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Giro nos Estados

Ratos colocam pesquisas em risco em universidade do Paraná

A pesquisa de dois anos e meio dos professores de aquicultura da UFPR (Universidade Federal do Paraná) em Palotina, a 590 km de Curitiba, quase foi arruinada por um rato –mas não desses branquinhos, de cobaia.

O bicho, um dos vários que infestavam a universidade um ano atrás, invadiu um armário e comeu os materiais usados num experimento.

Após apelo dos professores, o prédio foi dedetizado, mas o laboratório continua instalado em um banheiro.

“Nós fizemos uma vaquinha entre sete professores. Foram R$ 5.000”, afirma o professor Carlos Eduardo Zacarkim. Divisórias e privadas foram retiradas, mas ainda dá para ver as descargas.

Para os professores, a situação do campus de Palotina, de 1993, reproduz “tudo aquilo que levou o docente federal à greve”, segundo Raimundo Tostes, que leciona na universidade há três anos.

“Até 2015, vamos multiplicar por sete o número de alunos. Precisamos de mais 25 salas de aula –até agora, só recebemos oito”, afirma o diretor do campus, Vinícius Cunha Barcellos.Nos últimos quatro anos, o local ampliou seu corpo discente de 300 para 1.200 alunos, via Reuni (programa federal de expansão e interiorização), mas só ganhou, segundo a direção, 20% das salas e laboratórios prometidos.

A direção já discute a possibilidade de diminuir as vagas no vestibular de 2013, dada a “falta de infraestrutura”.

Barcellos reclama ainda da alta carga horária dos docentes e da falta de tempo para pesquisa. “Eu passo mais tempo resolvendo problemas do que em aula e pesquisa”, diz Eduardo Ballester, doutor em oceanografia.

O pró-reitor de administração da UFPR, Paulo Krüger, que controla as verbas do Reuni, argumenta que o campus recebeu todos os investimentos previstos no programa e mais R$ 14 milhões, mas que os valores não foram suficientes para construir tudo.

“A UFPR não é Harvard, que tem tudo. Temos limitação orçamentária; o próprio processo de licitação é demorado”, diz. Ele admite atrasos em obras, mas diz que a UFPR tem “trabalhado muito” para entregá-las.

Fonte: Folha de São Paulo

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