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UnB se despede de Glenio Bianchetti

Glenio Bianchetti faleceu na madrugada desta terça-feira (18), aos 86 anos, em Brasília. O artista plástico sofria de problemas cardíacos e morreu de complicações após uma cirurgia. O corpo de Bianchetti será cremado nesta quarta (19) em cerimônia fechada. A família do artista preferiu não se manifestar sobre a perda. Bianchetti foi consagrado como um dos artistas plásticos mais completos do país.

“Um artista extraordinário”, sintetiza José Carlos Córdava Coutinho, amigo de Glenio e professor da UnB. Os dois se conheciam desde o tempo em que viveram em Porto Alegre. Bianchetti estudava no Instituto de Belas Artes da capital gaúcha, onde foi aluno de Iberê Camargo. O artista também foi um dos fundadores do Clube da Gravura em Porto Alegre. “Desde aquela época, ele já tinha uma reputação como pintor que ultrapassava as fronteiras do Brasil. Era muito procurado, porque se tornou um dos maiores pintores brasileiros”, conta o amigo.

Em 1962, Bianchetti veio à Brasília a convite de Darcy Ribeiro para ajudar na criação e organização do Instituto Central de Artes (ICA) da recém-criada UnB. Na instituição, lecionou disciplinas de desenho no Instituto de Artes Visuais e trabalhou com uma equipe ilustre composta também por Athos Bulcão e Amelia Toledo. Bianchetti se afastou da instituição em 1965, junto com outros 222 professores, em solidariedade aos docentes que haviam sido demitidos pela ditadura.

“Foi um gesto de absoluta coragem e desprendimento, pois ele tinha seis filhos e essa era a única fonte de renda da família”, comenta Coutinho. Bianchetti passou a viver de seus trabalhos e acelerou o ritmo de sua produção. No início da década de 1970, colaborou com a criação do Museu de Arte de Brasília. O artista plástico voltou a lecionar na UnB apenas em 1985, quando houve a reintegração dos professores que haviam sido perseguidos pelo regime militar.

 

Cedoc/UnB

 

HONRARIAS – Ao longo de sua história, Glenio Bianchetti teve sua vida e obra homenageadas por diversas vezes. Em 1999, no Palácio Itamaraty, o artista foi saudado com a retrospectiva dos seus 50 anos de carreira. Em 2009, a vida de Glenio ganhou as telas em um documentário dirigido por Renato Barbieri e narrado pelo ator e diretor Antônio Abujamra. Em 2012, a Universidade de Brasília reservou um capítulo do livro UnB 50 anos: história contada à trajetória de Bianchetti.

No mesmo ano, a instituição celebrou a produção do artista durante o Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura (Flaac) “Ele foi homenageado e reproduções do quadro A dança em pintura a óleo foram distribuídas”, lembra Izabela Brochado, diretora do Instituto de Artes.

Em 2004, foi publicado o livro Glenio Bianchetti, de autoria de Paulo Bertoni. No ano passado Glenio recebeu o título de cidadão honorário de Brasília. “O título havia sido outorgado no final do século XX, mas o diploma nunca havia sido entregue. Coube a mim a grande honra de saudá-lo”, conta Córdova Coutinho.

Fonte: UnB

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