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64ª Reunião Anual da SBPC reúne comunidade científica em São Luís

Termina hoje, 27 de julho, a 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Considerada o maior evento científico do Brasil e da América Latina, a reunião conta, de acordo com a assessoria do evento, com a participação de 20 mil pessoas, entre pesquisadores, estudantes, expositores e visitantes em geral, no campus do Bacanga, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. Montado na ExpoT&C, mostra de ciência e tecnologia, o estande da FAPERJ foi uma atração à parte. O espaço, por si só, despertou a curiosidade dos visitantes, que paravam até para fotografar a réplica do calçadão de Copacabana reproduzida no piso do local.

Além de representar o calçadão que se tornou símbolo do Rio, a decoração do estande da FAPERJ também incluiu um mural que reproduziu as capas de diversas edições da revista Rio Pesquisa, veículo de divulgação científica da Fundação que tem uma tiragem de 18 mil exemplares. O estande também destacou elementos do artesanato maranhense, como cerâmicas típicas, para homenagear o estado anfitrião do evento.

O espaço teve como objetivo a divulgação das atividades da Fundação junto à comunidade acadêmica e ao público em geral. Foram distribuídos livros editados com apoio do Auxílio à Editoração (APQ3) e material gráfico, como fôlderes e catálogos, além de exemplares da revista. Enquanto um vídeo institucional apresentava as principais atividades da FAPERJ, um computador esteve disponível para os visitantes navegarem pelo site da Fundação e conhecerem melhor o trabalho da instituição. O reitor da UFMA, Natalino Salgado, também esteve visitando o estande da FAPERJ. Na ocasião, Ruy Marques lhe fez uma entrega simbólica de livros publicados pelo programa Auxílio à Editoração (APQ 3), da Fundação. De diversas áreas do conhecimento, os livros serão doados à biblioteca da universidade e estarão à disposição dos alunos.

Ciência no combate à pobreza foi o pano de fundo da abertura da Reunião

A importância estratégica da ciência e tecnologia para a formulação de políticas públicas contra a pobreza foi o pano de fundo da cerimônia de abertura da 64ª Reunião Anual da SBPC, realizada no domingo, 22 de julho, no campus do Bacanga, da UFMA. Em seu discurso, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), Marco Antônio Raupp, destacou a relevância da pesquisa e da inovação para o desenvolvimento do País. “Corremos o risco da estagnação se não nos dispusermos à efetiva construção de um modelo próprio de desenvolvimento sustentado. Contudo, a sustentabilidade tem que contemplar de maneira equânime os aspectos econômicos, sociais e ambientais. Para isso, cabe à ciência e tecnologia um papel fundamental”, disse Raupp.

De acordo com o ministro, o Brasil deve seguir uma transição “rápida e segura” para uma economia verde e inclusiva. “Abrigamos a maior biodiversidade do planeta, mas ocupamos uma posição tímida no cenário internacional em termos de ciência da biodiversidade. Utilizamos de forma sustentável menos de 1% das 55 mil espécies vegetais nativas. Como conhecer de fato a biodiversidade sem ser pelas lentes da ciência?”, questionou Raupp. Para ele, o desenvolvimento deve caminhar ao lado da inclusão social de povos tradicionais, como os quilombolas, caiçaras e ribeirinhos. “É preciso incorporar os conhecimentos tradicionais ao sistema de ciência, tecnologia e inovação, assegurando aos seus detentores uma divisão justa e equitativa de benefícios, monetários ou não, da sua utilização”, destacou.

A presidente da SBPC, Helena Nader, aproveitou a oportunidade para reforçar a necessidade da ampliação dos investimentos na educação. “Em junho passado, após 17 meses de tramitação, a Câmara aprovou por unanimidade o Plano Nacional de Educação, que incluiu uma meta de investimento público de 10% do Produto Interno Bruto no setor, a ser alcançada em dez anos. Consideramos esta uma grande vitória”, ponderou Helena. Além do aumento no investimento em educação pública, o plano prevê a ampliação das vagas em creches, a equiparação da remuneração dos professores com a de outros profissionais com formação superior, a erradicação do analfabetismo e a oferta do ensino em tempo integral em pelo menos 50% das escolas públicas. O plano segue agora para aprovação no Senado.

No entanto, Helena expressou sua preocupação com os cortes no orçamento da Ciência e Tecnologia durante os últimos dois anos consecutivos, destacando a importância de investimentos na pasta para viabilizar o progresso social e econômico do País, pelo caminho da sustentabilidade e da inovação. “Um país que chegou a 13ª posição no ranking mundial da produção científica não pode sofrer reveses orçamentários em seus programas de desenvolvimento científico e tecnológico”, afirmou. “Da ciência básica à inovação, é necessário o aumento de recursos para levar o Brasil de fato a transformar o conhecimento em riqueza social e econômica”, completou.

Já o reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Natalino Salgado Filho, comemorou a realização da reunião na capital maranhense. “Receber o mais importante evento científico do Brasil, América Latina e Caribe é um grande presente para São Luís, que completa quatro décadas de existência, e para a UFMA, que em poucos dias vai completar 46 anos”, comemorou. Para ele, o encontro é uma oportunidade para se discutir como colocar a ciência a serviço da transformação social. “A pobreza é uma chaga, e o Brasil ainda é um dos países com maior desigualdade social. O caminho da ciência e do conhecimento é parte dessa solução e o pesquisador é instrumento de mudança”, concluiu.

Entre os integrantes da mesa na solenidade, estavam também os presidentes de honra da SBPC, Sérgio Mascarenhas e Ennio Candotti; a ministra interina da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Lourdes Maria Bandeira; a secretária da Ciência e Tecnologia do Maranhão, Rosane Guerra, que representou a governadora Roseana Sarney; o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, representando o ministro da Educação, Aloizio Mercadante; o secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, almirante Wilson Guerra; o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glacius Oliva; o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix; o coordenador da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Ivo Fonseca da Silva; o químico Jailson Bittencourt, representando o presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Jacob Palis; a presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone; o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de C,T&I (Consecti), Odenildo Sena; e o presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges.

Com o tema “Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza”, a 64ª Reunião Anual da SBPC aborda temas como economia verde, sustentabilidade, mudanças climáticas e desastres naturais, energia, programa espacial brasileiro, medicina tropical, desigualdade social e direitos humanos, e educação. A programação da Reunião inclui, ao todo, 61 conferências, 66 mesas redondas e 48 minicursos, além de atividades, como reuniões de trabalho, assembleias, encontros para a discussão sobre os avanços da ciência e um fórum de debates de políticas públicas em ciência e tecnologia. Também faz parte da programação a ExpoT&C, considerada a maior mostra de ciência e tecnologia das Américas; a SBPC Jovem (para estudantes do ensino básico e profissionalizante); a SBPC Cultural, a Sessão de Pôsteres e a Jornada Nacional de Iniciação Científica.

Fonte: FAPERJDébora Motta

 

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