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RJ investe em pesquisa de cães e gatos infectados pelo coronavírus

Um estudo feito pelo Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Pesquisas Biomédicas, do Hospital Naval Marcílio Dias, em parceria com o Laboratório de Imunofarmacologia da Fiocruz e da Clínica Rio Vet, de São João de Meriti, revelou que a infecção de cães e gatos pelo coronavírus é mais frequente do que se imagina. Devido à importância do tema a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), unidade vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), investiu R$ 250 mil através da chamada emergencial.

Os pesquisadores encontraram uma taxa de positividade de 11,25% nos 311 animais testados, no levantamento com a maior amostragem sobre o Sars-CoV-2 e bichos de estimação já realizado no país. Mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe qualquer evidência de que cães e gatos possam transmitir o coronavírus para seres humanos. Há alguns animais, como os visons e os hamsters, que podem fazê-lo, mas ainda assim são casos muito raros.

O primeiro passo ao identificar a infecção no animal é o isolamento: pessoas com sintomas de Covid-19 ou que testarem positivo precisam se manter isoladas não apenas de outras, mas também de seus pets. “Os donos devem evitar o contato com os animais domésticos e, na impossibilidade de afastamento, usar máscara na hora de preparar a comida e limpar o espaço do animal”, afirma a primeiro-tenente Shana Barroso, bióloga virologista do Hospital Marcílio Dias e especialista em vírus respiratórios, que é a pesquisadora à frente do estudo.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dr. Serginho, ressaltou o importante papel que a ciência tem desempenhado cada vez mais neste momento de pandemia. “A SECTI está empenhada em contribuir sempre com estudos e pesquisas voltadas a entender como o novo coronavírus age também nos pets e qual o tratamento mais adequado para eles. É importante redobrar a atenção e os protocolos de ação para combater a disseminação entre os animais”, destacou o secretário.

Os cuidados que valem para o ser humano também valem para os pets, como evitar aglomerações. A pesquisadora também recomenda não permitir contato dos animais com desconhecidos. “É importante ressaltar que cães e gatos podem ser infectados se ficarem no mesmo ambiente que uma pessoa contaminada, mas o contrário não acontece, ou seja, eles não transmitem o vírus para os seres humanos. A significativa positividade detectada no estudo é um indicador da elevada disseminação da pandemia, já que não foram testados especificamente pets de tutores que tiveram Covid-19, o que aumentaria a chance de haver bichos com o vírus”, afirmou.

Os 251 cães e 60 gatos foram selecionados ao serem levados ao veterinário para consultas de rotina ou vacinação. Todos os animais foram examinados na clínica veterinária de São João de Meriti, e testados com a autorização dos tutores, pela técnica padrão ouro para detectar Sars-CoV-2, o exame molecular de RT-qPCR. Dezenove cachorros e seis gatos tiveram resultados positivos. A pesquisadora ressalta que a maioria dos animais positivados não tinha qualquer sintoma condizente com a Covid-19. Apenas alguns tinham sinais como os da gripe, e somente uma cadela apresentou sintomas mais pronunciados. Mas sempre é bom manter todos os cuidados com os animais.

Fonte: SECTI RJ em 20/04/2021 (adaptada)

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