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Giro nos Estados

Projeto propõe gestão territorial e sustentável no Baixo São Francisco em Sergipe

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão desenvolvendo um projeto no território quilombola, em Brejo Grande, para avaliar a dinâmica socioambiental da região. O projeto pretende levar qualificação para a comunidade, que já vem trabalhando com alternativas sustentáveis de renda.

A região do Baixo São Francisco preserva uma série de atividades econômicas de suas populações diretamente relacionadas à dinâmica da natureza como: produção do óleo de coco, produtos orgânicos, apicultura, artesanato, casa de farinha e produção de ostras. O coordenador do projeto, Evaldo Becker, explica que essas atividades são desenvolvidas de forma isolada na região de Brejo Grande.

“Várias coisas estão sendo feitas, mas de uma forma ainda desarticulada, não está sendo pensada de uma forma orgânica, cada comunidade, cada grupo vai desenvolvendo essas atividades de forma individual. A venda de artesanato, por exemplo, que é feita na feira da Foz ao lado de Alagoas, vem da região de Brejo Grande. Eles atravessam o rio todos os dias e vão vender os seus produtos lá na Foz. É este tipo de relação que a gente está tentando aprimorar e desenvolver juntamente com a comunidade. O foco é sempre o desenvolvimento regional atrelado à sustentabilidade”, detalha Evaldo.

Uma das propostas do projeto é realizar oficinas de qualificação sobre gestão de negócios para que os pequenos produtores possam se organizar melhor para a comercialização dos produtos. A bolsista de pós-doutorado do projeto, Sílvia Maria Santos Matos, explica que as oficinas serão realizadas no seguintes comunidades quilombolas: Resina, Carapitanga, Brejo Grande e Brejão dos Negros.

“Vamos realizar um diagnóstico rápido e participativo para que eles possam ir apontando os problemas e o que eles querem. Eles já pensam muita coisa para o território, por exemplo, a produção de orgânicos, o turismo de base comunitária. Com exceção do arroz, eles dizem que tudo que eles produzem é orgânico. Só que pra ter a produção classificada como orgânica, precisa de um processo de certificação e nós queremos apontar quais são esses caminhos” afirma a bolsista Silvia.

Integração

O professor Evaldo Becker ainda destaca que a integração da universidade com a comunidade é muito importante, pois será utilizada uma mão de obra qualificada para aprimorar o conhecimento dos produtores das comunidades quilombolas promovendo o desenvolvimento regional.

“Se a pesquisa ficar somente nos muros da universidade, não conseguirá alcançar de fato o objetivo principal que é o desenvolvimento regional. Por trabalharmos em um programa de Desenvolvimento em Meio Ambiente, nosso foco é o desenvolvimento regional sustentável. Isso só pode ser feito com o aval das comunidades, com interesse das comunidades. O que percebemos é que a comunidade tem o interesse, mas nem sempre os interesses dos pesquisadores coincidem com os interesses das comunidades, então isso é o mais difícil, nesse caso a gente conseguiu tendo em vista que já havia projetos anteriores”, enfatiza Evaldo.

Ainda segundo o pesquisador Evaldo Becker, o baixo São Francisco do lado de Sergipe ainda é muito pouco desenvolvido comparado à região da Foz do lado de Alagoas, que tem uma profissionalização muito maior, em termos de turismo e em termos de capacitação. Os resultados que o projeto pretende atingir é levar capacitação para esses ribeirinhos para que eles possam se estruturar gerando renda para a comunidade e o desenvolvimento regional de forma sustentável.

Fonte: SEDETEC-SE

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