacional e, enfim, a RoboCup. Em 2009, Renato e três outros estudantes, representaram o Brasil na Áustria e venceram a chamada categoria “Super Team”, em que equipes de diferentes países de dividem em grupos de três para competir. Por sorteio, Brasil, Canadá e Eslováquia se uniram para montar um robô androide capaz de dançar uma coreografia em sincronia com seus criadores. Na mesma competição. a equipe de Renato levou o prêmio de melhor programação, superando 16 países.

Junto do gosto pela programação, o menino desenvolveu gosto pelas competições. “É bem tenso, pois são três provas por dia durante três dias. E a banca examinadora sempre percebe as fraquezas do robô e aumenta a dificuldade do circuito. Nos intervalos, temos que prever os obstáculos e melhorar o robô. Mas é uma ótima oportunidade para aplicar, comparar e compartilhar com outros alunos o que estamos fazendo na área. E é sempre interessante ver quais soluções cada país encontrou para o mesmo problema”, diz.

Depois de participar de mais uma RoboCup no ano que vem na Cidade do México, Renato pretende tentar a faculdade de Ciências da Computação.

A grande meta

A RoboCup é uma competição mundial de robótica. Todos os anos, estudiosos dos níveis básico (ensino fundamental) e sênior (graduação e pós) criam robôs que competem nas categorias futebol, dança e resgate. O professor Luís explica que a competição surgiu, em 1994, com um grande objetivo: desenvolver robôs humanoides que, em 2050, formem uma equipe de futebol e vençam o time campeão da Copa do Mundo do mesmo ano.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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