Giro nos Estados

SP quer dar laptops aos melhores do Saresp

Governo – que há um ano prometeu e não entregou computadores – enviou projeto de lei à Assembleia; especialista questiona eficácia da medida

Um ano depois de prometer – e não entregar – computadores a estudantes de escolas estaduais com melhor desempenho no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), prova de avaliação da rede, o governo do Estado quer aprovar uma lei de premiação de alunos e professores. Apesar de prever a distribuição dos equipamentos aos mais bem colocados no exame deste ano, o governo só garante a entrega de 12 mil laptops referente ao Saresp 2011.

O projeto de lei que institui o Programa de Premiação a Alunos, Professores e Profissionais da Educação da Rede Estadual de Ensino foi levado à Assembleia Legislativa pelo governo no dia 31 de outubro, em caráter de urgência. No texto, em trâmite, fica autorizada a distribuição de um notebook para “cada aluno colocado em primeiro lugar de sua classe no exame do Saresp 2011/2012”. Seriam necessários cerca de 50 mil computadores para premiar todas as salas que fazem o exame por ano.

Apesar do que consta no projeto, a Secretaria de Educação do Estado afirma que a lei apenas autoriza, mas não “determina”, a premiação para todas as classes participantes de 2011 e 2012.

A entrega dos 12 mil notebooks aos mais bem colocados no Saresp de 2011 foi anunciada em novembro daquele ano, às vésperas das provas. As premiações seriam dadas apenas aos participantes do 3.º ano, o que não fica claro no projeto de lei.

A estudante Leticia Neves, de 18 anos, conta que a premiação foi divulgada na escola em que estudava, a David Carneiro Ewbank, em Franca (SP). Ela fez o exame e desde o começo do ano busca informações sobre quem ganhou. “É uma falta de respeito com os alunos que se esforçaram para ganhar o prêmio.”

Entrega. A secretaria nunca divulgou os vencedores e o motivo de não entregar os equipamentos. Questionada, não informou se eles foram comprados, mas afirmou que iniciará a entrega até o final de janeiro. Em nota, defendeu que foi constatada a necessidade de “atualização dos dispositivos legais” que regem as premiações em geral, por isso encaminhou a lei.

No ano passado, a secretaria divulgou que a premiação visava a incentivar a participação e o envolvimento no exame. Já no texto do projeto, o objetivo é incentivar os alunos “a desenvolver suas potencialidades mediante estímulos que propiciem melhoria do processo ensino-aprendizagem”.

A consultora em educação Ilona Becskeházy entende que premiar com computadores não reflete na melhoria de aprendizagem. “Como o desempenho é ligado ao nível socioeconômico, os primeiros colocados provavelmente já têm computador. E, como são os melhores, precisam é de mais conteúdo”, diz ela. “Seria melhor premiar as escolas que participam mais, assim haveria um reflexo na avaliação.”

O programa ainda prevê bolsas de estudo, visitas culturais, entrega de material documental e científico, além de medalhas e troféus. O projeto de lei não define os critérios de entrega.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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