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Giro nos Estados

Projeto Rondon realiza oficina sobre hortaliças no Mato Grosso

Com o objetivo de transformar a realidade local e buscar novas experiências, quatro equipes com 82 jovens universitários mato-grossenses encaram o desafio de ajudar o próximo, promovendo trabalho de inclusão. Essa é a Operação Paiaguás, integrante da edição 2016 do Projeto Rondon, que iniciou suas atividades no último dia 9. Mato Grosso é o primeiro estado a executar a edição regional do projeto, coordenado pelo Ministério da Defesa.

Uma equipe da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) está realizando ações pelo Projeto Rondon no município de Cáceres. Uma das ações foi uma oficina realizada hoje (18) no Jardim Guanabara. Abordando o uso de hortaliças não convencionais, pela manhã foi realizada palestra, com a parte teórica, e pela tarde a prática foi abordada em uma oficina, realizada na Escola Municipal Guanabara.

Com o objetivo de estimular o consumo de hortaliças não convencionais e as partes subutilizadas e restos de hortaliças convencionais, a ação envolveu moradoras do Jardim Guanabara e das comunidades vizinhas. “O conceito de convencional depende muito das pessoas, mas no geral são hortaliças que estão em desuso ou que não são comercialmente aceitas, assim como a taioba, a serralha e o caruru, que são consideradas mato por muitas pessoas, mas que na verdade são plantas alimentícias”, explica a professora do curso de Agronomia da Unemat, Mônica Tiho Chisaki Isobe, integrante da equipe da Operação Paiaguás.

No final da manhã, houve uma degustação de bolinhos de arroz com alho-folha, uma hortaliça comum para os asiáticos, mas não muito consumida no Brasil, e bolinhos de arroz com o cheiro verde tradicional, para que as participantes verem a diferença, mas a maioria afirmou achar pouca diferença entre os dois. Também houve degustação de suco ‘detox’, em uma versão com couve e uma versão com ora-pro-nóbis, outra hortaliça não convencional, mas bastante comum. Ambas foram aprovadas pelo público da palestra e da oficina. “Nossas participantes ficaram bastante interessadas principalmente na parte nutricional do alimento”, conta Mônica.

“A oficina foi bem proveitosa, e as meninas gostaram de descobrir que estas hortaliças que nós apresentamos a elas não são apenas consideradas mato, que elas podem ser consumidas também”, conta a aluna do curso de Agronomia da Unemat, Daniely Cardoso Martins. “Participar do Projeto Rondon está sendo uma experiência muito importante para mim, porque estamos aprendendo a importância de conviver com outras pessoas e em grupo”, explica a rondonista.

A dona-de-casa e pescadora Juciely de Arruda Nascimento afirma que o convite para participar da palestra e da oficina valeu a pena. “Está sendo muito bom, muito interessante. Para nós que somos donas-de-casa ajuda muito saber este tipo de coisa”, afirma Juciely.

Amanhã (19), uma palestra e uma oficina com o mesmo tema serão realizadas na comunidade Flor do Ipê.

Hortaliças não convencionais

A palestra e a oficina ministradas pelos rondonistas abordaram inúmeras hortaliças não convencionais, ou seja, que não são normalmente vistas como alimento.

Dentre algumas das hortaliças apresentadas às moradoras do Jardim Guanabara, muitas são comuns, como a ora-pro-nóbis, a taioba, a serralha e o caruru.

A ora-pra-nóbis (Pereskia aculeata) é um cacto trepadeira com folhas, também conhecida como lobrobô ou lobrobó. É um vegetal rico em ferro, ajudando ao combate de anemia. Usam-se as folhas frescas ou secas e moídas na forma de pó. Também é usada no preparo da farinha múltipla, complemento nutricional no combate à fome. Suas folhas são ricas em mucilagem, que contribui para o bom funcionamento do intestino. As folhas e flores são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados. Também pode ser consumida em folhas cruas em saladas, acompanhando o prato principal ou como mistura para enriquecer farinha, massas e pães em geral. É servido cotidianamente nas cidades históricas do estado de Minas Gerais, onde a planta é mais popular.

A taioba (Xanthosoma sagittifolium) também é conhecida como orelha-de-elefante, macabo, mangará, mangará-mirim, mangareto, mangarito ou taiá. A taioba é muita apreciada na cozinha típica de Goiás. As folha possui mais vitamina A do que a cenoura, o brócolis e o espinafre. Por ser rica em vitamina A e amido, é um alimento importante para crianças, idosos, grávidas e lactantes. Em sua composição, encontramos cálcio, fósforo, ferro, proteínas e uma grande quantidade de vitaminas: vitaminas A, B1, B2 e C. Tanto o talo quanto as folhas apresentam os mesmos elementos, apenas em proporções diferentes. Nas folhas, encontramos mais ferro e mais vitamina.

Já o caruru é o nome que se dá às plantas do gênero Amaranthus, também conhecidas como bredo. Todas as partes do caruru são comestíveis. É um alimento rico em ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2 e C. As sementes podem ser ingeridas torradas ou em pães e outras receitas.

A serralha é o nome popular que se dá a duas plantas: a seralha-comum (Sonchus oleraceus) e a serralha-macia-de-folha-alongada (Sonchus tenerrimus). São ricas em vitaminas A, D e E, e possuem sabor amargo que lembra o espinafre. São usadas em saladas e cozidos.

Projeto Rondon

O Projeto Rondon nasceu em julho de 1967, mas teve suas atividades encerradas em 1989. Em 2005 foi reativado devido ao pedido de alunos universitários. O projeto é uma ação governamental do Ministério da Defesa por meio das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), que dividem a coordenação e apoio à execução.

Já o nome é uma homenagem ao marechal mato-grossense Cândido Marino da Silva Rondon, considerado Patrono das Comunicações no Brasil e com feitos reconhecidos mundialmente. Até 5 de maio deste ano, Mato Grosso vive o ano de Rondon, em homenagem aos 150 anos de nascimento de Marechal Rondon.

Operação Paiaguás

Quatro municípios de Mato Grosso receberam os estudantes: Alto Paraguai, Cáceres, Poxoréu e Santo Afonso. A escolha levou em conta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e também as dificuldades enfrentadas pela população. Até o dia 23 de janeiro, diversas oficinas serão realizadas, juntando teoria e prática. A Unemat participa da iniciativa, através de equipes dos campi universitários Jane Vanini, de Cáceres, e Renê Barbour, de Barra do Bugres. O coordenador dos alunos da equipe de Barra do Bugres, o professor do curso de Arquitetura, João Mário de Arruda Adrião, destaca que a seleção dos alunos participantes não foi fácil, e dos seis cursos, três têm representantes entre os alunos escolhidos. “Nossa preocupação era buscar assunto em comum. Fizemos uma lista com assuntos que gostaríamos de trabalhar e os alunos foram escolhendo os temas que tinham mais habilidade, estudaram o assunto mais a fundo e prepararam as oficinas de apresentação”, conta o professor.

Fonte: Unemat

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