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Giro nos Estados

Rio cria ambiente para tornar-se polo de atração em TI

Depois de encerrar 2012 com 189 empresas incubadas, 22 incubadoras e cinco aceleradoras, o Rio de Janeiro procura ganhar espaço como polo de empresas novatas, conhecidas no mercado como ‘startups’. Enquanto a Rio Negócios, agência de promoção de investimento da Prefeitura do Rio de Janeiro, procura atrair empresas recém-criadas em outros Estados e estrangeiras, surge na cidade um ambiente mais propício para fomentar empresas de tecnologia.

Atualmente, 62% das ‘startups’ do setor estão em São Paulo, segundo o estudo Empreendedor Digital Brasil, do grupo de mídia RBS. Mas a presença de empresas embrionárias em outras cidades tem crescido.

No Rio, o bairro de Botafogo, na zona Sul, concentra as novatas. Com aluguéis mais baratos, o bairro atrai empreendedores para a região e sedia escritórios compartilhados e aceleradoras, como a 21212. Criada há dois anos por cariocas e nova-iorquinos, a 21212 cumpre o papel de uma aceleradora, que é promover a rápida maturação de projetos promissores. A 21212 já ajudou 24 ‘startups’, entre as quais dez cariocas e duas estrangeiras.

O site de compras coletivas Peixe Urbano, por exemplo, foi criado em Botafogo, em 2009, e já ocupou seu espaço no mercado. “Com vários prédios pequenos de escritórios, Botafogo está se tornando uma área atrativa para as ‘startups'”, afirmou Benjamin White, sócio da 21212. Entre as novatas que já apoiou, seis estão sediadas no bairro.

A Bidcorp, que desenvolveu um sistema on-line para a revenda de excedentes da construção civil, surgiu há dois anos em Recife (PE), mas escolheu o Rio após ser acelerada pela 21212. A concentração de construtoras na cidade foi determinante na escolha.

Com receita mensal de R$ 400 mil, a Bidcorp precisou economizar. Por isso, divide escritório com outras cinco iniciantes na rua Voluntários da Pátria. “É um bairro estruturado, com linhas de ônibus e metrô, e não tem aluguéis tão caros”, disse Ricardo Farias, sócio da Bidcorp.

Por ser uma cidade turística, o Rio atrai com mais facilidade executivos estrangeiros. A easyAula, dona de um site que conecta professores a alunos, tem sócios cariocas e americanos. Com faturamento de R$ 100 mil por mês, a empresa recebeu aporte há uma semana, cujo valor não foi revelado, de investidor estrangeiro.

Segundo Diego Correia, sócio da easyAula, há muitos investidores à procura de oportunidades na cidade. “Tivemos a opção de escolher com quem negociar. Fechamos com esses investidores porque são especializados na área educacional”, disse.

Com incentivos da prefeitura, a cidade também atrai empresas sediadas em São Paulo. É o caso da 4vets, que criou um sistema para integrar veterinários e petshops. Vencedora do campeonato regional Latin America Startup Challenge, a empresa chegará ao Rio em março. Para se instalar, recebeu da Rio Negócios uma sala no escritório compartilhado BeesOficce, no centro. Lá, não precisará pagar aluguel por um ano, além da promessa de ajuda no contato com potenciais investidores, disse o sócio da 4vets, Bernardo Arrospide. A 4vets dividirá o espaço com quatro iniciantes de fora da cidade.

“O maior mercado sempre será São Paulo, mas o Rio também tem potencial”, disse Arrospide. Criada no ano passado em uma incubadora chilena, a 4vets tem um sócio peruano e outro americano. “O plano inicial era fazer uma plataforma para toda a América Latina. Depois nos demos conta de que o Brasil era o segundo maior mercado do mundo para o segmento”, disse.

No ano passado, a Rio Negócios criou um conselho de empresários e especialistas que se reunirá a cada dois meses para discutir ideias para as ‘startups’ da cidade, disse a gerente comercial da área de High Tech da agência, Katie Pierozzi. O conselho tem seis integrantes, entre eles o gerente de novos negócios do Google, Simon Olsen.

A Rio Negócios tem trocado experiências com a prefeitura de Nova York. “Podemos aprender muito com Nova York, que não era uma cidade com muitas ‘startups’ e se desenvolveu rapidamente a partir do interesse do governo local”, disse Katie.

Apesar de todo o esforço, o Rio ainda não aparece no ranking mundial das 20 melhores cidades para se criar uma ‘startup’, feito pela revista especializada “TechCrunch”, em novembro. O levantamento indica como melhores lugares o Vale do Silício (EUA), Tel Aviv (Israel) e Los Angeles (EUA). São Paulo, em 13º lugar, é destaque na América Latina.

Mas o ambiente não é tudo. Para empreender é necessário planejamento, disse William Kerniski, sócio da Leadpix, empresa de marketing digital. “Não basta ter um bom produto, é preciso ter um plano de desenvolvimento”. Criada no fim de 2011, a Leadpix esperava faturar R$ 1,6 milhão em 2012, mas superou a expectativa, com R$ 2,5 milhões. Este ano, o objetivo é crescer entre 30% e 40% sobre 2012.

A coragem para seguir caminhos desafiadores é determinante. “Às vezes é muito difícil explicar para amigos e familiares por que estou criando uma pequena empresa, e não estudando para passar em um concurso”, disse Marcus Teixeira, sócio da GoBooks, que aluga livros universitários, 70% mais baratos que nas livrarias. Alocada na 21212, a empresa entrega livros na casa dos estudantes, que depois devolvem os exemplares em pontos de coleta. Após duas semanas no ar, o site teve cerca de 10 mil acessos.

Fonte Valor

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