Giro nos Estados

Sistema Mineiro de Inovação promove o diálogo entre a academia, Governo e iniciativa privada

Criado em 12 de dezembro de 2006 pelo Governo de Minas, por meio do decreto 44.418, o Simi atua promovendo a convergência das ações governamentais, empresariais e acadêmicas, alinhando demandas, ofertas tecnológicas e recursos de fomento à inovação. Trata-se de um projeto coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Sectes e a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais – Fapemig.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia,  Narcio Rodrigues, um dos principais estimuladores e apoiadores do Simi, a marca do pioneirismo acompanha o sistema neste período que atua no Estado.
“Minas sai na frente no modelo de desenvolvimento pautado pela inovação. O Simi interpretou este sentimento com precisão  e, por isto,  destaca-se nestes seis anos de existência no Estado, como elemento estimulador do empreendedorismo , da pesquisa. Sua ação contribui, sensivelmente,  para unir em um único objetivo,  a academia, o Governo e a iniciativa privada no desenvolvimento de novos desafios que resultarão na geração de riqueza e conforto social para os mineiros”.
Avaliação semelhante é feita pelo secretario-adjunto da Sectes, Evaldo Vilela, um dos idealizadores do Simi. “É importante mostrar para o mercado as melhores teses e trabalhos que estão sendo criado dentro da universidade”, explica.
Vilela acredita que o ambiente de inovação tecnológica no Brasil ainda é pouco desenvolvido, uma vez que está associado à importação de equipamentos. Ele defende que o entendimento que a comunidade empresarial possui sobre o processo de inovação tecnológica ainda é muito básico e por isso se faz necessário instituições que facilitem a interação entre pesquisa e mercado. “O Simi trabalha nesse ambiente, mas o seu papel e o resultado gerado ainda não é compreendido pela sociedade e nem pelo o próprio governo. O novo é difícil de ser compreendido”, esclarece.
Segundo Vilela, o Simi foi uma enorme novidade por ser o primeiro sistema estadual de inovação no Brasil. “Muito se falava sobre as dificuldades de interação entre os atores que possibilitam a inovação, mas nada tinha sido proposto para solucionar o problema até então. O Simi foi a proposta do governo em resposta a essa demanda”, explica.
Vicente Gamarano, subsecretario de Ciência, Tecnologia e Inovação, deseja longa vida ao SIMI. Segundo ele, o organismo tem demonstrado nestes seis anos de existência, elevada relevância na implantação em Minas de um ambiente de inovação com resultados que merecem ser comemoradas pela academia, governo de Minas e o setor produtivo.
Rede online em expansão
Desenvolvida com os mais novos conceitos de web 2.0, a Rede Simi é uma plataforma de networking virtual que permite que pesquisadores, empresários e membros do governo possam se conhecer, trocar informações, criar temas de discussão e praticar a inovação aberta. O foco é a geração de negócios inovadores entre os participantes do sistema, permitindo um acesso prático e facilitado que favorece a velocidade, atributo fundamental para as empresas que querem inovar.
Em 2012, a rede alcançou um crescimento de 13%, chegando ao número de 6.730 usuários e 1286 instituições cadastradas. Os usuários interagiram em mais de 500 ofertas de tecnologia e 250 demandas de empresas por novos produtos, processos e serviços.
Está previsto para o início de 2013 o lançamento de uma nova rede mais dinâmica e interativa, facilitando a troca de conhecimento e o acesso a informações sobre inovação e empreendedorismo.
Novas tecnologias 
São nos Encontros de Inovação que as interações da rede online acontecem presencialmente e a possibilidade de transferência tecnológica aumenta. Neles, pesquisadores apresentam suas tecnologias para as empresas, uma espécie de vitrine do que está sendo desenvolvido dentro das instituições de pesquisa. Da mesma forma, as empresas também podem expor suas demandas por tecnologia para a comunidade científica.
Em 2011 e 2012, a pesquisadora Marília Paiva, da UFMG, apresentou nos Encontros de Inovação realizados durante o Congresso Mineiro de Municípios, a tecnologia “Gestão de documentos nos municípios”. A interação gerou parcerias com as prefeituras de Ribeirão das Neves, Formiga e Uberlândia.
De acordo com Marília, o Encontro de Inovação foi o ponto de partida para as parcerias concretizadas. “Achei a metodologia excelente. Em cinco minutos os participantes veem o que os interessa e depois buscam saber mais sobre a tecnologia com o pesquisador. Peguei vários contatos que depois se transformaram em interações. Foi uma grande oportunidade, e também achei incrível o Simi ter me descoberto, porque foi a sua equipe quem fez o primeiro contato, não eu”, conta.
Igualmente, foi em um Encontro de Inovação do setor de mineração que as empresas AngloGold Ashanti – uma das maiores produtoras de ouro do mundo – e a Verti Ecotecnologias – empresa de desenvolvimento e implantação de soluções de inovação tecnológica na área ambiental -, fecharam parceria para o desenvolvimento de tecnologia para destruição de nitrato existente em efluentes de minas.
Euller Santos, diretor executivo da Verti Ecotecnologias, explica a facilidade promovida pelo Simi no encontro. “Foi um processo de duas reuniões além da realizada durante o Encontro de Inovação, em que apresentamos e discutimos uma proposta de parceria”, explica. Ele considera fundamentais as interações geradas a partir do evento, tanto do ponto de vista de quem oferta o serviço como de quem tem a demanda. “No Encontro é criado um fórum de debate aberto entre várias empresas que podem oferecer soluções a outras companhias atreladas ao mesmo contexto e que apresentem problemas, desafios. O Simi trabalha muito bem no sentido da inovação em Minas, e a Verti se orgulha de sempre ter participado e contribuído para esse processo”, conclui.
Além de Minas
Nos últimos seis anos, o Simi realizou 54 encontros em diferentes setores da economia, a saber: energia, agronegócios (cadeia produtiva do milho, café, leite e genética bovina), automotivo, TI, eletroeletrônico, gemas e joias, madeireiras e produção de móveis, dentre outros.
No total, 2.324 pessoas participaram dos encontros, representando empresas, universidades e institutos de ciência e tecnologia. Foram 703 instituições de 196 diferentes cidades de 16 estados brasileiros. Participaram também instituições do Reino Unido, França, Alemanha e Suécia.
Além dos Encontros, o Simi atendeu demandas específicas de empresas, por meio de uma equipe de parcerias que mantém constante contato com os Núcleos de Inovação Tecnológicos (NITs) das universidades mineiras, mapeando e divulgando as competências tecnológicas.
Como exemplo, pode-se destacar a parceria entre o Governo de Minas e a empresa Ericsson promovida pelo Simi em 2010, a qual resultou na instalação de dois centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos (P&D) no setor de TI, sendo um em Belo Horizonte e outro em Santa Rita do Sapucaí.
Modelo de atividade  
Em 2012 foi criado o Programa de Inovação Simi – PIS para tornar as ações mais efetivas. O programa, realizado dentro das universidades, mapeia um setor de competência tecnológica, promove seminário para divulgar a cultura da inovação e empreendedorismo, capacita pesquisadores e realiza um Encontro de Inovação.
De acordo com o Superintendente de Inovação Tecnológica da Sectes, José Luciano de Assis Pereira, essa foi uma forma de remodelar os Encontros de Inovação para que esses não fossem apenas rodadas de negócios e conseguissem atingir a comunidade acadêmica como um todo. “Fazemos um grande esforço em prol do empreendedorismo acadêmico e da inovação dentro da Universidade e não somente tratamos da questão interação universidade x empresa, mediante o Encontro de Inovação. O PIS é algo mais completo”, explica.
José Luciano esclarece a importância de trazer para o pesquisador temas relevantes que pudessem contribuir, não só para seu diálogo com a empresa, mas também para com o seu conhecimento sobre assuntos de interesse durante o desenvolvimento de sua tecnologia, como propriedade intelectual e questões jurídicas. “Vislumbramos também a necessidade de fomentar o desenvolvimento dos EVTECIAS (Estudos de viabilidade técnica, econômica, comercial, ambiental e social) das tecnologias, quando for o caso, tratando de apresentá-las ao mercado de forma mais pragmática”, esclarece.
Em 2012, o PIS foi realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), atendendo especificamente a cadeia produtiva do leite e contou com a participação de mais de 650 pessoas, entre estudantes de graduação, mestrado, doutorado, representantes de empresas e institutos de ciência e tecnologia.
Para 2013, José Luciano diz que a expectativa é realizar dois novos programas. “Nossa intenção é promover um programa em Belo Horizonte e outro em um local ainda em fase de discussão pela nossa equipe. Acreditamos que assim as ações do Simi serão mais efetivas para o desenvolvimento de Minas Gerais”, finaliza.
Fonte: SECTES-MG

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